Família que só anda de quatro deixa cientistas perplexos, pois ‘não deveriam existir’

por Lucas Rabello
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Semanalmente, a ciência avança graças ao progresso tecnológico. Recentemente, pesquisadores resolveram o enigma centenário da Cachoeira de Sangue da Antártida e debateram por que a África está se dividindo em duas.

Os cientistas descobrem respostas rapidamente, mas algumas descobertas ainda os deixam perplexos. A família Ulas da Turquia ilustra isso perfeitamente. Após aparecerem no documentário *A Família Que Anda de Quatro*, eles chamaram a atenção mundial.

Um grupo de cientistas turcos estudou a família inicialmente, publicando um artigo médico que despertou interesse viral. Liderados pelo psicólogo evolutivo Professor Nicholas Humphrey, a equipe examinou o caso único da família Ulas. Dos 18 filhos, seis andavam de quatro devido a uma ‘deficiência única’. A teoria inicial proposta pelos pesquisadores turcos sugeriu uma ‘devolução’, que o Professor Humphrey criticou como ‘profundamente insultante’ e ‘cientificamente irresponsável’ durante um documentário da BBC em 2006.

Rejeitando a ideia de reversão evolutiva, Humphrey buscou explicações alternativas. Exames neurológicos revelaram um cerebelo médio ‘encolhido’, mas essa pista não resolveu o enigma — algumas pessoas com cerebelos menores ou ausentes ainda conseguem caminhar eretas. Especialistas em fósseis de Nova York analisaram a locomoção quadrúpede da família, notando discrepâncias com padrões ancestrais. Enquanto isso, especialistas da Universidade de Liverpool destacaram diferenças esqueléticas em relação às estruturas humanas típicas.

Apesar dessas descobertas, a causa subjacente permaneceu um mistério. As observações foram abundantes, mas a compreensão de por que a família caminhava dessa maneira não foi alcançada. Em uma visita subsequente, Humphrey notou progresso: os membros da família afetados conseguiram caminhar eretos com fisioterapia e equipamentos de apoio.

Somente em 2014 a clareza surgiu, cortesia dos cientistas dinamarqueses da Universidade de Aarhus. Eles identificaram a causa raiz como Ataxia Cerebelar, Retardo Mental e Síndrome de Desequilíbrio (CAMRQ) — um distúrbio resultante de uma mutação genética rara que prejudica a distribuição adequada de moléculas de gordura por proteínas.

Essa mutação leva a células nervosas defeituosas e danos cerebrais, prejudicando o equilíbrio e explicando a incapacidade inicial da família de caminhar ereta.

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