Orangotango surpreende cientistas ao se tornar o primeiro animal selvagem a tratar feridas com planta medicinal

por Lucas Rabello
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O orangotango-de-sumatra Rakus pode estar revolucionando nossa compreensão sobre a inteligência animal e a automedicação. Residindo na Indonésia, Rakus chamou a atenção ao ser observado tratando um ferimento facial com uma planta trepadeira local, Akar Kuning (Fibraurea tinctoria), conhecida por suas propriedades medicinais. Esta marca a primeira instância registrada de um animal selvagem usando uma planta com propriedades analgésicas para tratar seus ferimentos.

Eis o que aconteceu: Rakus, provavelmente após uma luta difícil com um orangotango macho vizinho, acabou com um corte na bochecha direita. Em vez de apenas suportar a dor, Rakus tomou a iniciativa com suas próprias mãos — ou boca, neste caso. Ele foi avistado no local de pesquisa de Suaq Balimbing, uma área protegida que abriga 150 orangotangos-de-sumatra criticamente ameaçados de extinção. Observadores viram-no cuidadosamente selecionando folhas da planta Akar Kuning, mastigando-as e, em seguida, aplicando a mistura mastigada e suculenta diretamente sobre seu ferimento.

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“Ele fez isso por 30 minutos até que o corte estivesse completamente coberto”, observou a Dra. Isabelle Laumer, primatologista e bióloga cognitiva do Instituto Max Planck de Comportamento Animal. O tratamento caseiro de Rakus durou vários dias e, curiosamente, não foram observados sinais de infecção após sua autoaplicação. O ferimento fechou em cinco dias e estava completamente curado após um mês.

Durante sua recuperação, Rakus foi visto descansando mais do que o usual. Os cientistas acreditam que isso não é apenas preguiça — o repouso pode ser uma jogada estratégica, já que o sono impulsiona a cicatrização de feridas ao aumentar a liberação do hormônio de crescimento, a síntese de proteínas e a divisão celular.

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A Dra. Laumer explicou a importância da planta Akar Kuning, comumente encontrada nas florestas tropicais do Sudeste Asiático. “Ela é conhecida por seus efeitos analgésicos e anti-inflamatórios e é frequentemente usada na medicina tradicional para tratar doenças como disenteria, diabetes e malária”, disse ela. Análises químicas da planta mostram que ela contém furanoditerpenoides e alcaloides de protoberberina, substâncias com propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antioxidantes e outras propriedades benéficas para a cicatrização de feridas.

Este caso intrigante de Rakus e seu tratamento baseado em plantas é mais do que apenas um conto de engenhosidade animal. Ele fornece insights sobre como o conhecimento das plantas medicinais pode ter evoluído entre os humanos, ligando o uso de remédios naturais por nossos ancestrais aos comportamentos observados em nossos primos primatas hoje. Os resultados, publicados na revista Scientific Reports, podem abrir novos caminhos para entender tanto a medicina animal quanto a humana.

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