Homem que previu a crise financeira de 2008 faz alerta preocupante de que algo pior está prestes a acontecer

por Lucas Rabello
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Homem que previu a crise financeira de 2008 faz alerta preocupante de que algo pior está prestes a acontecer

Em 2007, um gestor de risco pouco conhecido do grande público lançou um livro com um alerta incômodo. No ano seguinte, o mundo assistiu ao colapso do mercado imobiliário dos Estados Unidos, à quebra de bancos e a uma crise que se espalhou por vários países. O autor era Richard Bookstaber, e sua obra, A Demon of Our Own Design, questionava por que as crises financeiras estavam se tornando cada vez mais frequentes e mais profundas.

Quase duas décadas depois, Bookstaber voltou a chamar atenção ao afirmar que, diante do cenário atual, aceitaria a turbulência de 2008 “qualquer dia” em comparação com o que pode estar se formando agora.

O pano de fundo é um ambiente global marcado por tensões geopolíticas e fragilidades econômicas. O conflito entre Estados Unidos e Irã, com impactos diretos na oferta de energia e no transporte marítimo, é apenas uma das peças desse quebra-cabeça. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo mundial, permanece no centro das preocupações, já que qualquer bloqueio pode afetar o abastecimento global.

Segundo Bookstaber, o risco atual não está concentrado em um único setor, como ocorreu com o mercado imobiliário antes de 2008. Ele afirma: “Voltamos a um período de risco, repleto do tipo de pressões que já levaram a grandes crises financeiras”. E acrescenta que, desta vez, os riscos estão espalhados por diferentes áreas: inteligência artificial, crédito privado estimado em cerca de 2 trilhões de dólares, bolsas de valores, Taiwan e agora o Irã.

Choques de energia e o impacto na tecnologia

Um dos pontos levantados por ele envolve o custo da energia. Em caso de agravamento do conflito no Oriente Médio, o preço da eletricidade pode subir ou o fornecimento pode ser limitado. Isso teria efeito direto sobre data centers e sobre a produção relacionada à inteligência artificial, que dependem de grande quantidade de energia para operar.

Bookstaber explica: “Um choque de energia provocado pelo conflito que aumente o custo da eletricidade ou restrinja sua oferta afeta diretamente os centros de dados e a produção de inteligência artificial”.

Ao mesmo tempo, existe a preocupação com Taiwan, responsável por mais de 50 por cento da produção global de chips avançados. Caso haja uma escalada envolvendo a China e a ilha, empresas de tecnologia ao redor do mundo poderiam enfrentar interrupções severas na cadeia de suprimentos.

Riscos físicos versus riscos financeiros

Para o economista, há uma diferença essencial entre o que aconteceu em 2008 e o que pode acontecer agora. Na crise anterior, o problema estava principalmente no sistema financeiro e no crédito fácil. Os danos foram enormes, mas concentrados no universo econômico.

Hoje, ele argumenta que os riscos são também físicos e estratégicos. “Nosso sistema financeiro atual não falha porque uma única coisa dá errado. Ele falha porque diferentes choques se propagam pela mesma estrutura, de maneiras difíceis de prever. Quando algo dá errado, se espalha mais rápido do que pode ser contido”, escreveu.

Em outra declaração, ele foi ainda mais direto: “Eu prefiro risco financeiro qualquer dia. O risco financeiro mexe apenas com preços. O risco físico mexe com o mundo”.

A combinação de conflito militar, disputas por território estratégico, dependência tecnológica e mercados altamente interligados forma um cenário que, na visão dele, pode gerar efeitos difíceis de controlar. Para alguém que antecipou uma das maiores crises econômicas do século, o alerta tem chamado atenção dentro e fora do mercado financeiro.

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