A influenciadora britânica Brooke George, de 23 anos, foi acusada de assassinato em Dubai depois da morte de um homem também britânico, que ela teria conhecido pelo Facebook durante uma viagem aos Emirados Árabes Unidos. O caso ganhou repercussão internacional porque, segundo o grupo de direitos humanos Detained in Dubai, ela pode enfrentar pena de morte caso seja condenada por homicídio em determinadas circunstâncias previstas pela lei local.
Brooke, natural de Kent, no Reino Unido, havia viajado ao país para encontrar o homem com quem mantinha contato online. De acordo com a organização que acompanha o caso, a relação teria se tornado abusiva, e a jovem afirma que o golpe fatal aconteceu em legítima defesa, durante uma agressão.
Radha Stirling, CEO da Detained in Dubai, declarou: “Ela pegou uma faca depois de ser atacada. As autoridades devem tratá-la como uma sobrevivente de violência doméstica enquanto investigam.”
A representante também afirmou que a ex-funcionária da John Lewis está respondendo a uma acusação de homicídio nos Emirados Árabes Unidos após uma briga, e que a situação “destruiu” sua vida e deixou a família em lágrimas.

A jovem pode enfrentar a pena de morte se for considerada culpada de assassinato em Dubai (Instagram).
A prisão no aeroporto
Segundo as informações divulgadas pelo grupo, Brooke foi presa em 23 de junho no Aeroporto Internacional de Dubai, quando tentava retornar ao Reino Unido. Ela teria comprado uma passagem depois de entrar em contato com familiares em estado de pânico, relatando que havia sido agredida fisicamente pelo homem.
Antes de deixar o país, Brooke teria voltado ao apartamento onde estava hospedada para buscar o passaporte. Foi nesse momento, segundo a versão apresentada pela família e pela Detained in Dubai, que ela teria sido atacada novamente.
A mãe da jovem, Thereza George, afirmou que, no dia anterior ao incidente, a filha parecia diferente. “No dia anterior ao ocorrido, ela não parecia ela mesma. Estava mais quieta e não era a pessoa feliz e alegre de sempre, mas não me contou o motivo.”
Depois do episódio, Thereza disse ter conversado com Brooke por videochamada e descreveu a filha em estado de choque. “Quando falei com Brooke logo após o incidente, ela estava absolutamente aterrorizada. Nunca vi minha filha tão assustada na minha vida.”
A mãe também afirmou que Brooke chorava sem controle e que um dos olhos da jovem estava muito inchado, começando a fechar. Para a família, ela estaria tentando desesperadamente voltar para casa e se afastar do homem.
As acusações e a lei local
A Detained in Dubai afirma que Brooke teria sido “atraída para Dubai sob falsos pretextos para fins de exploração”. O grupo cita uma série de sinais que, segundo a família, aumentaram a preocupação: uma mudança repentina no comportamento do homem, uma passagem só de ida, um ensaio fotográfico profissional de biquíni organizado durante a primeira visita, a suposta retenção do passaporte, mensagens de Brooke a amigos dizendo que “as coisas não estavam certas” e o medo crescente de que precisava escapar.
Radha Stirling também declarou que Brooke afirma ter sofrido uma agressão violenta e sentido medo real pela própria segurança. A defesa da jovem, portanto, gira em torno da alegação de legítima defesa, enquanto as autoridades locais investigam o caso sob a acusação de homicídio.
Nos Emirados Árabes Unidos, os crimes e punições são regidos pelo Decreto-Lei Federal nº 31 de 2021, conhecido como Código Penal dos Emirados Árabes Unidos. O artigo 384 prevê prisão perpétua para quem mata uma pessoa deliberadamente. Já o artigo 384/2 estabelece que a pena de morte pode ser aplicada quando o homicídio ocorre com premeditação e deliberação.
A pena capital também pode ser imposta em casos de homicídio ligado a outro crime, quando a vítima é uma autoridade pública ou pessoa em serviço público, ou quando materiais tóxicos ou explosivos são usados no crime.
Por enquanto, Brooke George permanece detida na prisão de Bur Dubai enquanto o caso avança. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido foi procurado pela imprensa britânica para comentar a situação.
