Duas orcas continuam presas em um parque marinho abandonado na França, e novas imagens reacenderam a preocupação sobre o futuro delas. Wikie, uma fêmea de 23 anos, e Keijo, seu filho de 11 anos, vivem no antigo Marineland de Antibes, que fechou em janeiro após a aproximação de uma lei que proibirá a presença de orcas em espetáculos.
O caso ganhou força depois que um vídeo feito por drone mostrou as duas no tanque, em água aparentemente suja, quase imóveis. Por alguns instantes, Wikie parece estar sem vida ao lado do filho. Então ela se move, olha para o drone e, pouco depois, as duas começam a nadar de forma mais ativa. O que torna a cena ainda mais perturbadora é que elas passam a fazer movimentos parecidos com uma apresentação, como se ainda houvesse público nas arquibancadas.
O registro viralizou por mostrar uma situação que ativistas já vinham denunciando: as orcas não estão apenas esperando por uma transferência. Elas estão em um ambiente que, segundo críticos, se deteriora com o tempo.
Um parque fechado e um destino incerto

Vídeos comoventes capturaram as orcas ainda se apresentando (@ wearetidebreakers/Instagram)
O Marineland de Antibes encerrou suas atividades em janeiro, deixando a situação de Wikie e Keijo em aberto. Como orcas não podem simplesmente ser soltas no oceano depois de uma vida em cativeiro, o destino delas depende de uma estrutura capaz de recebê-las com segurança, acompanhamento veterinário e espaço adequado.
Em abril, uma proposta do Loro Parque, em Tenerife, para receber os animais foi rejeitada pelo governo local. Desde então, a busca por uma alternativa se tornou ainda mais urgente.
Marketa Schusterova, cofundadora do grupo ativista Tidebreakers, já havia alertado que Wikie e Keijo poderiam “ficar doentes e morrer” caso não fossem enviadas para uma instalação adequada. Ela afirmou que imagens analisadas do Marineland mostram riscos no tanque.
“Sabemos, ao revisar as imagens, que o tanque está causando perigo”, disse Schusterova. “Sabemos que ele não está sendo limpo, está se desfazendo. É um perigo para essas orcas todos os dias.”
A administração do Marineland também reconheceu a urgência da transferência. Em declaração à BBC, gestores do parque disseram que os animais “precisam sair agora” para o próprio bem. “O Marineland reafirma a extrema urgência de transferir os animais para um destino operacional”, afirmaram.
As imagens que comoveram milhões

Quatro orcas já estão alojadas no Loro Parque
O novo vídeo foi compartilhado por Seph Lawless, conhecido por registrar lugares abandonados. Nas imagens, Wikie aparece flutuando ao lado de Keijo. O cenário, sem plateia, sem espetáculo e sem o movimento habitual de um parque aberto, dá às cenas um peso incomum.
Lawless descreveu o momento como se as orcas repetissem a única linguagem que aprenderam durante a vida em cativeiro.
“Saltando, girando, apresentando a única linguagem que já lhes ensinaram… mas desta vez, não havia público. Só eu… e o desejo delas de serem livres”, escreveu ele.
Em outra parte da publicação, ele afirmou: “Seus corpos cortavam a água parada como memórias voltando à vida, girando, subindo, caindo, como se os fantasmas dos aplausos ainda ecoassem em algum lugar de suas mentes.”
A reação do público foi imediata. Uma pessoa escreveu: “Meu Deus, estou chorando. O que aconteceu com a humanidade? Como isso pode estar acontecendo? Por favor, algo precisa ser feito!”
Outra resumiu o impacto das imagens dizendo que era “literalmente de embrulhar o estômago”. Uma terceira comentou: “Estou chorando muito por essas criaturas lindas. Elas estavam se apresentando para você pedir ajuda. Isso dói de assistir. O que será necessário para libertá-las?”
Enquanto o vídeo se espalhava, a organização Whale Sanctuary Project afirmou que a Nova Escócia, no Canadá, é “a única opção restante” enquanto um local apropriado para Wikie e Keijo ainda é avaliado. Segundo a entidade, em maio, o governo francês voltou a dialogar com a organização para discutir o “melhor futuro possível” para as duas orcas.
“Nós respondemos que continuamos comprometidos em trabalhar com o governo, com o Marineland Antibes e com outras organizações de proteção animal para ajudar a oferecer o melhor futuro possível para as duas baleias”, declarou o WSP.
Lawless afirmou que a história delas “não acabou, a menos que deixemos”. Ele também disse que os milhões de compartilhamentos já pressionaram o governo francês. “Às 55 milhões de pessoas que compartilharam minhas publicações, nossas vozes já enviaram ondas contra o governo francês. Desde que os vídeos viralizaram, o governo francês disse publicamente que agora está totalmente envolvido”, escreveu.
