O debate sobre a existência de vida fora da Terra ganhou um novo capítulo nos corredores do poder em Washington, misturando teologia, política e astrofísica de ponta. O vice-presidente JD Vance trouxe o tema à tona de uma forma pouco convencional durante uma entrevista recente, ao sugerir que os fenômenos aéreos não identificados, popularmente conhecidos como OVNIs, podem ter uma origem espiritual e sombria. Vance, que compõe a chapa de Donald Trump, declarou abertamente que sua visão sobre o assunto é moldada por suas convicções religiosas cristãs.
Durante sua participação no The Benny Show, um podcast conduzido por Benny Johnson, Vance foi questionado sobre a promessa de Trump de liberar arquivos sigilosos do governo dos Estados Unidos referentes a esses fenômenos.
O atual comandante-em-chefe afirmou anteriormente que pretende identificar e tornar público todo o material que discuta a possibilidade de vida alienígena. Vance confirmou que a administração está trabalhando ativamente para que esses documentos cheguem ao conhecimento da população, embora ele próprio ainda não tenha tido a oportunidade de analisar o conteúdo integral das pastas.
Vance admitiu que o assunto o fascina em um nível quase pessoal. “Eu não fui capaz de gastar tempo suficiente nisso para realmente entender, mas eu vou fazer isso”, afirmou o vice-presidente. “Acredite em mim, eu sou obcecado por isso. Houve algumas vezes em que eu pensei: ‘Nós vamos para a Área 51, vamos para o Novo México, vamos chegar ao fundo disso’. Eu não acho que sejam alienígenas, eu acho que são demônios de qualquer maneira, mas essa é uma discussão mais longa.”
A interpretação de Vance sobre o que seriam esses objetos ou seres desafia a narrativa tradicional da ficção científica e da ufologia clássica. Para ele, a terminologia extraterrestre pode ser uma simplificação de algo que as religiões já descrevem há milênios.
“Eu acho que seres celestiais que voam por aí, que fazem coisas estranhas com as pessoas… eu acho que o desejo de descrever tudo o que é celestial — tudo o que é de outro mundo — como alienígenas… toda grande religião mundial, incluindo o Cristianismo, aquela em que eu acredito, entendeu que existem coisas estranhas por aí, e existem coisas que são muito difíceis de explicar”, explicou.
O vice-presidente continuou sua linha de raciocínio conectando o inexplicável ao conceito de batalha espiritual entre o bem e o mal. “E eu naturalmente vou, quando ouço sobre esse tipo de fenômeno extra-natural, é para lá que eu vou, para a compreensão cristã de que, sabe, há muito bem por aí, mas também há algum mal por aí. Eu acho que um dos grandes truques do diabo é convencer as pessoas de que ele nunca existiu”, concluiu.
JD Vance Tells Me That UFOs are DEMONS:
“I Think They’re DEMONS” 🛸
“I don’t think they’re aliens. There are weird things out there that are very difficult to explain.”
The Vice President tells me he’s going to AREA 51 with his Top Secret Security Clearance to FIND OUT.
“I… pic.twitter.com/mDtrafkxB9
— Benny Johnson (@bennyjohnson) March 27, 2026
A resposta da ciência em Harvard
As declarações de Vance repercutiram rapidamente na comunidade científica, chegando aos ouvidos de Avi Loeb, físico teórico da Universidade de Harvard. Loeb é conhecido por sua postura aberta e muitas vezes controversa sobre a busca por inteligência extraterrestre, tendo sugerido anteriormente que o objeto interestelar 3I/ATLAS poderia ser um fragmento de tecnologia alienígena. Em uma entrevista concedida a Jesse Webber, no canal NewsNation, Loeb foi questionado se o vice-presidente poderia ter acesso a informações privilegiadas que justificassem tal visão alarmista.
Webber levantou a hipótese de Vance ter sido informado oficialmente sobre OVNIs e se sua teoria sobre demônios poderia ter sido moldada por algo que ele viu ou ouviu nos bastidores do governo. Loeb, por sua vez, analisou a fala de Vance com cautela, sugerindo que a descrição do político pode ter ido longe demais. O cientista argumentou que, em vez de encarar o desconhecido com medo ou associá-lo a forças malignas, a humanidade deveria adotar uma postura de otimismo e curiosidade intelectual.
“Meu pensamento sobre isso não é no contexto de demônios, mas sim no contexto de alienígenas”, rebateu Loeb. “E nesse caso, se estivermos vendo quaisquer tecnologias extraterrestres, a maneira como eu penso nelas é como os melhores anjos da nossa natureza. Por que não ser otimista?”. O astrofísico enfatizou que a ciência e a tecnologia humana têm apenas cerca de cem anos de desenvolvimento significativo, enquanto a maioria das estrelas da Via Láctea se formou bilhões de anos antes do nosso Sol.

Loeb, um astrofísico de Harvard, disse que devemos estar “abertos à possibilidade de não estarmos no topo da cadeia alimentar dentro da galáxia da Via Láctea”.
O Projeto Galileu e a busca por evidências
Atualmente, Loeb lidera o Projeto Galileu em Harvard, uma iniciativa dedicada a localizar objetos físicos associados a equipamentos tecnológicos extraterrestres. O objetivo do grupo é realizar pesquisas científicas sistemáticas e validadas para explicar os fenômenos aéreos não identificados, afastando-se de especulações puramente teóricas ou crenças pessoais. Para Loeb, a descoberta de uma inteligência superior poderia ser uma oportunidade de aprendizado sem precedentes.
“Nós podemos aprender com novas tecnologias”, disse Loeb. “Eu também deveria mencionar que o último visitante interestelar que tivemos, o 3I/ATLAS, poderia potencialmente ter liberado algumas sondas ou objetos durante seu trajeto. Devemos estar de mente aberta para a possibilidade de que não estamos no topo da cadeia alimentar dentro da galáxia da Via Láctea, de que podemos aprender algo com irmãos da nossa família de civilizações inteligentes.”
A questão religiosa também foi abordada pelo cientista, que não vê necessariamente um conflito entre a fé e as descobertas astrofísicas. Ele argumentou que o problema surge quando a falta de dados claros permite que as pessoas preencham as lacunas com teorias baseadas em tradições passadas. “E, claro, você pode perguntar: como a religião deve ser afetada por qualquer descoberta?”, questionou Loeb.
O astrofísico defende que o foco deve ser a coleta de informações concretas, independentemente das inclinações ideológicas de quem as analisa. “Se o governo dos EUA não consegue descobrir o que são esses objetos, então, é claro, as pessoas têm suas próprias especulações ou teorias, ou as conectam a alguns pensamentos tradicionais do passado. Eu não tenho problema com isso, desde que todos concordem que devemos obter mais dados e descobrir essas coisas. No final das contas, podemos reconhecer isso como algo completamente inesperado — mas também podemos descobrir o que é”, afirmou o pesquisador.
A tensão entre a visão de Vance e a abordagem de Loeb ilustra o atual estado do debate sobre OVNIs nos Estados Unidos. Enquanto o governo promete transparência e a liberação de arquivos confidenciais, as interpretações sobre o que esses documentos podem revelar variam entre o sobrenatural e o puramente tecnológico. A expectativa em torno da abertura dos arquivos prometida por Trump mantém o tema em evidência tanto em círculos políticos quanto acadêmicos.
Loeb reiterou que a ciência deve ser o guia principal nessa jornada de descoberta. Ele acredita que o reconhecimento de que a humanidade pode não ser a espécie mais avançada do universo deveria servir para ampliar horizontes, e não para reforçar medos ancestrais.
Enquanto Vance se apoia na teologia para classificar o desconhecido como uma ameaça demoníaca, a ciência de Harvard busca nos céus por indícios de que o próximo contato pode ser a chave para o próximo grande salto tecnológico da civilização humana.
