Durante anos, um avião comercial de grande porte permaneceu esquecido em plena área aeroportuária de uma das cidades mais populosas da Índia, sem que a companhia responsável percebesse oficialmente sua existência. O caso envolve um Boeing 737-200, uma aeronave de cerca de 30 metros de comprimento, que ficou estacionada no Aeroporto Internacional Netaji Subhash Chandra Bose, em Calcutá, sem passageiros e fora de operação, até que sua situação viesse à tona mais de uma década depois.
O jato pertenceu originalmente à Indian Airlines, empresa que foi incorporada à Air India em 2007. Apesar da fusão, o avião continuou registrado em nome da antiga companhia e acabou sendo alugado ao serviço postal indiano, com a intenção de uso como cargueiro. Durante esse processo, a aeronave foi oficialmente desativada, mas acabou ficando fora de registros administrativos atualizados, o que deu início a uma situação incomum.
Mesmo sem realizar voos, o Boeing permaneceu estacionado no pátio do aeroporto por cerca de 13 anos. Com aproximadamente 11 metros de altura e envergadura de asas em torno de 28 metros, não se tratava de um objeto pequeno ou fácil de ignorar. Ainda assim, a aeronave ficou ali, acumulando taxas de estacionamento sem que houvesse uma ação concreta para removê-la.
O Aeroporto Internacional Netaji Subhash Chandra Bose, apesar de ser um dos mais importantes do leste da Índia, possui apenas duas pistas. Isso torna ainda mais curiosa a permanência prolongada de um avião desativado em sua área operacional. Funcionários do aeroporto tinham conhecimento da presença do jato, mas a situação só ganhou atenção efetiva quando a companhia aérea recebeu uma notificação formal exigindo a retirada da aeronave.

O Boeing 737-200 ficou abandonado por mais de uma década antes de a Air India receber uma multa de estacionamento de mais de US$ 100.000 do aeroporto (Trinidade Gois/flyingTrini)
Junto com o pedido de remoção veio uma cobrança expressiva. A Air India foi informada de que devia aproximadamente 115 mil dólares em taxas de estacionamento acumuladas ao longo dos anos. O valor chamou atenção por evidenciar o tempo em que o avião permaneceu no local sem regularização administrativa.
O diretor-executivo da Air India, Campbell Wilson, explicou posteriormente que o avião foi desativado durante o período de transição entre as empresas e acabou sendo omitido de documentos internos. Essa falha administrativa fez com que a aeronave simplesmente desaparecesse dos controles formais da companhia, embora estivesse fisicamente visível no aeroporto.
Após a redescoberta oficial, a Air India decidiu vender o Boeing 737-200. A aeronave não voltará a voar, mas ganhou uma nova finalidade. Relatórios locais indicam que o Aeroporto de Bengaluru concluiu a compra e transferência do avião, com o objetivo de utilizá-lo em treinamentos técnicos.
O jato será empregado na formação de engenheiros de manutenção, reparo e revisão, além de possíveis exercícios de combate a incêndio. Para isso, foi transportado por via terrestre em um caminhão-plataforma, percorrendo cerca de 1.890 quilômetros entre Calcutá e Bengaluru. O deslocamento chamou atenção pelo tamanho da estrutura e pela logística envolvida.
Assim, um avião que passou mais de uma década parado, esquecido em registros administrativos, acabou encontrando um novo uso fora dos céus, tornando-se parte da formação de profissionais da aviação e encerrando um capítulo incomum da história aeronáutica indiana.
