O que vai acontecer após os EUA classificarem o PCC e CV como terroristas?

por Lucas Rabello
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O que vai acontecer após EUA classificar PCC e CV como terroristas?

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital, o PCC, e o Comando Vermelho, o CV, como organizações terroristas abriu uma nova frente de preocupação diplomática e jurídica. O anúncio foi feito pelo Departamento de Estado norte-americano em 28 de maio e colocou as duas facções brasileiras em listas usadas por Washington para enquadrar grupos considerados ameaça à segurança internacional.

Na prática, a medida não muda apenas a forma como os Estados Unidos descrevem essas organizações. Ela também ativa ferramentas legais que podem permitir bloqueio de bens, restrições financeiras e punições contra pessoas ou entidades acusadas de ligação com os grupos. É aí que o tema ganha peso para o Brasil, já que especialistas avaliam que a classificação pode gerar pressão sobre autoridades brasileiras e ampliar o alcance de ações norte-americanas.

As leis usadas pelos Estados Unidos

A decisão se apoia em duas bases legais dos Estados Unidos. Uma delas é a Ordem Executiva 13224, criada em 2001, poucos dias depois dos atentados de 11 de setembro. Essa norma foi feita para atacar a estrutura financeira de pessoas e grupos classificados como terroristas, permitindo que o governo norte-americano bloqueie ativos e dificulte o acesso dessas organizações a dinheiro, serviços e redes de apoio.

Segundo o texto da própria ordem, o objetivo é interromper redes de financiamento de terroristas e organizações terroristas. Isso inclui indivíduos e entidades estrangeiras que cometam atos terroristas ou que apresentem risco significativo de cometê-los.

Com o enquadramento, PCC e CV entram no radar de órgãos como o Departamento de Estado e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. A consequência mais direta é que qualquer pessoa, empresa ou entidade acusada de prestar apoio, serviço ou assistência a esses grupos pode se tornar alvo de sanções.

O possível impacto para o Brasil

O ponto mais sensível está no alcance extraterritorial dessas medidas. Para especialistas, os Estados Unidos podem tentar aplicar sua própria legislação a pessoas ou organizações com vínculos com essas facções, mesmo quando os fatos investigados tenham ocorrido em território brasileiro.

O especialista em direito penal Fábio Souto explicou que, na prática, a medida permite que os EUA busquem punir organizações e pessoas que mantenham vínculos com as facções, aplicando legislação própria, ainda que eventuais crimes tenham sido praticados no Brasil.

Esse tipo de classificação também pode aumentar a pressão política sobre o governo brasileiro. Há receio de que a medida abra espaço para sanções mais duras e, em cenários extremos, discussões sobre ações diretas contra alvos ligados às facções. O governo brasileiro se opõe à proposta, justamente por considerar que ela pode afetar a soberania nacional e criar novas tensões nas relações com Washington.

O anúncio ocorreu poucos dias depois de uma reunião na Casa Branca envolvendo Flávio Bolsonaro e Donald Trump. Segundo Flávio, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas esteve entre os temas centrais da viagem aos Estados Unidos.

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