O câncer de cólon tem chamado atenção de médicos e pesquisadores por um motivo preocupante: os casos vêm aumentando em várias partes do mundo, inclusive entre pessoas jovens e aparentemente saudáveis. A causa exata dessa alta ainda não está totalmente definida, mas a alimentação aparece entre os principais suspeitos, especialmente quando envolve produtos ultraprocessados e carnes processadas.
Esse tipo de câncer pode ser difícil de perceber no início. Muitos sintomas se parecem com problemas intestinais comuns, como irritação no intestino, gases ou mudanças passageiras no funcionamento do corpo. Por isso, alguns casos acabam sendo investigados tarde, quando a doença já avançou.
O alimento que entrou no alerta
Entre os alimentos mais citados por especialistas estão salsichas, cachorros-quentes, bacon, presunto, salame, pepperoni, carne enlatada e outros tipos de carne defumada, curada, salgada ou preservada com aditivos químicos.
Um oncologista com 17 anos de experiência relatou que, ao conversar com familiares de pacientes após cirurgias, notou um padrão frequente na dieta de muitas dessas pessoas: o consumo regular de carnes processadas. Segundo essa observação, esse tipo de alimento aparecia na rotina alimentar de grande parte dos pacientes.
O médico Tim Titutan, que tem experiência em pesquisa sobre câncer, explicou ao GB News: “Processar carne, como por cura, defumação, salga ou preservação química, resulta na formação de substâncias cancerígenas chamadas NOC e PAH.”
Ele também afirmou: “Um estudo mostrou que comer 50 gramas de carne processada por dia aumentou o risco de câncer colorretal em 18%.”
Por que a carne processada preocupa
A Organização Mundial da Saúde classifica a carne processada como carcinogênica do Grupo 1, a mesma categoria usada para substâncias com evidência suficiente de ligação com câncer em humanos.
Isso não significa que comer uma salsicha tenha o mesmo efeito que fumar, mas indica que há evidência científica forte de associação com risco aumentado.
Segundo a Cancer Research UK, conservantes como nitratos e nitritos, usados para manter carnes processadas frescas por mais tempo, podem se transformar no corpo em compostos N-nitrosos. Essas substâncias podem danificar as células que revestem o intestino, aumentando o risco de câncer.
Um estudo de 2020 também apontou que pessoas que consumiam cerca de 75 gramas de carne processada ou vermelha por dia, algo próximo a uma salsicha grande, tinham risco 32% maior de desenvolver câncer intestinal.
Sintomas que merecem atenção
De acordo com o NHS, os sinais que devem acender o alerta incluem:
• mudança no hábito intestinal
• sangramento ao evacuar
• sensação de vontade de evacuar mesmo após ir ao banheiro
• dor abdominal
• caroço na barriga
• inchaço
• perda de peso sem explicação
• cansaço intenso sem motivo claro
A recomendação médica é procurar atendimento se esses sintomas aparecerem ou persistirem, especialmente quando há mudança clara no funcionamento do intestino.
