Mulher fica sem nariz após pensar que sangramentos nasais eram causados por “rinite alérgica”

por Lucas Rabello
622 visualizações
Mulher fica sem nariz após pensar que sangramentos nasais eram causados por "rinite alérgica"

Ellen Mccleary, de 46 anos, moradora de Carlisle, no Reino Unido, começou a enfrentar problemas aparentemente simples em julho de 2023, logo após voltar de férias. Ela sofria com febre do feno desde jovem e acreditava que as hemorragias nasais constantes eram apenas consequência dessa condição. No entanto, os sangramentos chegaram a acontecer até três vezes por dia.

Ao procurar médicos, recebeu antibióticos indicados para tratar uma possível inflamação ligada à febre do feno. Mas os medicamentos não surtiram efeito. Pouco tempo depois, em agosto, a situação se agravou quando Ellen começou a tossir coágulos de sangue.

“Eu tinha o nariz muito seco, mas não dei importância. Achei que fosse meu problema de sempre com a febre do feno. Liguei para o médico, mas não me examinaram, só recebi antibióticos. Quando os sangramentos aumentaram e comecei a tossir sangue, consegui uma consulta. O médico olhou meu nariz, não viu nada e me encaminhou para o setor de otorrinolaringologia”, contou.

O diagnóstico inesperado

Após realizar exames mais detalhados, incluindo uma tomografia computadorizada e uma biópsia, Ellen recebeu a notícia devastadora: havia um tumor maligno atrás do osso do nariz, crescendo em direção ao cérebro. A recomendação foi uma cirurgia de urgência.

O procedimento durou seis horas. Quando acordou, Ellen percebeu que estava sem nariz. A equipe médica havia removido completamente a estrutura para conter o avanço do câncer.

“Eu pensava que abririam meu nariz, retirariam o tumor e fechariam de novo. Mas em duas semanas o crescimento já estava indo para o cérebro, então tiveram que remover tudo. Quando me disseram, chorei muito. Parei de fumar, parei de beber, e minha cabeça ficou cheia de pensamentos ruins”, relatou.

A vida após a cirurgia

Ellen inicialmente atribuiu seus problemas de saúde à rinite alérgica (Kennedy News and Media)

Ellen inicialmente atribuiu seus problemas de saúde à rinite alérgica (Kennedy News and Media)

Supervisora em uma escola, Ellen precisou se adaptar a uma nova realidade. O buraco em seu rosto chamou atenção das pessoas e ela também passou a sentir mais falta de ar em atividades simples, como aspirar a casa. Além disso, precisou aprender a lidar com dificuldades práticas do dia a dia.

“Não consigo assoar o nariz, então preciso retirar o muco com papel higiênico. Estou no sétimo nariz protético porque eles encolhem durante a cicatrização. Em breve vou ter um nariz magnético para usar em público. Em casa, não costumo usar porque incomoda e pode machucar”, explicou.

A ausência de pelos nasais trouxe outro desafio: a necessidade de limpar o local diariamente para evitar acúmulo de secreções.

Mesmo com todas essas mudanças, Ellen manteve uma postura positiva. Após seis semanas de radioterapia, concluídas no fim de janeiro de 2024, recebeu a notícia de que estava livre do câncer.

Ellen experimentou um nariz protético (Kennedy News and Media)

Ellen experimentou um nariz protético (Kennedy News and Media)

“Levou um ano e meio até eu conseguir olhar para mim mesma. Hoje, se alguém encara, não me escondo. Tenho amigos que me apoiam e também fiz novas amizades pela internet. Às vezes uso a prótese, outras vezes um curativo. O mais importante é seguir em frente”, disse.

Determinada a compartilhar sua experiência, Ellen alerta sobre a importância de não ignorar sinais persistentes. “Insistam com os médicos. Não importa se é um sangramento pequeno ou intenso, procurem ajuda. Eles disseram que conseguiram agir a tempo, mas nem souberam dizer em que estágio o câncer estava”, finalizou.

Veja também: