A testosterona costuma ser chamada de “motor” da energia masculina, mas sua função vai muito além de qualquer estereótipo sobre força, competitividade ou virilidade. Ela é um hormônio essencial para o desenvolvimento sexual masculino, para a produção de espermatozoides e para a libido, além de influenciar músculos, ossos, produção de glóbulos vermelhos, distribuição de gordura e até o humor.
Nos homens, a maior parte da testosterona é produzida nos testículos. As mulheres também produzem o hormônio, principalmente nos ovários, mas em quantidades menores. Durante a puberdade, os níveis aumentam bastante, ajudando nas mudanças típicas dessa fase, como crescimento de pelos, alteração da voz, ganho de massa muscular e amadurecimento sexual.
Com o passar dos anos, porém, a produção tende a cair gradualmente. Em muitos homens, isso começa por volta dos 30 anos. Essa redução pode ser natural, mas nem sempre acontece de forma suave. Quando a queda é mais acentuada, o corpo pode começar a dar sinais que nem sempre são associados à testosterona.
O que pode causar testosterona baixa
A testosterona baixa, também chamada de baixo nível de T, não está ligada apenas à idade. Outros fatores também podem interferir na produção hormonal, como lesões, tratamentos contra câncer, doenças crônicas e estresse intenso.
A urologista Rena Malik afirma que muitos homens ignoram sintomas que podem estar relacionados a esse problema. Segundo ela, quando a testosterona não está funcionando corretamente, “você começa a sentir isso em lugares que nem sabia que poderiam ser afetados”.
Em alguns casos, a investigação começa com um clínico geral, que pode solicitar um exame de sangue para medir os níveis hormonais. Dependendo do resultado, mudanças no estilo de vida, medicamentos ou terapia podem ser indicados. Se houver deficiência confirmada, o paciente pode ser encaminhado a um endocrinologista, que avaliará a necessidade de reposição de testosterona, geralmente em forma de gel ou injeção.
Os sinais que muitos homens ignoram
De acordo com a médica, existem 11 sinais que podem passar despercebidos quando o assunto é testosterona baixa:
- Queda significativa do desejo sexual
- Dificuldade de ereção
- Cansaço mesmo após dormir
- Perda de massa muscular
- Mudanças de humor
- Aumento de gordura corporal
- Perda de massa óssea
- Redução de pelos no corpo e no rosto
- Ondas de calor e suor noturno
- Aumento das mamas
- Anemia sem explicação aparente
Esses sintomas não significam, sozinhos, que uma pessoa tem testosterona baixa. Eles também podem estar ligados a sono ruim, alimentação inadequada, depressão, ansiedade, excesso de estresse, sedentarismo, problemas metabólicos ou outras condições de saúde. Por isso, a avaliação médica é importante antes de qualquer tratamento.
Um dos sinais mais conhecidos é a queda da libido. Como a testosterona está diretamente ligada ao desejo sexual, uma redução marcante e persistente pode chamar atenção. Outro ponto é a dificuldade de ereção, embora esse sintoma também possa envolver circulação, saúde cardiovascular, uso de medicamentos e fatores emocionais.
O cansaço frequente também entra na lista. Não se trata apenas de estar exausto depois de um dia pesado, mas de sentir uma fadiga constante, mesmo após uma noite de sono aparentemente adequada.
Mudanças no corpo e nos pelos
A testosterona também tem relação com a massa muscular. Quando os níveis caem, alguns homens podem notar perda de força ou dificuldade maior para manter músculos, mesmo treinando. Ao mesmo tempo, pode ocorrer aumento de gordura corporal, principalmente na região abdominal.
Segundo Malik, quando a testosterona diminui, o corpo pode se tornar menos sensível à insulina, facilitando o armazenamento de gordura. O resultado é uma mudança em como e onde o corpo acumula gordura, com maior tendência ao aumento da barriga.
Outro sinal curioso envolve os pelos. A médica explica que a relação entre testosterona e cabelo é complexa. “A forma potente convertida da testosterona é a di-hidrotestosterona”, afirma ela. Essa substância está associada à queda de cabelo no couro cabeludo em homens geneticamente predispostos.
Mas os pelos do corpo e da barba funcionam de maneira diferente. “Quando os níveis de testosterona estão baixos, os pelos nessas áreas ficam mais ralos”, explica Malik. “Eles crescem mais devagar e de forma irregular.”
A perda de massa óssea também pode aparecer com o tempo. Como a testosterona ajuda a manter a densidade dos ossos, níveis baixos podem aumentar o risco de fragilidade óssea, especialmente se o problema continuar sem acompanhamento.
Sintomas menos óbvios
Alguns sinais podem surpreender. Ondas de calor e suor noturno, por exemplo, são mais frequentemente associados à menopausa, mas também podem ocorrer em homens com baixa testosterona.
Outro sintoma mencionado por Malik é o aumento das mamas, conhecido como ginecomastia. Segundo ela, isso acontece porque a queda da testosterona pode alterar o equilíbrio entre testosterona e estrogênio no corpo masculino.
Os homens produzem pequenas quantidades de estrogênio naturalmente. Quando a testosterona cai, o efeito relativo do estrogênio pode se tornar mais evidente. “Então, os homens podem ter o que chamamos de ginecomastia”, explica a urologista. “Eles podem sentir sensibilidade no peito. Alguns até percebem uma espécie de disco firme e elástico de tecido atrás do mamilo.”
Mudanças de humor também podem estar presentes. Irritabilidade, desânimo, perda de motivação ou sensação de apatia podem surgir, embora esses sintomas sejam amplos e possam ter várias causas.
A anemia sem explicação aparente fecha a lista. A testosterona participa da produção de glóbulos vermelhos, por isso níveis baixos podem contribuir para uma redução dessas células no sangue. Esse é um dos motivos pelos quais exames laboratoriais são importantes na investigação.
