A história de Juliane Koepcke, a mulher que caiu de 3 mil metros de altura e vagou por 11 dias na selva

Uma jovem de 17 anos havia acabado de receber seu diploma de conclusão do ensino médio um dia antes de pegar um voo para fazer um passeio até o Peru, enquanto pensava, seriamente em estudar zoologia.

Seus pais eram zoólogos e amantes da vida selvagem e, junto com sua mãe, Juliane Koepcke partiu para Lima, para poder encontrar seu pai que estava na região oriental de Pucallpa em trabalho pela Floresta Amazônica.

Elas pegaram o voo 508 da LANSA na véspera de Natal de 1971 e mal sabiam o que, infelizmente, o futuro reservava.

Juliane recebendo seu diploma do ensino médio/ Youtube

Juliane se sentou na poltrona 19F e teve um passeio tranquilo, até que as nuvens começaram a ficar escuras e o piloto anunciou uma turbulência. De repente, o avião se encontrava dentro de uma enorme tempestade, em um redemoinho de nuvens negras com relâmpagos brilhando através das janelas. Quando um raio atingiu o motor, o avião simplesmente quebrou em pedaços!

Tudo se acelerou: havia os ruídos dos gritos das pessoas e do motor até que tudo o que ela podia ouvir era o vento em seus ouvidos.

“O que realmente aconteceu é algo que você só pode tentar reconstruir em sua mente”, disse ela. Juliane Koepcke ficou presa no assento e só percebeu que estava em queda livre por alguns momentos antes de perder a consciência. Ela caiu por 3 mil metros, no meio da floresta peruana.

Surpreendentemente ela sobreviveu, apesar de ter uma clavícula quebrada e um corte profundo na panturrilha. Mas de alguma maneira, ela sobreviveu, e os próximos 11 dias se passaram em uma luta para se manter viva.

Na manhã seguinte ela acordou, ainda em choque, podendo apenas processar os fatos básicos. Ela não fazia ideia de que tinha sobrevivido a um acidente de avião, não conseguia enxergar direito e ficou inconsciente de novo. Levou mais metade de um dia para ela se levantar por completo.

Local onde o avião caiu/ Youtube

Após se dar conta, a primeira coisa que ela foi fazer, foi ir atrás de sua mãe. Infelizmente ela não teve sucesso em encontrá-la, porém mais tarde ficou sabendo que sua mãe também havia sobrevivido à queda inicial, mas logo morreu devido aos ferimentos.

Enquanto procurava por sua mãe, Koepcke havia encontrado uma pequena fonte de água. Ela estava se sentindo esperança neste momento, quando então se lembrou de um conselho de sobrevivência que seu pai havia dado: “caso veja água, siga rio abaixo, e você poderá encontrar uma civilização”.

No caminho ela encontrou passageiros presos aos assentos e, infelizmente, todos estavam mortos. Ela cutucou uma mulher, pensando ser a sua mãe, mas não era. Ali, encontrou um pacote de doces, que serviriam como sua única fonte de alimento para o resto de seus dias na floresta.

A queda do avião provocou a maior busca na história do Peru. Por outro lado, devido à densidade da floresta, as aeronaves não conseguiram localizar os destroços do acidente, muito menos uma única pessoa. A jovem ouviu e viu aviões de resgate e helicópteros, porém suas tentativas de chamar a atenção deles não tiveram sucesso… ela então soube que estava sozinha.

Nove dias se passaram até que Juliane encontrou uma cabana, onde decidiu descansar. “É aqui que irei morrer” – pensou. Quando, de repente, ela ouviu vozes. E as vozes eram reais!

“O primeiro homem que vi parecia um anjo”, disse ela.

Já os homens não pensaram o mesmo: eles ficaram assustados pensando ser um espírito da água que eles acreditavam chamado Yemanjá. Ainda assim, eles a deixaram ficar lá por mais uma noite e no dia seguinte a levaram de barco para um hospital local situado em uma pequena cidade próxima.

Finalmente ela recebeu atendimento e, após ter sido tratada, Koepcke se encontrou com seu pai. Ela também ajudou as autoridades a localizar o avião e ao longo de alguns dias eles conseguiram encontrar e identificar os cadáveres do acidente.

Das 91 pessoas a bordo, Juliane Koepcke foi a única sobrevivente.

Ela retornou ao local do acidente posteriormente/ Youtube

Mesmo tendo virado alvo da mídia, toda sua dor não permaneceu registrada: além da perda de sua mãe, sua dor física e emocional causadas por esse trauma, ela desenvolveu uma fobia imensa de voar e durante anos teve pesadelos recorrentes.

Juliane é de fato uma guerreira e, apesar de toda a dor, ela seguiu em frente: em 1998, ela voltou ao local do acidente para fazer o documentário Wings of Hope e contar sobre sua história em detalhes.

Foi a primeira vez que ela conseguiu falar sobre o ocorrido de uma forma distante, com uma sensação de encerramento que ainda não havia conseguido experienciar. A experiência também a levou a escrever um livro de memórias sobre seu notável conto de sobrevivência chamado When I Fell From the Sky (Quando eu Caí do Céu).

Apesar de ter tido a sorte de ser a única sobrevivente, uma questão que ainda a intriga é o fato do porquê ela ter sido a única… talvez esse sempre seja um enigma e, de acordo com suas próprias palavras no documentário: “sempre será”.

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