Especialistas explicam a dura realidade após baleia presa ser finalmente libertada em uma operação de resgate de quase R$ 9 milhões

por Lucas Rabello
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Especialistas explicam a dura realidade após baleia presa ser finalmente libertada em uma operação de resgate de quase R$ 9 milhões

A baleia-jubarte apelidada de Timmy virou centro de uma operação rara e controversa no norte da Europa. Desde março, o animal estava preso em águas rasas próximas à Alemanha, longe de seu habitat natural no Oceano Atlântico. A presença incomum da baleia perto da costa do Mar Báltico chamou atenção de moradores, especialistas e curiosos, até se transformar em um caso acompanhado por transmissões ao vivo.

Com o passar das semanas, o estado de saúde de Timmy começou a preocupar. A baleia parecia debilitada, e a situação abriu uma discussão difícil: seria melhor deixá-la em paz, mesmo com risco de morte, ou tentar uma operação arriscada para levá-la de volta a águas mais profundas?

A tentativa de resgate aconteceu no sábado, 2 de maio, com apoio financeiro privado estimado em cerca de 1,5 milhão de euros (mais de R$ 9 milhões). A operação envolveu uma barca com água, puxada por um rebocador, para transportar o animal até o mar aberto. Durante o processo, mantas brancas foram colocadas sobre a baleia para proteger sua pele.

Alguns especialistas acreditam que a baleia pode ter procurado as águas rasas para descansar.

Alguns especialistas acreditam que a baleia pode ter procurado as águas rasas para descansar.

Uma operação cercada de dúvidas

A autorização para o resgate foi dada pelo ministro do Meio Ambiente do estado alemão de Mecklenburg Vorpommern, apesar dos alertas de alguns cientistas. Para parte dos especialistas, o transporte poderia ser pesado demais para um animal já enfraquecido.

A baleia foi solta por volta das 9h, no horário local, a cerca de 72 quilômetros da costa de Skagen, na Dinamarca. A expectativa era que um rastreador instalado em Timmy enviasse informações sobre seus sinais vitais e sua localização, ajudando os pesquisadores a entender o que aconteceu depois da soltura.

Mas o equipamento não funcionou como esperado. Segundo informações dadas à imprensa alemã, o transmissor não estava enviando os dados necessários. Para o pesquisador de baleias Fabian Ritter, o problema seria grave: “Se acontecer de o aparelho não fornecer nenhuma informação, seria uma catástrofe completa, para a baleia e para a equipe de resgate.”

Sem esses dados, ninguém sabe ao certo onde Timmy está, nem se ela ainda está viva. Especialistas afirmam que é altamente provável que a baleia tenha morrido após a soltura.

Cobertores brancos foram colocados sobre 'Timmy' para proteger sua pele.

Cobertores brancos foram colocados sobre ‘Timmy’ para proteger sua pele.

O debate após a soltura

Alguns cientistas acreditam que Timmy pode ter procurado águas rasas justamente por estar fraca e precisar descansar. Por esse motivo, levá-la ao mar aberto poderia aumentar o risco de afogamento, caso ela não tivesse força suficiente para continuar nadando e respirar adequadamente.

Burkard Baschek, do Museu Oceanográfico de Stralsund, já havia alertado que soltar a baleia em alto-mar poderia colocá-la em perigo. Por outro lado, veterinários ligados à iniciativa privada consideraram que o animal estava em condições de ser transportado.

Depois da operação, imagens feitas por drone mostraram uma baleia nadando e expelindo água perto da barca, mas não houve confirmação imediata de que se tratava de Timmy.

A falta de informações também provocou críticas. Cientistas passaram a pedir que a equipe de resgate divulgasse os dados do rastreador. O biólogo marinho dinamarquês Peter Madsen classificou a ausência de transparência como incomum e imprudente.

No mesmo dia da soltura, a financiadora Karin Walter-Mommert divulgou uma nota se afastando da operação e da forma como a baleia foi liberada. “Por meio desta, nós nos distanciamos expressamente dos acontecimentos e da maneira como a baleia foi solta. Como ainda estamos no processo de investigação, nenhum nome será divulgado neste momento. Pedimos a sua compreensão”, dizia o comunicado.

Ao lado do cofinanciador Walter Gunz, ela afirmou que eventuais consequências deveriam recair sobre o proprietário, os operadores e os tripulantes dos navios Fortuna B e Robin Hood.

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