Coelhos “coelhos Frankenstein”, com “tentáculos” surgindo da cabeça, voltaram a aparecer e levaram autoridades a emitir um alerta

por Lucas Rabello
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Coelhos "coelhos Frankenstein", com "tentáculos" surgindo da cabeça, voltaram a aparecer e levaram autoridades a emitir um alerta

Enquanto muita gente no Brasil reclama de problemas bem mais familiares, alguns moradores dos Estados Unidos estão lidando com uma cena digna de filme estranho da madrugada: coelhos com protuberâncias escuras no rosto, na cabeça e até pelo corpo, parecendo pequenos chifres ou tentáculos.

À primeira vista, a imagem assusta. Afinal, coelhos costumam ocupar o imaginário popular como animais dóceis, fofos e inofensivos. Mas esses casos, registrados em diferentes estados americanos, chamaram atenção justamente por transformar um animal comum de quintal em algo visualmente perturbador. Nas redes sociais, eles ganharam apelidos como “coelhos Frankenstein”, embora a explicação seja menos sobrenatural e mais biológica.

O problema está ligado ao vírus do papiloma de Shope, uma doença que afeta coelhos e lebres. Ele pode provocar o crescimento de verrugas e tumores, principalmente na região da cabeça. Em alguns animais, essas formações ficam tão grandes e pontiagudas que lembram galhos, espinhos ou tentáculos saindo do rosto.

O vírus por trás dos “coelhos Frankenstein”

Um coelho com o vírus

Um coelho com o vírus

Os relatos voltaram a circular com força depois que moradores de estados como Colorado, Minnesota e Nova York compartilharam imagens e mensagens sobre os animais. Em uma publicação no Reddit, uma pessoa escreveu: “Eu nunca tinha visto isso. Nem sabia que existia. Mais alguém está vendo coelhos infectados assim em Minnesota?”

Em Nova York, outro morador contou no Facebook: “Fiz contato visual com esse coelho e me arrependi imediatamente. Brincadeiras à parte, relatei o caso às autoridades de vida selvagem, mas aquilo era grotesco.”

Apesar do impacto visual, o vírus não é novo. O papiloma de Shope já é conhecido por pesquisadores há décadas e, inclusive, ajudou a ciência a entender melhor a relação entre vírus e certos tipos de câncer. O que muda é que surtos podem se tornar mais visíveis em determinadas épocas do ano, especialmente quando há mais insetos circulando.

A transmissão não acontece principalmente de coelho para coelho. Os grandes suspeitos são insetos que picam, como mosquitos e carrapatos. Quando esses parasitas entram em contato com animais infectados e depois picam outros coelhos, podem espalhar o vírus.

Por que os casos aumentam no calor

O verão e o outono no hemisfério norte favorecem a multiplicação de mosquitos, carrapatos e outros insetos. Com mais vetores no ambiente, aumenta também a chance de transmissão entre coelhos selvagens. Por isso, os avistamentos costumam crescer justamente nos meses mais quentes.

A boa notícia é que, na maior parte dos casos, as verrugas não condenam o animal. Segundo autoridades de vida selvagem do Colorado, os crescimentos geralmente não causam grandes problemas em coelhos selvagens, a menos que atrapalhem funções básicas como comer ou beber. Muitos conseguem sobreviver à infecção, e as protuberâncias podem desaparecer com o tempo.

Por esse motivo, a recomendação não é sacrificar automaticamente animais com papilomas. A intervenção só costuma ser considerada quando as lesões comprometem seriamente a alimentação ou a hidratação do coelho.

Ainda assim, há exceções. Em alguns casos, essas verrugas podem evoluir para carcinoma de células escamosas, um tipo sério de câncer de pele. Isso torna o fenômeno mais complexo do que uma simples curiosidade visual.

Para humanos, o vírus não representa uma ameaça conhecida. Ou seja, ninguém vai desenvolver “tentáculos” por cruzar com um desses coelhos em uma trilha ou quintal. Mesmo assim, a orientação mais prudente é manter distância, não tentar capturar o animal e acionar autoridades locais de vida selvagem quando necessário.

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