O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou publicamente um alerta emitido pelo FBI que mencionava a possibilidade de um ataque surpresa ligado ao Irã. O comunicado, divulgado no fim de fevereiro, indicava que a agência havia obtido informações sugerindo que drones poderiam ser lançados a partir do mar contra alvos não especificados na Califórnia, caso Washington avançasse com ataques militares contra o país do Oriente Médio.
Segundo o aviso, as autoridades não possuíam detalhes sobre data, método exato, possíveis alvos ou responsáveis diretos. Ainda assim, o documento ressaltava que havia indícios de uma intenção de retaliação utilizando veículos aéreos não tripulados.
Alerta sobre possível ataque na Califórnia
A hipótese levantada pelas autoridades envolve o uso de embarcações próximas à costa para lançar drones em direção ao território americano. A estratégia chamaria atenção por explorar a extensa faixa litorânea da Califórnia, um dos estados mais populosos do país.
Questionado por jornalistas ao desembarcar em Washington no dia 11 de março, Trump afirmou que o caso está sob investigação. “Está sendo investigado, mas muitas coisas estão acontecendo e tudo o que podemos fazer é lidar com elas à medida que surgem”, declarou.
Antes disso, o presidente havia dito que tinha “boas notícias no front da guerra” e acrescentou que o Irã estava “sendo absolutamente dizimado”. Ao ser pressionado sobre detalhes, limitou-se a repetir: “O Irã está sendo absolutamente dizimado. É tudo o que posso dizer.”
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, afirmou nas redes sociais que não tinha conhecimento de ameaças iminentes naquele momento. Ele também declarou estar em “coordenação constante com autoridades de segurança e inteligência”.
Células adormecidas e retaliação religiosa
Além da possibilidade de um ataque com drones, o tema das chamadas células adormecidas também entrou na conversa. Trump foi questionado sobre a presença de possíveis agentes ligados ao Irã em solo americano. Ele respondeu: “Fui informado, e muitas pessoas entraram durante o governo Biden, com sua fronteira aberta estúpida. Mas sabemos onde a maioria deles está, estamos de olho em todos eles, eu acho.”
Ao ser perguntado sobre números específicos, voltou a criticar o antecessor e repetiu que as autoridades estão monitorando essas pessoas.
Relatórios recentes do Departamento de Segurança Interna indicaram que dois líderes religiosos iranianos emitiram fatwas em língua persa convocando muçulmanos ao redor do mundo a buscar vingança pela morte de uma liderança importante do regime. Uma fatwa é uma interpretação formal da lei islâmica feita por um estudioso reconhecido.
De acordo com o boletim, a retórica oficial do governo iraniano e mensagens online incentivando represálias aumentariam o risco de ações por extremistas violentos simpáticos ao regime.

Autoridades alertam que “extremistas violentos” podem tentar vingar a morte do aiatolá Ali Khamenei em solo dos EUA.
Transmissão misteriosa e ecos da Guerra Fria
Dias após a morte do aiatolá Ali Khamenei, uma transmissão internacional chamou atenção ao repetir a palavra “Tavajjoh! Tavajjoh!”, que em persa significa “atenção”, seguida por uma sequência de números.
Especialistas ouvidos pela imprensa americana apontaram que a estrutura da mensagem lembrava transmissões criptografadas usadas durante a Guerra Fria. Autoridades federais teriam alertado que esse tipo de comunicação poderia funcionar como um gatilho operacional para agentes já posicionados no exterior.
Embora não haja confirmação pública de qualquer ação concreta ligada a essa transmissão, o episódio intensificou o debate sobre segurança interna nos Estados Unidos.
Conflito se espalha pelo Golfo
Enquanto as tensões aumentam no território americano, o impacto do conflito também se faz sentir no Golfo Pérsico. Desde 28 de fevereiro, mais de 1.700 mísseis e drones foram lançados contra os Emirados Árabes Unidos, segundo o Ministério da Defesa do país.
Autoridades locais afirmam que mais de 90 por cento dos ataques foram interceptados pelos sistemas de defesa aérea. Ainda assim, alguns drones atingiram áreas próximas ao Aeroporto Internacional de Dubai, regiões turísticas populares e o consulado dos Estados Unidos na cidade.
Ao menos seis pessoas morreram e 126 ficaram feridas nos Emirados desde o início dos confrontos. Milhares de moradores e turistas deixaram a região.
A professora Jessie Moritz, do Centro de Estudos Árabes e Islâmicos da Universidade Nacional da Austrália, declarou à ABC News que o Irã estaria buscando afetar o comércio global ao atingir os Emirados. Segundo ela, Dubai movimenta cerca de 30 bilhões de dólares por ano apenas com turismo.
“A interrupção do comércio internacional, das rotas de suprimento e das viagens é deliberada”, afirmou. “Ao atingir Dubai, o Irã está impondo um custo global por ameaças ao seu regime.”
O professor Fawaz Gerges, da London School of Economics, disse à CNN que Dubai é vista como um dos centros da globalização. “Dubai é realmente o epicentro da globalização”, declarou. “Os líderes iranianos veem Dubai como a base do sistema econômico global ocidental. Isso abala a economia mundial, não apenas Dubai e os Emirados.”
