Quase 50 pessoas morrem de sede após um caminhão quebrar no meio do deserto do Saara

por Lucas Rabello
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Quase 50 pessoas morrem de sede após um caminhão quebrar no meio do deserto do Saara

Um caminhão com cerca de 100 passageiros ficou parado no meio do deserto do Saara, em uma área remota perto da fronteira entre Mali, Argélia e Níger. O veículo levava nigerinos que voltavam para casa depois das celebrações do Eid al-Adha, uma das datas mais importantes do calendário muçulmano.

Segundo o governo do Níger, o caminhão saiu da localidade malinesa de Telhandek, a cerca de 300 quilômetros da fronteira nigerina, mas teria se perdido antes de quebrar após vários dias de viagem pelo deserto. O ponto onde o veículo parou ficava a aproximadamente 80 quilômetros da cidade mais próxima, Assamaka.

Presos no calor extremo

O Saara é uma das regiões mais quentes do planeta. No verão, as temperaturas costumam passar dos 40 °C e podem chegar perto dos 50 °C. Em um ambiente assim, sem água, sombra adequada ou pontos de abastecimento por perto, cada hora se transforma em uma corrida contra o corpo.

Em comunicado, o governo do Níger afirmou que os viajantes ficaram “privados de água e incapazes de consertar o veículo, apesar dos esforços do motorista, de seu ajudante e dos passageiros”. A nota descreveu o local como um ambiente hostil, onde o calor extremo e a falta de suprimentos tornam a sobrevivência muito difícil.

A situação só chegou às autoridades porque duas pessoas que estavam no caminhão conseguiram caminhar por quase 80 quilômetros até Assamaka para pedir ajuda. Quando as equipes chegaram ao local, porém, já era tarde para muitos dos passageiros.

49 pessoas morreram (Facebook/Gouvernorat d'Agadez)

49 pessoas morreram (Facebook/Gouvernorat d’Agadez)

Uma viagem que terminou em luto

As autoridades encontraram dezenas de corpos perto do caminhão parado e também embaixo dele. Segundo o governo local, 49 pessoas morreram. Após avaliar a cena, as equipes realizaram o sepultamento das vítimas em valas comuns abertas no próprio local.

O governo descreveu a tarefa como “particularmente delicada e emocionalmente exaustiva” para os profissionais envolvidos, que precisaram garantir um enterro digno às vítimas em condições extremamente difíceis.

A tragédia escancara o risco das longas travessias pelo Saara, especialmente em rotas isoladas, onde uma pane mecânica pode se transformar rapidamente em uma sentença de morte. Para muitas famílias nigerinas, a espera por parentes que voltavam das celebrações religiosas terminou com uma notícia devastadora.

As autoridades afirmaram que, “além dos números, esta tragédia é, acima de tudo, a história de dezenas de famílias nigerinas que esperavam seus entes queridos voltarem para casa para as celebrações do feriado”.

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