Criança pequena teve o olho removido após a mãe notar um “brilho” enquanto ela assistia TV

por Lucas Rabello
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Criança pequena teve o olho removido após a mãe notar um "brilho" enquanto ela assistia TV

Uma mãe viveu semanas de medo depois de notar um detalhe estranho no olho do filho de 4 anos. O que parecia apenas um brilho branco, visto por acaso enquanto o menino assistia a um desenho infantil, acabou revelando um câncer raro que afeta principalmente crianças pequenas.

Maria Simeonidis contou que tudo começou em junho de 2024, durante a comemoração do terceiro aniversário de Isaac. O menino estava vendo Paw Patrol ao lado do irmão mais velho, Simeon, quando ela percebeu um reflexo incomum no olho direito dele. Era um brilho esbranquiçado, diferente do reflexo comum causado pela luz.

A preocupação aumentou quando seu companheiro, Matthew Comley, disse que já havia notado aquilo antes. Maria perguntou sobre o brilho, e ele respondeu: “Ah, sim, você quer dizer no olho direito?”. Para ela, a resposta foi assustadora. “Eu imediatamente pensei: como ele sabe de qual olho estou falando?”, relembrou.

Naquele momento, Maria sentiu que havia algo errado. “Eu pensei que, fosse o que fosse, definitivamente não era algo bom”, contou.

O brilho que levou ao diagnóstico

O brilho branco no olho direito de Isaac (SWNS)

O brilho branco no olho direito de Isaac (SWNS)

A família procurou um optometrista local, que examinou Isaac e percebeu algo no fundo do olho direito da criança. O menino foi encaminhado ao Royal Bournemouth Hospital e, depois, ao centro especializado em retinoblastoma do Royal London Hospital.

Antes mesmo da confirmação, Maria já sentia o peso do silêncio durante os exames. “Depois que ele fez o exame, ficou tudo quieto. Ele chamou a assistente, e então eu soube. Aquele silêncio todo foi muito perturbador”, disse.

O profissional explicou que não podia diagnosticar oficialmente Isaac com retinoblastoma naquele momento, mas, se ela perguntasse sua opinião, ele tinha quase certeza de que era esse o problema.

Aquela tarde ficou marcada como uma das piores para a família. “Foi horrível para nós. Simplesmente não sabíamos o que ia acontecer. Isaac ficaria bem ou morreria? Foi um dia terrível”, contou Maria.

No Royal London Hospital, o diagnóstico foi confirmado: Isaac tinha retinoblastoma, um tipo raro de câncer ocular infantil.

O medo de perder o filho

Maria disse que começou a chorar quando os médicos confirmaram a doença. Mesmo tendo pensado no retinoblastoma como o pior cenário possível, ela ainda tentava se agarrar à possibilidade de ser algo menos grave, como uma catarata.

“Eu simplesmente sabia que havia algo errado e, como mãe ou pai, você precisa confiar no seu instinto”, afirmou.

Um dos momentos mais difíceis aconteceu logo após Isaac ter as pupilas dilatadas para os exames. Sem conseguir enxergar direito, o menino virou para a mãe e perguntou: “Mamãe, eu não consigo te ver, mas por que você está chorando?”.

Para Maria, a sensação era de desespero. “Eu pensei que ele fosse morrer. Sei que parece dramático, mas foi assim que eu me senti. Foi horrível”, disse.

Isaac iniciou um plano de tratamento com quimioterapia sistêmica. Depois de um período, ele chegou a receber sinal verde dos médicos, mas o primeiro exame de acompanhamento mostrou que pequenos fragmentos do tumor ainda permaneciam.

A partir daí, vieram novos procedimentos. Um deles foi o tratamento com placa, uma técnica usada em alguns casos de tumores oculares. Segundo Maria, esse processo deixou o filho com dor e muito desconfortável. Mesmo assim, cerca de três meses depois, Isaac teve uma nova recaída.

Matthew já havia notado o brilho nos olhos de Isaac (SWNS)

Matthew já havia notado o brilho nos olhos de Isaac (SWNS)

A decisão pela remoção do olho

Depois de uma longa tentativa para salvar o olho direito do filho, Maria precisou tomar uma decisão extremamente difícil: autorizar a remoção do olho afetado. Ela descreveu esse momento como algo muito duro de aceitar, especialmente após tantos tratamentos e esperanças.

A escolha, no entanto, foi feita pensando no bem-estar de Isaac. Maria queria que o menino finalmente tivesse algum alívio depois de tantos procedimentos, dores e incertezas.

Isaac recebeu uma prótese ocular e, felizmente, hoje está com 5 anos. Segundo a mãe, ele é uma criança feliz, confiante e cheia de energia. Gosta de dinossauros e monster trucks, é carinhoso e já fez bons amigos.

Maria contou que, em alguns lugares novos, Isaac ainda pode ficar um pouco cauteloso, principalmente porque percebe que não tem o campo de visão completo. Mesmo assim, ela diz que ele lida muito bem com a situação e entende o que aconteceu.

“Às vezes ele fica um pouco receoso em locais novos e percebe que não tem um campo de visão completo. Mas, no geral, ele se vira maravilhosamente bem. Ele sabe e entende o que aconteceu com ele”, afirmou.

O que é o retinoblastoma

O retinoblastoma é um câncer raro que afeta a retina, a parte do olho responsável por captar a luz e enviar informações visuais ao cérebro. De acordo com o NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, a doença atinge principalmente crianças com menos de 3 anos.

Um dos sinais mais comuns é justamente o brilho branco no olho, também chamado de reflexo branco. Ele pode aparecer em fotografias tiradas com flash, em determinados tipos de iluminação ou quando a criança apresenta estrabismo.

Esse brilho nem sempre significa câncer, mas é um sinal que deve ser investigado rapidamente. Em alguns casos, ele pode indicar outras alterações oculares, mas apenas uma avaliação médica consegue determinar a causa.

Richard Ashton, diretor executivo da The Childhood Eye Cancer Trust, destacou a importância da conscientização sobre a doença. “A história de Isaac mostra a importância da conscientização sobre o retinoblastoma entre os profissionais de saúde”, disse.

Ele também reforçou a orientação para que famílias procurem ajuda ao notar sinais suspeitos. “Se você está preocupado que seu filho possa ter retinoblastoma, leve-o a um clínico geral ou optometrista o mais rápido possível.”

No caso de Isaac, o detalhe percebido pela mãe durante um momento cotidiano abriu caminho para o diagnóstico, o tratamento e a retirada do olho afetado. Hoje, ele segue a infância com uma prótese, cercado pela família e adaptado à nova forma de enxergar o mundo.

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