Homem fez flexões e adicionou uma repetição a mais todos os dias para ver o impacto que isso teria em seu corpo

por Lucas Rabello
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Homem fez flexões e adicionou uma repetição a mais todos os dias para ver o impacto que isso teria em seu corpo

Fazer flexões parece simples até o treino colocar o exercício no papel. O movimento não exige máquinas, academia ou equipamentos caros, mas cobra caro do corpo quando aparece em grande quantidade. Foi justamente esse teste que o YouTuber e atleta franco-canadense Cedrik Flipo decidiu levar ao limite em 2022.

A ideia era direta: começar com apenas uma flexão e acrescentar mais uma a cada dia. No primeiro dia, uma repetição. No segundo, duas. No décimo, dez. Com o passar das semanas, o desafio deixou de ser uma curiosidade de disciplina e virou uma maratona muscular diária.

Cedrik explicou que iniciou o desafio em 31 de janeiro de 2022, fazendo uma flexão e adicionando uma nova repetição a cada dia que passava. Como corredor, ele já tinha uma rotina ligada ao condicionamento físico, mas o experimento colocou outra parte do corpo sob holofote: peito, braços, ombros, abdômen, quadris e até as pernas entraram na engrenagem.

O desafio que mudou o corpo

(YouTube/cedrikflipo)

(YouTube/cedrikflipo)

Depois de quase seis meses, a diferença no físico de Cedrik ficou visível. Em um vídeo publicado em 20 de junho para seus inscritos no YouTube, ele mostrou o antes e o depois do período em que manteve a rotina quase todos os dias. Segundo o próprio atleta, ele teria pulado apenas um dia por causa de uma lesão no ombro.

Se a conta estiver correta, nessa altura ele já estava fazendo cerca de 140 flexões por dia. O número parece saído de uma penitência medieval de academia, mas Cedrik apresentou o resultado como prova de consistência.

Ele afirmou: “Este era o meu físico antes de começar a fazer flexões e, antes mesmo da metade deste desafio, já dava para ver que ganhei muita massa na parte superior do corpo.”

Em seguida, completou: “Se você quer ficar maior e ganhar músculo, eu definitivamente recomendaria esse desafio, porque ele não é muito longo e também é muito eficiente.”

A reação nas redes veio rápido. Muitos seguidores ficaram impressionados com a transformação. Um usuário comentou: “Isso prova que a perseverança é a chave.” Outro relatou: “Eu fiz isso por cerca de 3 meses e a mudança foi absurda.”

Os limites de tantas flexões

Apesar do resultado chamativo, especialistas alertam que repetir o mesmo exercício todos os dias em volumes muito altos não é uma receita mágica para todos. A flexão é eficiente porque trabalha várias regiões ao mesmo tempo, mas a técnica precisa vir antes da quantidade.

O personal trainer e fisioterapeuta Vijay A. Daryanani, ligado ao Spaulding Rehabilitation, afiliado a Harvard, explicou à Harvard Health que o ponto central é a execução correta. Segundo ele, “onde você consegue sentir seus músculos totalmente envolvidos é o que importa.” Ele também destacou: “É sempre melhor fazer cinco boas flexões do que dez ruins.”

O risco aparece quando o corpo começa a receber o mesmo estímulo, dia após dia, sem recuperação adequada. Dores e inflamações podem surgir no peito, ombros, cotovelos e punhos. Também pode haver desequilíbrio muscular, especialmente quando a pessoa fortalece muito a parte superior do corpo, mas não treina pernas e costas com a mesma atenção.

As mudanças logo ficaram claras. (YouTube/cedrikflipo)

As mudanças logo ficaram claras. (YouTube/cedrikflipo)

Outro ponto é a progressão. A flexão usa principalmente o peso do próprio corpo. Isso funciona muito bem no começo, mas pode limitar o ganho de força com o tempo se não houver variações, descanso e treino complementar. Além disso, repetir o mesmo exercício todos os dias pode se tornar mentalmente cansativo, transformando uma boa meta em um boleto físico com vencimento diário.

Ainda assim, a flexão continua sendo um bom indicador de condicionamento. Ebenezer Samuel, diretor de fitness da Men’s Health dos Estados Unidos, defende que a maioria das pessoas deveria conseguir fazer entre 20 e 25 flexões seguidas em algum momento da vida.

Pesquisadores de Harvard foram além ao analisar a relação entre flexões e saúde cardiovascular. Em um estudo citado pela universidade, homens capazes de fazer 40 ou mais flexões seguidas tiveram risco 96% menor de sofrer infarto ou AVC em comparação com aqueles que conseguiam fazer apenas 10.

O caso de Cedrik Flipo chama atenção porque transforma um exercício básico em uma experiência de longo prazo. Uma flexão virou duas, depois dezenas, depois mais de uma centena por dia. O corpo respondeu, a internet reagiu e a velha flexão, esquecida no canto de muitos treinos, voltou a parecer uma pequena máquina de disciplina.

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