Irã inicia nova tática de guerra que pode derrubar a economia mundial

por Lucas Rabello
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Irã inicia nova tática de guerra que pode derrubar a economia mundial

A tensão no Oriente Médio voltou a provocar preocupação internacional após relatos de que o Irã estaria utilizando uma nova estratégia militar capaz de afetar diretamente o comércio global de petróleo. Informações divulgadas por fontes de inteligência indicam que o país teria iniciado a instalação de minas explosivas no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta.

O desenvolvimento ocorre em meio à escalada de confrontos entre Estados Unidos e Irã que começou no fim de fevereiro. Na ocasião, uma operação militar norte-americana resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Desde então, a região passou a registrar uma sequência de ataques e retaliações que atingiram vários países do Oriente Médio.

Nos dias seguintes ao ataque, drones foram utilizados em ofensivas contra aeroportos, embaixadas dos Estados Unidos e grandes hotéis da região. Os ataques causaram interrupções em voos comerciais e deixaram milhares de turistas e expatriados presos em diversos países.

Mesmo com o aumento das tensões, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou recentemente que a guerra estaria praticamente encerrada. Em entrevista à CBS News após uma conversa com o presidente russo Vladimir Putin, Trump declarou que o Irã teria perdido grande parte de sua capacidade militar.

“Eles não têm marinha, não têm comunicações, não têm força aérea. Seus mísseis estão espalhados e seus drones estão sendo destruídos em todos os lugares, inclusive nas fábricas. Se você olhar bem, eles não têm mais nada”, afirmou Trump.

No entanto, relatórios divulgados por veículos como CNN e The Guardian apontam um cenário diferente.

A importância estratégica do Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz é um estreito corredor marítimo localizado entre o Irã e Omã. Apesar de ter poucos quilômetros de largura em alguns trechos, ele possui uma importância gigantesca para a economia mundial.

Cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no planeta passa diariamente por essa passagem marítima. Navios petroleiros transportam milhões de barris de petróleo provenientes principalmente do Golfo Pérsico, abastecendo mercados na Ásia, Europa e outras regiões.

Qualquer ameaça à navegação nesse ponto estratégico costuma provocar reações imediatas nos mercados internacionais. Pequenas interrupções no fluxo de petróleo podem gerar aumentos significativos nos preços da energia.

De acordo com fontes de inteligência citadas pela CNN, o Irã teria colocado “algumas dezenas de minas” na região e possuiria capacidade para espalhar centenas delas ao longo da área marítima.

Esse tipo de armamento é projetado para permanecer submerso até que um navio passe próximo, momento em que o dispositivo pode detonar, causando danos severos ou até afundando embarcações.

A instalação dessas minas poderia transformar o estreito em uma zona extremamente perigosa para o transporte marítimo.

Operação militar contra navios iranianos

Em resposta às suspeitas sobre a presença de minas, o Comando Central dos Estados Unidos informou que realizou ataques contra embarcações iranianas suspeitas de participar da operação.

Segundo o comunicado militar divulgado na rede social X, forças americanas destruíram diversos navios iranianos no dia 10 de março, incluindo 16 embarcações identificadas como responsáveis por lançar minas no Estreito de Ormuz.

Vídeos divulgados pelos militares mostram explosões no mar após ataques aéreos contra os barcos.

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou que as forças americanas estão eliminando embarcações usadas para espalhar minas na região.

“Temos eliminado navios de colocação de minas no Estreito de Ormuz, destruindo-os com precisão implacável”, escreveu Hegseth.

Ele também afirmou que os Estados Unidos não permitirão que a passagem marítima seja bloqueada.

“Não vamos permitir que terroristas mantenham o Estreito de Ormuz como refém.”

A ameaça de bloqueio do petróleo

As suspeitas sobre a instalação de minas surgiram poucos dias depois de declarações feitas pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Representantes do grupo afirmaram que “nem um litro de petróleo” passaria pelo estreito caso os ataques norte-americanos continuassem.

A possibilidade de interrupção no fluxo de petróleo imediatamente provocou reações nos mercados internacionais. Antes do início do conflito, o Irã produzia aproximadamente 3,5 milhões de barris de petróleo por dia. Cerca de metade dessa produção era destinada à exportação, segundo dados citados pelo Wall Street Journal.

Grande parte desse petróleo é enviada para países asiáticos, especialmente a China. Outro ponto estratégico na cadeia de exportação iraniana é a Ilha de Kharg, localizada ao noroeste do Estreito de Ormuz. A ilha concentra cerca de 94 por cento das exportações de petróleo bruto do país.

Qualquer operação militar que afete essa infraestrutura pode impactar diretamente o comércio global de energia.

Oscilações no preço do petróleo

A incerteza sobre a segurança da rota marítima tem provocado fortes oscilações no mercado de petróleo.

Nas últimas semanas, o preço do barril passou por variações significativas. Em alguns momentos caiu para menos de 80 dólares, enquanto em outros superou 90 dólares. Na segunda-feira, segundo o analista Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, o preço chegou a atingir 120 dólares por barril.

Quilliam alertou que, caso ocorram novos ataques à infraestrutura petrolífera da região, o valor poderia subir ainda mais. “Se houver novos ataques ao fornecimento de petróleo do Irã, o preço pode chegar a 150 dólares por barril”, afirmou. Essas oscilações refletem o temor de investidores de que o estreito possa se tornar temporariamente inacessível para petroleiros.

Possíveis próximos movimentos militares

Além da presença de minas, autoridades americanas também discutiram outras medidas para lidar com a situação.

De acordo com o jornal The Independent, membros do governo dos Estados Unidos analisaram a possibilidade de assumir o controle da Ilha de Kharg.

Segundo Petras Katinas, pesquisador especializado em energia e defesa no Royal United Services Institute, essa medida poderia “cortar a principal linha de exportação de petróleo do Irã”.

A proposta, no entanto, gera debates entre especialistas. Alguns analistas afirmam que a ação poderia provocar ainda mais instabilidade nos mercados.

Neil Quilliam argumenta que, caso a ilha fosse tomada, o Irã ainda poderia continuar produzindo petróleo, mas não conseguiria exportá-lo. Ao mesmo tempo, os Estados Unidos também enfrentariam dificuldades para substituir imediatamente esse volume no mercado global. Segundo ele, esse cenário poderia levar os mercados a uma situação de forte turbulência. Enquanto isso, autoridades militares americanas avaliam opções para garantir a segurança da navegação.

O general Dan Caine afirmou em uma coletiva de imprensa que a Marinha dos Estados Unidos pode passar a escoltar navios comerciais que cruzam o estreito. “Estamos analisando várias opções e vamos resolver os problemas à medida que eles surgirem”, declarou.

Pete Hegseth também reforçou o posicionamento americano, afirmando que qualquer tentativa de bloquear o fluxo de petróleo será respondida com força. “Se o Irã fizer qualquer coisa para interromper o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, será atingido pelos Estados Unidos vinte vezes mais forte do que foi atingido até agora”, afirmou.

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