Uma das maiores cidades do mundo está afundando tão rapidamente que já é visível do espaço

por Lucas Rabello
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Uma das maiores cidades do mundo está afundando tão rapidamente que já é visível do espaço

A Cidade do México está afundando, e não se trata de uma metáfora. Partes da capital mexicana estão descendo lentamente, mês após mês, em um processo que já pode ser observado por radares instalados em satélites. O fenômeno é conhecido como subsidência, quando o solo perde volume ou sustentação e começa a ceder.

O caso chama atenção porque envolve uma das maiores metrópoles do mundo. A Cidade do México reúne milhões de pessoas, avenidas movimentadas, bairros históricos, prédios modernos, aeroportos, sistemas de metrô e uma rede urbana construída sobre um terreno especialmente vulnerável. A cidade fica em uma antiga bacia lacustre, onde antes existiam lagos e áreas encharcadas. Com o passar dos séculos, esse solo mole foi sendo drenado, ocupado e comprimido.

Hoje, algumas regiões afundam em ritmo impressionante. Dados recentes de radar por satélite indicam áreas com subsidência superior a 2 centímetros por mês. Isso significa mais de 24 centímetros por ano em pontos críticos. Em uma cidade comum, esse número já seria preocupante. Em uma capital gigantesca, com infraestrutura pesada e população densa, ele vira um problema urbano de grandes proporções.

O solo que sustenta a cidade

A história da Cidade do México ajuda a explicar o problema. A antiga Tenochtitlán, capital asteca, foi construída sobre ilhas no lago Texcoco. Após a colonização espanhola, a região passou por obras de drenagem e expansão urbana. Com o tempo, a cidade cresceu sobre depósitos de argila, sedimentos e materiais acumulados no antigo fundo do lago.

Esse tipo de solo funciona como uma esponja compactada. Enquanto há água em seu interior, ele mantém parte do volume. Quando essa água é retirada em excesso, os poros diminuem e o terreno afunda. É um processo lento, mas persistente, como se a cidade estivesse sobre um colchão que perde ar aos poucos.

A retirada de água subterrânea é apontada como uma das principais causas da subsidência. A metrópole depende fortemente dos aquíferos para abastecimento. Conforme milhões de pessoas consomem água diariamente, o subsolo vai sendo esvaziado, e as camadas de argila se comprimem. O problema é que, em muitos casos, essa compactação é praticamente irreversível.

O que os satélites estão mostrando

Novos dados do sistema NISAR revelaram que partes da Cidade do México afundaram aproximadamente 2 centímetros por mês entre 25 de outubro de 2025 e 17 de janeiro de 2026, áreas destacadas em azul nos mapas de radar. Embora pareçam pequenas, essas mudanças desiguais de altitude foram se acumulando ao longo das décadas, causando rachaduras e danos em estradas, edifícios e redes de abastecimento de água.

Novos dados do sistema NISAR revelaram que partes da Cidade do México afundaram aproximadamente 2 centímetros por mês entre 25 de outubro de 2025 e 17 de janeiro de 2026, áreas destacadas em azul nos mapas de radar. Embora pareçam pequenas, essas mudanças desiguais de altitude foram se acumulando ao longo das décadas, causando rachaduras e danos em estradas, edifícios e redes de abastecimento de água.

A subsidência não acontece da mesma forma em toda a cidade. Algumas áreas permanecem mais estáveis, enquanto outras afundam muito mais rápido. É por isso que as medições por radar são tão importantes. Satélites conseguem comparar pequenas variações na superfície ao longo do tempo, revelando deformações que seriam difíceis de perceber apenas do chão.

Esse monitoramento mostrou manchas de afundamento espalhadas pela região metropolitana. Em mapas produzidos a partir de dados de radar, as áreas mais afetadas aparecem destacadas, indicando onde o solo está cedendo com maior intensidade. O fenômeno pode afetar ruas, tubulações, redes de esgoto, trilhos, fundações e edifícios.

Os sinais já são visíveis no cotidiano. Rachaduras em construções, calçadas desniveladas, inclinação de estruturas e problemas em sistemas subterrâneos podem estar ligados ao movimento do solo. Em áreas onde uma parte afunda mais rápido que outra, a deformação cria tensão nas construções, aumentando o risco de danos.

A situação também complica a gestão da água. Tubulações podem romper com mais facilidade, provocando vazamentos. Esses vazamentos, por sua vez, agravam o desperdício em uma cidade que já enfrenta pressão sobre o abastecimento. É um ciclo difícil: a cidade extrai água do subsolo para sobreviver, mas essa extração contribui para o afundamento do terreno onde ela está construída.

A Cidade do México não é a única metrópole do mundo a enfrentar esse tipo de problema. Outras cidades construídas sobre deltas, antigas áreas alagadas ou zonas com uso intenso de aquíferos também sofrem subsidência. O que torna o caso mexicano tão marcante é a combinação entre velocidade do afundamento, tamanho da população e importância histórica da cidade.

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