Homem que fugiu da Coreia do Norte relata trauma de ter sido obrigado a assistir execuções públicas quando tinha apenas 11 anos

por Lucas Rabello
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Homem que fugiu da Coreia do Norte relata trauma de ter sido obrigado a assistir execuções públicas quando tinha apenas 11 anos

Timothy Cho cresceu na Coreia do Norte cercado por regras que não eram apenas rígidas: eram invisíveis, espalhadas pela vida cotidiana como armadilhas. Ainda menino, ele aprendeu que até a leitura podia ser perigosa. Seus pais eram professores de ensino médio, e seu pai mantinha livros de história em casa. Para uma criança curiosa, aquilo parecia uma janela. Para um adulto vivendo sob vigilância, podia ser uma sentença.

“Quando eu era jovem, eu adorava ler, e quando eu estava lendo meu pai disse: ‘essas coisas que você está lendo, você não pode compartilhar nada do que leu em casa quando estiver fora’”, contou Timothy ao LADbible Stories.

A frase do pai não era exagero. Na Coreia do Norte, informações fora da narrativa oficial podem colocar famílias inteiras sob suspeita. Timothy entendeu isso cedo, mas a dimensão do medo ganhou forma quando ele tinha apenas 11 anos e foi obrigado a assistir a uma execução pública.

Uma infância marcada pelo medo

Segundo Timothy, moradores foram convocados para se reunir no local da execução. Não era um evento escondido. Era feito para ser visto. E, de acordo com seu relato, as crianças foram colocadas na frente da multidão.

“Todos nós fomos mandados ir ao local da execução pública para assistir. Centenas de pessoas, uma multidão, se reuniram. Foi dito especificamente que todas as crianças deveriam sair e ver na frente da multidão, crianças”, afirmou.

O homem executado, segundo Timothy, estava amarrado a um poste. O crime dele teria sido ajudar três mulheres norte-coreanas a atravessar a fronteira para a China.

“E o homem amarrado ao poste era um criminoso porque ele ajudou, o crime dele foi ajudar três mulheres norte-coreanas a cruzar a fronteira para a China.”

Timothy descreveu a execução como um ato planejado para causar terror. Três policiais se aproximaram, cada um com uma arma. Ele afirmou que todos estavam armados com AK-47 e que cada policial tinha três balas.

“Então três policiais vieram de uma distância bem curta, cada um tinha uma, como se chama, AK-47, e cada policial tinha três balas”, relatou.

A fuga e a busca por liberdade

Em algumas execuções por pelotão de fuzilamento, há casos em que um dos atiradores recebe munição de festim, para que ninguém saiba exatamente quem disparou o tiro fatal. No episódio descrito por Timothy, segundo ele, não havia essa ambiguidade. Os disparos teriam sido direcionados para partes específicas do corpo.

“O primeiro tiro foi no olho”, disse. “Os olhos estavam cobertos e a bala fez os olhos saltarem.”

“E os segundos três tiros foram no umbigo, onde a barriga também estava amarrada, e o terceiro foi no joelho.”

Depois dos tiros, Timothy afirmou que o corpo caiu em uma cova já preparada. Havia algo embaixo para envolver o cadáver rapidamente.

“Então o corpo caiu em um buraco que estava preparado, e embaixo havia algo que podia envolver o corpo morto”, disse. “Aquilo foi uma execução pública.”

A vida de Timothy já havia sido despedaçada antes disso. Quando ele tinha 9 anos, seus pais fugiram da Coreia do Norte após serem alertados de que estavam sendo perseguidos politicamente. Ele ficou para trás, passou a viver nas ruas e enfrentou a fome.

Mais tarde, conseguiu escapar do país, mas foi capturado pelo exército chinês. Segundo seu relato, sofreu tortura por ter desertado. Mesmo assim, conseguiu fugir uma segunda vez. Foi nessa segunda fuga que finalmente encontrou liberdade fora do regime que marcou sua infância com silêncio, fome e medo.

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