Dubai construiu sua fama com projetos que parecem desafiar limites. Entre arranha-céus gigantes e centros comerciais imensos, a cidade abriga o icônico Burj Khalifa, inaugurado em 2010, ainda considerado o edifício mais alto do planeta. No entanto, nem todas as ideias grandiosas tiveram o mesmo destino.
A cerca de 3,2 quilômetros da costa, um arquipélago artificial chama atenção tanto pelo conceito quanto pelo estado atual. Conhecidas como World Islands, essas ilhas foram projetadas para formar um mapa do mundo visto de cima, com uma disposição que remete aos continentes.
Ao todo, são aproximadamente 260 ilhas, cada uma grande o suficiente para abrigar mansões de luxo, hotéis exclusivos ou resorts privados. A proposta era transformar o local em um destino altamente sofisticado, voltado para milionários e investidores internacionais. A ideia reforçava a ambição de Dubai de provar que praticamente qualquer projeto poderia se tornar realidade com investimento suficiente.
Expansão ambiciosa no mar

SI Imaging Services / Imazins
O projeto exigiu um investimento estimado em cerca de 11 bilhões de euros. Para criar as ilhas, enormes quantidades de areia foram dragadas do fundo do mar e moldadas com precisão. O resultado foi uma obra de engenharia impressionante, que rapidamente ganhou destaque mundial.
Diversos empreendimentos foram anunciados durante o lançamento. Havia planos para hotéis temáticos, residências exclusivas e até ilhas personalizadas para celebridades. A expectativa era que o arquipélago se tornasse um dos endereços mais desejados do planeta.
Apesar disso, grande parte dessas promessas nunca saiu do papel. Poucas ilhas chegaram a ser desenvolvidas de forma significativa. Algumas contam com clubes de praia e restaurantes sofisticados, mas estão longe de formar uma comunidade funcional.
Estrutura limitada e desafios
Mesmo nas áreas já utilizadas, a infraestrutura apresenta limitações. Muitas construções dependem de geradores a diesel para funcionar, o que exige o transporte constante de combustível por embarcações. Isso torna a operação cara e pouco sustentável.
Outro ponto frequentemente mencionado em análises é a erosão. Relatos indicam que a areia utilizada na construção vem sofrendo desgaste ao longo do tempo, o que levanta dúvidas sobre a durabilidade das ilhas.
O projeto acabou sendo alvo de críticas em publicações especializadas. Algumas classificaram o arquipélago como uma “cidade fantasma de areia”, enquanto outras o incluíram em listas de megaprojetos que não alcançaram o resultado esperado.
Ainda assim, autoridades de turismo de Dubai continuam divulgando planos de revitalização. Há propostas para novas construções, incluindo residências e empreendimentos de alto padrão. O futuro do arquipélago permanece incerto, dividido entre o potencial ainda não explorado e os desafios que impediram seu desenvolvimento completo até agora.
