Uma terapeuta sexual acostumada a orientar casais sobre intimidade passou por uma situação inesperada dentro do próprio casamento. Mesmo com experiência profissional na área, ela percebeu que sua vida íntima havia praticamente desaparecido. Em um período de um ano, o casal teve relações apenas uma vez, algo que a levou a questionar não só a dinâmica do relacionamento, mas também a própria conexão com o desejo.
A psicóloga e autora relatou que sempre teve interesse pelo tema, valorizando os aspectos físicos e emocionais do sexo. Ainda assim, aos poucos, algo mudou. Segundo ela, não houve um único motivo claro, mas sim uma soma de pequenos fatores que acabaram afastando o casal. Rotina, cansaço e convivência constante começaram a pesar.
“Eu, de alguma forma, perdi minha conexão com a intimidade física”, explicou. A situação chegou a um ponto em que ela considerou se afastar do parceiro para tentar reencontrar essa parte de si mesma.
Quando a rotina afeta a intimidade
Com o passar do tempo, o casal passou a compartilhar mais do cotidiano dentro de casa, especialmente durante períodos em que ficavam mais tempo juntos. Isso trouxe conforto, mas também reduziu o espaço para o desejo espontâneo.
Ela percebeu que não apenas havia perdido o interesse, como também notava a mesma ausência de iniciativa por parte do parceiro. Foi então que decidiu fazer uma pergunta direta: “Você ainda se sente atraído por mim?”
A resposta veio de forma imediata. Ele afirmou que sim, mas revelou algo importante: não estava se sentindo atraente. A rotina havia tomado conta. Jantares simples, televisão e pouca variação no dia a dia contribuíram para essa sensação.
Esse momento abriu espaço para uma conversa honesta. Em vez de acusações, o casal passou a entender melhor o que estava acontecendo com cada um. O problema não era falta de atração, mas uma desconexão emocional e física causada pelo estilo de vida.

A Dra. Kate Balestrieri disse que “de alguma forma perdeu a conexão com a intimidade física” (Instagram/@drkatebalestrieri)
Redescobrindo o desejo sem pressão
A partir dessa conversa, eles decidiram mudar a abordagem. Em vez de tentar seguir expectativas externas sobre frequência ou desempenho, passaram a focar no que realmente sentiam.
Um dos pontos principais foi aprender a respeitar o próprio ritmo. Nem sempre havia vontade, e isso deixou de ser encarado como um problema. Ao mesmo tempo, passaram a valorizar momentos individuais, criando espaço para sentir saudade e interesse novamente.
Com o tempo, começaram a conversar sobre fantasias e desejos, sem obrigação de colocá-los em prática imediatamente. O importante era a liberdade de expressão, sem julgamentos.
“Revisitamos o tema do sexo, mas sem um plano ou objetivo. Apenas falávamos sobre o que imaginávamos, sem pressão”, contou.
Gradualmente, o contato físico voltou de forma natural. Pequenos gestos, como toques e brincadeiras, ajudaram a reconstruir a conexão. Segundo ela, a mudança aconteceu quando o desejo deixou de ser uma obrigação e voltou a surgir de forma genuína.
Esse processo levou tempo e exigiu esforço dos dois lados. Não houve uma solução rápida, mas sim uma reconstrução baseada em comunicação, compreensão e respeito aos limites individuais.
