Hacker com 30 anos de experiência revela as coisas mais assustadoras que já viu na dark web

por Lucas Rabello
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A dark web, frequentemente percebida como um canto nebuloso da internet, opera sobre uma fundação de anonimato. Diferente dos domínios online convencionais onde endereços IP podem ser rastreados até usuários específicos, a dark web emprega sistemas intricados para ofuscar os verdadeiros endereços IP dos usuários. Esta camada de anonimato é uma espada de dois gumes; ela provê privacidade para aqueles que a procuram, mas também serve como um véu para atividades ilícitas.

Um dos incidentes mais assustadores associados à dark web envolve Chloe Ayling, um caso onde o indivíduo foi sequestrado e listado para venda. A capacidade de malevolência da dark web se estende além de sequestros. Grupos de ataques de ransomware exploram essa parte oculta da internet para alavancar dados pessoais contra indivíduos, exigindo resgate em troca da não divulgação de informações sensíveis.

Um hacker anônimo, com três décadas de experiência no âmbito cibernético, compartilhou percepções com a VICE. Inicialmente um hacker ‘black hat’, operando sem uma bússola ética e movido por intenções malévolas, ele mais tarde fez a transição para um hacker ‘white hat’, alinhando-se com práticas de hacking éticas. “Eu vi hospitais sendo criptografados,” ele relatou, destacando as graves consequências dos ataques de ransomware onde os riscos envolvem vidas humanas e o dilema de pagar um resgate para descriptografar dados críticos.

Em 2021, o hacker expressou preocupação particular sobre a escalada de ataques de ransomware, atribuída à sua natureza lucrativa. Ele detalhou os ‘jogos de alto risco’ jogados na dark web, incluindo a aplicação de ransomware em uma escala nacional. O envolvimento de atores estatais nacionais em tais atividades cibernéticas sublinha a significância estratégica do ransomware, transcendendo meros motivos financeiros para encarnar uma ferramenta em guerra assimétrica.

“Existem criminosos motivados financeiramente que procuram qualquer forma de lucrar, [e] há algumas pessoas que só querem ver o mundo arder.

“Esses são hackers destrutivos que perseguem os sistemas porque só querem causar interrupções.”

Ele acrescentou: “Cada país tem motivos para transformar esse tipo de ataque em arma. […] É a forma perfeita de guerra assimétrica”.

Ele afirmou ter observado “praticamente todos os governos ocidentais” buscando a expertise de hackers éticos, um reconhecimento do papel crítico que esses indivíduos desempenham na proteção da infraestrutura cibernética contra as ameaças multifacetadas que emanam dos recantos sombrios da dark web.

Mais sobre a Dark Web

A dark web, parte da deep web, refere-se a uma seção da internet que não é indexada por motores de busca tradicionais e só pode ser acessada através de softwares específicos, como o Tor (The Onion Router). A principal característica da dark web é a sua ênfase na privacidade e no anonimato, tanto para os usuários quanto para os operadores de sites. Isso é conseguido através de uma complexa rede de servidores e a utilização de criptografia, dificultando a rastreabilidade das atividades e a identificação dos usuários. Esse ambiente criptografado torna a dark web atraente para indivíduos e grupos que desejam manter suas comunicações e transações fora do alcance das autoridades e de terceiros.

Na dark web, é possível encontrar uma variedade de conteúdos e serviços. Desde fóruns de discussões sobre temas diversos e plataformas de comunicação segura até mercados ilegais, onde se comercializam drogas, armas, dados pessoais roubados, e outros bens e serviços ilícitos. A dark web também é utilizada por ativistas e jornalistas em países com regimes repressivos, onde a liberdade de expressão é limitada e a censura é comum. Esses indivíduos utilizam a dark web para compartilhar informações e organizar-se de forma segura, sem o risco de represálias.

Apesar de ser frequentemente associada a atividades criminosas, a dark web não é exclusivamente um ambiente para o crime. Muitas organizações legítimas, como grupos de direitos humanos e meios de comunicação, utilizam a dark web para proteger a privacidade e segurança de suas comunicações. Por exemplo, o site SecureDrop permite que jornalistas recebam informações de fontes anônimas de maneira segura. Além disso, a dark web tem sido um espaço de experimentação para novas tecnologias de privacidade e segurança na internet.

O acesso à dark web requer um conhecimento técnico básico e o uso de software específico, como o navegador Tor. Este software redireciona o tráfego do usuário através de uma série de servidores voluntários ao redor do mundo, criptografando os dados em cada etapa. Esse processo, conhecido como “roteamento de cebola”, cria camadas de anonimato que protegem a identidade do usuário. No entanto, essa proteção não é infalível, e os usuários da dark web ainda enfrentam riscos significativos, como ataques de hackers, golpes e a possibilidade de vigilância por parte das autoridades.

A dark web continua a evoluir, com novas tecnologias e métodos sendo desenvolvidos para aumentar a segurança e o anonimato. Enquanto as autoridades e os órgãos de segurança trabalham para monitorar e combater as atividades ilegais, a dark web permanece um espaço complexo e controverso, onde a linha entre privacidade legítima e atividades ilícitas é frequentemente tênue.

Lucas Rabello
Lucas Rabello

Fundador do portal Mistérios do Mundo (2011). Escritor de ciência, mas cobrindo uma ampla variedade de assuntos. Ganhou o prêmio influenciador digital na categoria curiosidades.

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