Filme gráfico com cenas explícitas foi tão controverso que acabou banido em vários países

por Lucas Rabello
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Filme gráfico com cenas explícitas foi tão controverso que acabou banido em vários países

O filme O Império dos Sentidos, lançado originalmente em 1976, permanece como uma das obras mais discutidas e censuradas da história do cinema mundial. Dirigido por Nagisa Oshima, o longa metragem desafiou as normas sociais e as leis de obscenidade de sua época ao apresentar cenas de sexo não simulado e nudez frontal explícita. A produção não é apenas uma ficção provocante, mas baseia-se na história real de Sada Abe, uma ex-prostituta que se torna governanta e inicia um caso obsessivo com seu patrão casado, Kichizo Ishida.

Na trama, Eiko Matsuda interpreta Sada e Tatsuya Fuji dá vida a Kichizo. O que começa como um desejo mútuo rapidamente se transforma em uma busca frenética por prazer que ignora qualquer limite físico ou social.

A natureza gráfica da obra foi o que impediu que muitos cinéfilos tivessem acesso à versão completa por décadas. Enquanto outros filmes banidos ao redor do mundo costumam focar em violência extrema, o problema central aqui foi a representação minuciosa do ato sexual e da genitália.

Censura e legislação no Japão

O Japão possui regras de censura historicamente rígidas. O Artigo 175 do Código Penal japonês proíbe a publicação e distribuição de material considerado obsceno. Embora o termo obsceno não tenha uma definição exata e imutável, em 1976 a exibição de órgãos genitais sem censura em filmes entrava diretamente nessa categoria. Por conta disso, a obra não poderia ser exibida em território japonês a menos que diversas cenas fossem cortadas ou modificadas.

Essa lei ainda é aplicada nos dias de hoje, embora seja direcionada majoritariamente ao conteúdo pornográfico comercial e menos às produções cinematográficas com fins artísticos.

Na época do lançamento, para contornar os problemas legais, o filme foi tecnicamente registrado como uma produção francesa. O material bruto foi enviado para a França para ser editado e finalizado, permitindo que a obra existisse em sua forma original fora do controle imediato dos censores japoneses.

Detalhes da produção e cenas gráficas

O realismo das cenas foi o que mais chocou o público e as autoridades. Além do sexo real entre os atores, o roteiro incluía momentos que testavam o estômago e a moralidade dos espectadores da década de 1970. Em uma das sequências mais famosas, Kichi insere um ovo na vagina de Sada e pede que ela o expulse, para que ele possa comê-lo em seguida. Tais escolhas estéticas e narrativas visavam explorar o limite do prazer sensorial vinculado à degradação.

O desfecho da história real de Sada Abe também é retratado de forma crua. Durante um ato sexual, Sada acaba matando Kichi acidentalmente por estrangulamento, uma prática que o casal utilizava para aumentar a excitação. Após a morte do amante, ela remove o pênis dele com uma faca e carrega o órgão consigo por quatro dias antes de ser finalmente detida pela polícia.

O filme causou muita controvérsia (Toho-Towa)

O filme causou muita controvérsia (Toho-Towa)

O longo caminho até a exibição completa

O banimento não se restringiu ao Japão. Países como Estados Unidos, Reino Unido e a antiga Alemanha Ocidental também proibiram a exibição da versão sem cortes. A resistência global durou anos. No Reino Unido, por exemplo, o filme só chegou aos cinemas em 1991, e ainda assim com pequenas edições impostas pelos órgãos reguladores locais. No Japão, o público só teve a oportunidade de ver algo próximo da versão original no final dos anos 2000.

Levou quase 20 anos após a produção para que o corte original de O Império dos Sentidos fosse liberado para formatos domésticos, como o home vídeo. Com o passar do tempo e a mudança nos critérios de classificação indicativa, a versão sem cortes tornou-se disponível em países como Austrália, França e Alemanha. Atualmente, a obra pode ser encontrada em plataformas de streaming especializadas em cinema de arte e para aluguel digital.

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