A ascensão acelerada da inteligência artificial tem provocado debates intensos sobre o futuro do trabalho. Pesquisadores da empresa de softwares de automação Linkee analisaram diferentes setores e apontaram quais funções estão mais ameaçadas de extinção até 2035. O estudo levou em conta três fatores principais: risco de substituição por IA, projeções de crescimento das carreiras e interesse público em cada área.
O resultado revela uma lista de profissões que podem sofrer mudanças profundas, seja pela redução de demanda ou pela completa automatização das atividades.
O impacto direto no marketing e na comunicação
Entre os cargos mais citados, o de gerente de marketing de produto aparece como um dos primeiros na lista. Embora o risco de substituição esteja em 39%, a posição ainda sobrevive pela necessidade de habilidades multidisciplinares que combinam dados, narrativas e objetivos de negócio. Mesmo assim, a pressão da tecnologia é crescente.
Outro caso preocupante é o de analistas de marketing, com risco de 48%. Esses profissionais, que tradicionalmente lidam com relatórios e métricas, estão cada vez mais em terreno disputado com algoritmos capazes de processar informações em escala muito maior.
Os especialistas em SEO também foram listados. Segundo o estudo, a função corre risco porque ferramentas automatizadas já são capazes de planejar e executar otimizações em sites com rapidez e precisão. “Os cargos que resistem não são os que produzem mais, mas os que decidem o que realmente importa”, afirmou Vahan Poghosyan, CEO da Linkee.
Os profissionais de marketing BTL (below the line) também sofrem com projeções baixas, tendo um crescimento previsto de apenas 4,9%. Para continuar relevantes, segundo os especialistas, será necessário ampliar competências, dominar recursos de IA e alinhar cada estratégia a métricas financeiras claras.
Profissões criativas em risco
As áreas tradicionalmente ligadas à criatividade também não estão livres das transformações. Designers gráficos, por exemplo, aparecem com 59% de chance de substituição. Isso porque softwares de inteligência artificial já conseguem criar imagens, logotipos e layouts em poucos segundos. O diferencial, segundo o estudo, será usar essas ferramentas como aliados, transformando produção em resultados concretos.
Ainda mais ameaçados estão os editores de vídeo, que atingem um índice de risco de 65%. A ideia de trailers de cinema ou vídeos promocionais feitos inteiramente por algoritmos já não parece distante. Plataformas de IA são capazes de cortar, sincronizar áudio, aplicar efeitos e até sugerir roteiros automaticamente.
Por outro lado, cargos como copywriters estão em situação crítica. A pesquisa apontou risco de 85%, o maior entre todos os analisados. “À medida que o custo de palavras, revisões e campanhas básicas cai para quase zero, qualquer função baseada apenas em produção está sob pressão”, explicou Poghosyan.
Atendimento e vendas sob ameaça
Funções ligadas ao relacionamento com clientes e à área comercial também aparecem na lista. Os especialistas em experiência do cliente, responsáveis por garantir interações positivas entre empresas e consumidores, são apontados como o segundo cargo mais ameaçado. A justificativa é simples: a busca por redução de custos tem incentivado o uso de chatbots e sistemas de atendimento automatizados.
O mesmo vale para agentes de vendas de publicidade, que já enfrentam retração de –6,6% no mercado. A venda de espaços publicitários está cada vez mais automatizada por plataformas digitais que conectam diretamente anunciantes e veículos, reduzindo a necessidade de intermediários humanos.
Outro cargo citado é o de gerente de promoções de rádio, que enfrenta estagnação e até queda de relevância diante da digitalização do setor.
Esse levantamento da Linkee mostra que, embora algumas funções ainda resistam pela necessidade de estratégia e visão multidisciplinar, muitas carreiras tradicionais enfrentam riscos reais diante do avanço da inteligência artificial. Profissionais que não ampliarem suas competências podem ver suas ocupações desaparecerem até 2035.
