A divulgação de novos documentos ligados ao caso de Jeffrey Epstein voltou a colocar o nome de Bill Gates no centro das discussões públicas. Em meio a trocas de e-mails antigas e registros tornados públicos, surgiram acusações envolvendo supostos relacionamentos extraconjugais e alegações de comportamento impróprio.
Parte da polêmica gira em torno de uma mensagem datada de 2013, atribuída a Epstein, que mencionaria questões íntimas e acusações de doenças sexualmente transmissíveis. O conteúdo do e-mail chamou atenção pelo tom explícito e pelas afirmações feitas. A equipe de Gates reagiu de forma imediata, classificando as alegações como “absolutamente absurdas e completamente falsas”.
Durante uma reunião interna com funcionários da Fundação Gates, realizada em 24 de fevereiro, o empresário abordou o assunto diretamente. Segundo relatos, ele reconheceu que cometeu erros pessoais no passado, incluindo dois relacionamentos extraconjugais com mulheres russas.
Ele afirmou: “Eu tive casos, um com uma jogadora de bridge russa que conheci em eventos de bridge, e outro com uma física nuclear russa que conheci por meio de atividades profissionais”.
A relação com Epstein
Gates também falou sobre sua conexão com Jeffrey Epstein. Ele contou que os dois se conheceram em 2011, alguns anos depois de Epstein já ter se declarado culpado por solicitar prostituição de menor de idade.
De acordo com o empresário, ele tinha conhecimento de que Epstein havia enfrentado restrições judiciais anteriores, que limitaram seus deslocamentos por cerca de 18 meses. Ainda assim, admitiu que não investigou o histórico com profundidade naquele momento.
Gates relatou que manteve encontros com Epstein até 2014. Confirmou ter viajado em avião particular e participado de reuniões em diferentes países, mas declarou que nunca passou a noite nas propriedades do financista nem visitou sua ilha privada.
“Para deixar claro, eu nunca passei tempo com vítimas, com as mulheres ao redor dele”, afirmou. “Foi um enorme erro ter passado tempo com Epstein”.
Ele acrescentou: “Peço desculpas às outras pessoas que foram envolvidas nisso por causa do erro que cometi. Eu não fiz nada ilícito. Eu não vi nada ilícito”.

O e-mail era datado de 2013 (Departamento de Justiça).
As reuniões internas e o pedido de desculpas
Segundo porta-voz da Fundação Gates, o encontro com funcionários fazia parte de uma reunião periódica já programada. Nessas ocasiões, Gates costuma responder a perguntas enviadas previamente pela equipe.
Entre os temas abordados estavam a divulgação dos arquivos relacionados a Epstein, o trabalho da fundação em inteligência artificial e os projetos voltados à saúde global.
O representante afirmou que Gates respondeu de forma direta às perguntas e assumiu responsabilidade por suas escolhas pessoais. Ele reconheceu que, com as informações conhecidas hoje, a decisão de manter contato com Epstein foi equivocada.
Em determinado momento, declarou que saber agora a extensão dos crimes cometidos pelo financista torna a situação “cem vezes pior”.

Gates foi fotografado com diferentes mulheres cujas identidades foram ocultadas (Departamento de Justiça).
O posicionamento de Melinda French Gates
Melinda French Gates, ex-esposa do empresário, também comentou publicamente o tema em entrevista ao podcast Wild Card, da NPR.
Ela declarou que eventuais dúvidas remanescentes devem ser respondidas “por aquelas pessoas e até mesmo pelo meu ex-marido. Eles precisam responder por essas questões, não eu”.
Melinda afirmou que o caso provoca forte impacto emocional. “Nenhuma menina, nenhuma menina deveria jamais ser colocada na situação em que elas foram colocadas por Epstein e pelo que estava acontecendo com todas as pessoas ao redor dele”.
Ela completou dizendo que o assunto é “devastador”. Comentou que se lembra da idade que as vítimas tinham e que suas próprias filhas já passaram por fases semelhantes. Segundo ela, quando detalhes vêm à tona, isso traz de volta lembranças dolorosas do período final de seu casamento.
As declarações ocorrem em um contexto mais amplo de revisões públicas sobre figuras que tiveram algum tipo de contato com Epstein ao longo dos anos. A liberação gradual de documentos tem alimentado debates, especulações e cobranças por esclarecimentos.
Gates mantém que seus encontros com o financista estavam relacionados a possíveis iniciativas filantrópicas e que não teve participação em atividades criminosas. Ao mesmo tempo, reconhece que a associação prejudicou sua imagem e afetou pessoas ao seu redor.
O episódio segue repercutindo à medida que novas informações são analisadas e discutidas publicamente.
