Assinantes da Netflix ficam “revoltados” após assistir ao “filme mais explícito de todos os tempos”

por Lucas Rabello
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Assinantes da Netflix ficam "revoltados" após assistir ao "filme mais explícito de todos os tempos"

O algoritmo da Netflix costuma reservar surpresas que desafiam a rotina de quem busca apenas um passatempo rápido. Recentemente, um título de 2001 começou a aparecer com frequência nos feeds de milhares de assinantes, provocando reações intensas e imediatas. Trata-se de Y Tu Mamá También, uma produção mexicana que, décadas após seu lançamento original, mantém o poder de chocar o público e dividir opiniões de forma drástica.

A obra é assinada por Alfonso Cuarón, um nome que muitos espectadores associam a grandes produções de Hollywood. Quem conhece o diretor pelo drama distópico Filhos da Esperança, pelo sucesso espacial Gravidade ou até mesmo por Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, pode entrar na sessão esperando um thriller convencional ou uma aventura épica. A realidade encontrada na tela é radicalmente diferente de qualquer uma dessas expectativas.

O enredo mergulha na vida de dois adolescentes, interpretados por Diego Luna e Gael García Bernal, que estão atravessando o final do ensino médio. A trama não perde tempo em estabelecer o tom da produção. Logo em uma das cenas de abertura, os dois amigos aparecem se masturbando juntos em um trampolim, sinalizando que a exploração da sexualidade será o motor central da narrativa. Com as namoradas viajando, a dupla planeja dias de deboche e excessos.

Durante um casamento, os jovens conhecem Luisa, uma mulher mais velha interpretada por Maribel Verdú. O destino do trio se cruza quando Luisa recebe uma ligação embriagada de seu parceiro confessando uma traição. Em um impulso, ela decide aceitar o convite dos rapazes para uma viagem de carro pelo México rural. O que começa como um passeio descompromissado rapidamente se transforma em uma jornada de tensões eróticas e colapsos emocionais.

O impacto das cenas explícitas e a reação do público

À medida que viajam pelas estradas mexicanas, Luisa lida com o fim de seu relacionamento. Em um momento de fragilidade, ela seduz um dos adolescentes. O envolvimento sexual gera conflito entre os dois amigos, levando a discussões e ciúmes. Para tentar reequilibrar a dinâmica do grupo e responder à imaturidade dos rapazes, Luisa acaba se envolvendo sexualmente com o outro jovem também.

O ponto alto da tensão ocorre quando o trio se envolve em um ménage à trois. Durante o ato, os dois amigos, que anteriormente haviam confessado ter dormido com as namoradas um do outro pelas costas, acabam expressando fisicamente o interesse sexual que nutrem entre si. Esse subtexto homoerótico, combinado com o romance de diferença de idade e as cenas de sexo sem cortes, fez com que muitos espectadores rotulassem a obra como o filme mais explícito já visto em uma plataforma de massa.

Nas redes sociais, a recepção foi um misto de admiração técnica e repulsa moral. Enquanto críticos e cinéfilos celebram a direção de Cuarón, parte do público foi pega de surpresa pelo conteúdo cru. “O que diabos isso está fazendo na Netflix. Não consigo imaginar o que isso faria com a sensibilidade de famílias desavisadas que o abrem para uma visualização sem compromisso de domingo”, comentou um internauta indignado. Outro usuário foi mais direto em sua crítica, classificando algumas passagens como “absolutamente nojentas”.

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Comparações contemporâneas e o status de obra-prima

Apesar da resistência de setores mais conservadores, Y Tu Mamá Também recuperou seu status de fenômeno cultural. Muitos espectadores modernos começaram a traçar paralelos entre o filme de 2001 e produções recentes de sucesso, chegando a chamar a obra de “o Rivais original”, em referência ao filme de Luca Guadagnino que também aborda tensões sexuais em um triângulo amoroso.

A quantidade de sexo em tela e as conversas explícitas sobre desejos e traições não afastaram a maioria dos novos espectadores. Pelo contrário, muitos elogiaram a coragem da produção em abordar temas tabus de forma tão direta. “Acabei de assistir Y Tu Mamá Também pela primeira vez. Esperava que fosse o filme mais excitante que eu já tinha visto e, de alguma forma, foi ainda mais do que isso”, afirmou um espectador entusiasmado em uma postagem.

Outro fã da obra compartilhou sua surpresa ao descobrir o longa apenas agora. “Não acredito que só assisti Y Tu Mamá Também agora. Uma obra-prima!”, escreveu. O filme continua a ser um ponto de discórdia entre quem busca entretenimento leve e quem deseja ver o cinema explorando os limites da intimidade humana. A produção mexicana, que no passado enfureceu conselhos de censura, prova que sua capacidade de provocar o público permanece intacta, mesmo em uma era de acesso ilimitado a conteúdos digitais.

A viagem retratada por Cuarón vai além do cenário geográfico, focando na transição brutal da adolescência para a vida adulta através da experiência sexual e da perda da inocência. As interações entre os personagens são marcadas por diálogos sem filtros e situações que testam os limites da am amizade e da fidelidade, mantendo o espectador em uma posição de observador de momentos extremamente privados.

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