Você sabe por que será que palhaços dão medo?

Palhaços: quanto mais você encara seus rostos perpetuamente sorridentes, mais eles se transformam em algo ainda mais sinistro.

Eles são supostamente figuras de divertidas inocentes – brincalhões que usam cores vivas para entreter crianças, escorregando em cascas de banana em exibições exageradas de comédia, entre outros. Mas para os coulrofóbicos, sua face maníaca, a máscara maquiada e a familiaridade excessiva estão em uma linha bem tênue que divide alegria e terror.

Nos últimos anos, filmes como os de Stephen King destacaram esses medos e a mania do “palhaço assassino” em todo mundo, de modo que isso não ajudou as pessoas a superarem seus traumas. Na verdade, isso causou um congestionamento de chamadas para a polícia de jovens aterrorizados pelo fenômeno sinistro.

Os palhaços perturbam a consciência pública há anos. Mas quando exatamente passaram de divertido para assustador?

Origem medieval maníaca

Os palhaços cômicos, com uniformes bem modelados, eram uma forma comum de entretenimento popular na época medieval. Mas, embora o bobo fosse engraçado, sempre havia uma corrente de verdade perturbadora por trás do humor dele.

Andrew Stott, um professor de inglês especializado em cultura dos palhaços, diz que os “bobos sempre tiveram um controle tênue sobre a vida e a sociedade”. “O bobo medieval estava continuamente lembrando-nos de nossa mortalidade, nossa natureza animal, de quão irracional e ridículo e mesquinho podemos ser”.

Uma ilustração de Richard Tarleton, um famoso palhaço que acreditava-se ser a inspiração por trás de “Yorick”, o palhaço de Hamlet de Shakespeare.

Isso continuou até o século 16, onde os palhaços de Shakespeare foram muitas vezes ligados à morte e às verdades obscuras. “O bobo do Rei Lear perambula lembrando a todos que eles não são tão inteligentes quanto pensam que são enquanto falam em uma linguagem de duplo sentido para minar nossa sensação do que pensamos que esteja acontecendo”, diz Stott.

“Os palhaços sempre foram associados ao perigo e ao medo, porque eles empurram a lógica até seu ponto de ruptura”, acrescenta. “Eles empurram levam nossa compreensão aos limites da razão e eles fazem isso por brincadeira, mas também pelo ridículo”.

A máscara impenetrável

A máscara de um palhaço pode ser uma imagem feliz, mas ainda funciona para esconder suas verdadeiras emoções. E enquanto o verdadeiro homem por trás da pintura poderia ser um sujeito sorridente e alegre, ele também poderia ser o contrário disso. O disfarce é inabalável, como é o sorriso perpétuo.

Freud surgiu com a noção do estranho, onde uma imagem é distorcida, mas ainda reconhecível, e esse conceito é aparente em muitos filmes de terror. O psiquiatra da Harvard Medical School e fã de filmes de horror Steven Schlozman explica o conceito ao site Vulture:

“O estranho explica muitos tropos de horror, onde você olha para algo e algo não está certo – como um rosto humano que está se decompondo. É reconhecível, mas apenas o suficiente fora do normal para assustá-lo.

De fato, os palhaços na Idade Média, se não fizessem o rei rir, pagariam um preço bastante íngreme. Muitos dos palhaços foram mutilados para que sorrissem o tempo todo. Eles tinham os músculos cortados que permitiam que a boca nunca franzisse”.

Segundo Stott, muitas fobias são construídas a partir desse agrupamento de várias idéias diferentes do desconhecido que também estão ligadas à experiência traumática na infância. “A ideia do imprudente palhaço anárquico misturou-se com o medo de estranhos em torno de crianças”.

Então, da próxima vez que um palhaço perguntar se quer um balão, pense duas vezes antes de aceitar.

[Telegraph]

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