Você já se perguntou o que irá acontecer com os corpos dos colonizadores que morrerem em Marte?

Em 2020, Mars One – essencialmente um reality show extraplanetário holandês – enviará astronautas amadores em uma viagem para Marte. As suas tentativas de colonizar o Planeta Vermelho serão televisionadas – o que, de acordo com um novo relatório de pesquisadores aeroespaciais do MIT, pode possibilitar uma visualização particularmente mórbida do planeta.

Os pesquisadores do MIT analisaram o plano da missão Mars One e descobriram que o primeiro astronauta prontamente sufocaria após 68 dias. Os outros astronautas morreriam de fome, desidratação ou incineração em uma atmosfera rica em oxigênio. A análise também conclui que 15 lançamentos Falcon Heavy – custando cerca de US $ 4,5 bilhões – seriam necessários para apoiar as quatro primeiras tripulações da Mars One. Em suma, a colonização de Marte terá um público de expectadores seriamente atraente.

Mistérios do Mundo

Após o anúncio de sua missão para Marte em 2012, cerca de 200 mil pessoas registraram seu interesse no site da Mars One. Esse número já foi reduzido a 705 candidatos – uma mistura bastante uniforme de homens e mulheres de todo o mundo (mas principalmente os EUA). Vários times de quatro astronautas (dois homens e duas mulheres) serão agora montados, e o treinamento começará. O plano atual é enviar um foguete espacial SpaceX Falcon com a primeira equipe de quatro pessoas para Marte em 2022 – apenas cinco anos de distância. A coisa toda será televisionada como um reality show de TV. Logo, uma série de missões precursoras – suprimentos, unidades de apoio à vida, unidades vivas e unidades de suprimento – serão enviadas a Marte antes dos colonizadores humanos. Mais colonos serão enviados a partir de então, com uma expectativa de 20 pessoas até 2033.

Porém a tecnologia por trás da missão é bastante nebulosa, e, de fato, é aí que os pesquisadores aeroespaciais do MIT encontram uma série de falhas potencialmente catastróficas. Basicamente, embora possamos obter a tecnologia para criar uma colônia em Marte, a maioria está em um nível de prontidão tecnológica (TRL) muito baixa e não testada em um ambiente semelhante a Marte. A Mars One dependerá fortemente do suporte vital e da utilização de recursos in situ (ISRU) – como espremer a água do solo marciano e do oxigênio da atmosfera, entre outros – mas essas tecnologias ainda estão muito longe do uso industrial em larga escala por uma colônia humana nascente em Marte.

O próximo rover da NASA para Marte terá uma unidade ISRU que fará oxigênio da atmosfera de gás carbônico do planeta vermelho – porém, isso não está programado para ser lançado até 2020, apenas dois anos antes do lançamento planejado de Mars One.

Mistérios do Mundo

O documento elaborado pelos pesquisadores do MIT é bastante condenatório. Basicamente, devido à dificuldade de enviar suprimentos a Marte, os colonos viverão na maior parte de coleta do próprio planeta. O problema é que as plantas produzem muito oxigênio – e em um ambiente fechado, muito oxigênio é uma coisa ruim (as coisas começam a explodir espontaneamente). Então, o oxigênio tem que ser ventilado – mas por enquanto não temos a tecnologia para ventilar o oxigênio sem também ventilar o nitrogênio, que é usado para pressurizar as várias naves de Mars One. Como resultado, a pressão do ar acabará ficando tão fina que os colonos não poderão respirar – com a primeira pessoa a morrer de hipoxia após 68 dias. Outros modos potenciais de morte são: fome (o atual plano de Mars One simplesmente não contém calorias suficientes para os colonos); desidratação; intoxicação por CO2; e morte por imolação espontânea devido a uma atmosfera rica em oxigênio.

Os pesquisadores também observam que o plano da Mars One de enviar mais colonos após os quatro originais é uma má ideia. Isso não só agravará quaisquer problemas tecnológicos, mas haverá uma demanda cada vez maior em recursos como alimentos e água, e um desgaste mais rápido que exigirá mais peças de reposição. Todos esses fatores aumentarão o número de embarcações de reabastecimento, elevando o custo total do projeto para dezenas de bilhões de dólares. [ExtremeTech]

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