Você sabia que já teve um tsunami no Brasil?

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Hoje, o Convento do Carmo, em Lisboa, Portugal, está parcialmente destruído; as paredes permanecem, mas o telhado está desaparecido há 260 anos. Em 1755, essa igreja, bem como todas as outras espalhadas pela cidade, estava lotada de pessoas que assistiam à missa no Dia de Todos os Santos, importante feriado católico.

Foi quando as orações foram interrompidas por um barulho amedrontador que parecia vir do fundo da terra, e o destino de milhares de pessoas mudaria para sempre.

Lisboa, capital e maior cidade de Portugal, vivia um de seus melhores tempos, época em que diamantes e ouro chegavam em abundância de colônias como o Brasil. Quase 300 anos atrás, uma Lisboa diferente emergia na paisagem – uma cidade que era o coração de um império e o lar de mais de 200 mil habitantes, uma das mais populosas da Europa.

Portugal se orgulhava de ser o bastião do catolicismo. Por todos os lados, as igrejas estavam aglomeradas de fieis celebrando o dia de todos os santos. Enquanto isso, por volta das 9 e meia daquela manhã de 1 de novembro de 1755, ocorria um deslizamento súbito entre duas enormes placas tectônicas, a euro-asiática e a africana, a quase 200 quilômetros da costa portuguesa.

Assombradas por um barulho grave e constante, as pessoas viam com perplexidade rachaduras enormes dividirem as estreitas ruas, enquanto o telhado de quase todos os edifícios ruía. Os fieis, abarrotados em igrejas, pouco tempo tiveram de fugir.

Ninguém sabe ao certo quantas pessoas foram esmagadas nos primeiros momentos de terror. O sismo, que durou de 3 a 6 minutos, derrubou até 85% dos edifícios da cidade. Estima-se que sua magnitude tenha ficado entre 8,5 e 9,5 graus da Escala Ritcher, o maior da história da Europa moderna.

As pessoas que sobreviveram, em grande parte correram e se refugiaram em espaços abertos próximos ao rio Tejo. Mal sabiam eles que haviam acabado de tomar a pior decisão de suas vidas.

O enorme terremoto deslocou milhões de metros cúbicos de água, resultando em um tsunami que demorou menos de 40 minutos para chegar em Lisboa, destruindo o porto e toda a parte baixa da cidade, selando o destino de mais algumas milhares de pessoas.

Mas o pior ainda estava por vir. Em nome de uma fé que viria a ser fatal, milhares e milhares de velas iluminavam Lisboa por causa do feriado religioso, e incêndios se iniciaram onde a água do mar não havia chegado. Em pouco tempo, a cidade estava sendo consumida pelas chamas, que dizem ter durado 6 dias.

Do dia para a noite, a cidade do ouro passou a ser um depósito de ossos carbonizados.

O mesmo tsunami que devastou a capital portuguesa causou ondas de até 30 metros na região do Algarve, sul do país, e se espalhou pela costa africana, destruindo várias cidades marroquinas e ilhas caribenhas.

E o mais surpreendente é que as ondas viajaram por até 800 quilômetros por hora até chegar ao nordeste brasileiro. Os relatos da altura das ondas variam entre 1 e 6 metros, e o evento causou duas fatalidades, narradas no livro “Tremeu a Europa e o Brasil também”, do geólogo Alberto Veloso. Cerca de mil quilômetros de praias das capitanias de Paraíba, Pernambuco e Bahia foram afetadas pelas ondas.

Para ter certeza que o tsunami de fato chegou em terras tupiniquins, Veloso coletou amostras de 22 praias, e encontrou elementos químicos que não eram para ser encontrados ali, e sim em regiões com mais profundidade. Ou seja, algo trouxe aqueles materiais até ali.

As ondas, na maioria das praias, não foi alta, mas inundaram até 4 quilômetros distantes da linha da costa, sobretudo em locais com influência de rios.

De volta à Portugal, a reconstrução não demorou.  Grande parte das obras foi paga com o ouro retirado da Capitania de Minas Gerais, que viu um aumento em seus impostos. Isso levou a uma alta insatisfação entre os habitantes, que eventualmente realizariam a Inconfidência Mineira em protesto à coroa portuguesa.

Lisboa, hoje mais preparada para grandes sismos, exibe as cicatrizes do maior desastre da história de Portugal nas ruínas do Convento do Carmo, uma rara lembrança de um evento que mudou um país inteiro.

E você, já conhecia essa história e como ela afetou tanto o Brasil? Conte nos comentários! Até a próxima!

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1 comentário
  1. LUI Diz

    Mais preparada … nao mesmo …. melhor se informar com os portugueses… há anos que estão sendo reivindicadas ações mais efetivas em preparação a um novo grande terremoto que fatalmente irá ocorrer em algum momento….. mas o governo portugues, como aqui em terras tupiniquins, prefere enterrar a cabeça na areia e fingir que não há nenhum risco… vi muitos portugueses exigindo um plano de contingência afirmando que os politicos de lá – como os de cá – sõ fazem algo depois que acontece o pior…..

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