Vigilância Sanitária afirma ter achado césio-137 em Arapiraca mas volta atrás

Em Arapiraca (AL), a Vigilância Sanitária noticiou que havia encontrado e recolhido uma cápsula de raio-X contendo césio-137 em um ferro velho, nesta terça-feira, dia 22 de janeiro de 2019, pela parte da tarde.

A cápsula foi encontrada através de denúncias anônimas, todavia, na manhã desta quarta dia 23 de janeiro, o órgão voltou atrás informando que a cápsula não continha material radioativo, mas aparentemente a peça não foi ainda manipulada e nem aberta.

Deve-se levar em consideração que, por volta de 130 quilômetros de Maceió Arapiraca conta com 200 mil habitantes, sendo que correu o risco de repetir a tragédia de 1987 em Goiânia. Nesta tragédia, catadores de lixo acabaram manipulando uma cápsula similar e, como consequência, acabaram contaminando várias pessoas com o material.

Neste incidente os catadores acabaram desmontando um aparelho de radioterapia e venderam a cápsula parecida com a encontrada recentemente, a um ferro velho.

Após aberta a cápsula liberou césio-137, substância radioativa que ocasionou o maior acidente radioativo fora de uma usina nuclear de toda história: quatro pessoas morreram e centenas ficaram com sequelas.

Ferro Velho Contaminado com Césio-137. Outubro/1987. Imagem: Yosikazu Maeda.

Este vazamento em Goiânia ocorreu há 31 anos, sendo que cerca de mil pessoas foram colocadas em um estádio para receber atendimento médico e não contaminar mais pessoas. Até mesmo os bombeiros, policiais e outros profissionais envolvidos no socorro das vítimas também tiveram complicações de saúde, tendo os sobreviventes a obrigatoriedade de receber tratamento médico até os dias de hoje por conta do problema.

Muitos deles desenvolveram câncer de mama, leucemia, hipertensão e outros distúrbios, sendo que o acidente foi classificado como nível 5, o nível de acidentes com consequências de longo alcance na Escala Internacional de Acidentes Nucleares, que vai de zero a sete.

Cerca de mil pessoas foram colocadas em um estádio para receber atendimento médico e não contaminar mais pessoas.

O dono do ferro-velho de Arapiraca em que a cápsula foi encontrada disse à Vigilância Sanitária que o objeto  fazia parte de um aparelho de mamografia. Ainda não se sabe a quem o aparelho pertencia, nem há quanto tempo a cápsula estava no ferro-velho. A cápsula estava intacta, mas estima-se que o descarte tenha sido incorreto, por perigo de contaminação.

Todavia, nesta quarta-feira, a presença do elemento césio-137 na nova cápsula encontrada em Arapiraca foi descartada, após a análise do material apreendido na terça-feira.

Apesar  da Vigilância Sanitária dizer que o material foi recolhido e não apresentou riscos à população por estar intacto, a Polícia Civil vai apurar as responsabilidades e descobrir como a cápsula foi parar no ferro velho.

[UOL/Notícias]

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