Vendidas como animais: A chocante realidade do tráfico de esposas na Índia

“A menos que eles mudem as normas sociais e a forma como as meninas são vistas na sociedade, não será possível alterar o desequilíbrio entre os gêneros ou a falta de respeito com as mulheres.”

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Na Índia, a maioria dos animais são altamente valorizados: Uma vaca ou uma cabra pode servir como alimento por um longo tempo e, portanto, em uma área devastada pela pobreza, estes são vendidos a bons preços. O único animal que não é valorizado neste mundo de transições rurais e que pode valer menos do que um frango é… uma mulher.

O machismo neste país asiático tem causado um terrível desequilíbrio entre os gêneros, já que quando há suspeitas de que a partir de uma gravidez nascerá uma menina, são efetuados abortos ou assassinatos diretamente ao nascerem.

Na maioria dos casos, as mães fazem isso como um ato de piedade.

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É difícil de acreditar, mas o que essas mulheres vivem é indescritivelmente cruel e o governo da Índia só começou a trabalhar em leis contra o tráfico recentemente.

“É um processo contínuo em que as meninas não são valorizadas antes de nascer, tampouco são valorizadas ou tratadas bem depois de terem nascido”.

– Poonam Muttreja, Diretora da Fundação pela População da Índia.

O estado de Haryana tem um dos piores números entre mulheres e homens e, das 10.000 esposas entrevistadas, 9.000 tinham sido trazidas de estados vizinhos.

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Sanjida é uma mulher que compartilhou de sua história com o site Al Jazeera. Ela foi raptada aos 12 anos enquanto brincava com uma menina mais velha, que a drogou para vendê-la. Seu marido era um homem muito mais velho que a forçou a trabalhar em condições deploráveis e depois vendê-la novamente, como se fosse uma coisa qualquer.

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Felizmente para Sanjida, ela foi comprada pelos pais de seu atual marido, Mubin Khan, um homem que, conforme ela, após 14 anos de casamento, a trata com bondade e respeito.

Mubin Khan disse à Al Jazeera que a maioria dos homens, especialmente os pobres, não conhecem outra maneira de encontrar uma esposa.

Sandija agora trabalha em uma ONG que ajuda as mulheres que são traficadas como esposas escravas. Uma das mulheres ajudadas por Sanjida, Muklesha foi vendida aos 12 anos. Três meses depois, ficou grávida de um marido que era 60 anos mais velho do que ela, que a espancava e a forçava a comer lama. O homem acabou por morrer e a família dele tentou vendê-la novamente, mas Muklesha decidiu fugir.

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Poonam Muttreja acredita que a mudança deve ir muito mais além das leis:

“A menos que eles mudem as normas sociais e a forma como as meninas são vistas na sociedade, não será possível alterar o desequilíbrio entre os gêneros ou a falta de respeito com as mulheres. A compra de esposas é uma falta de respeito com as mulheres e a falta de qualquer valor que uma mulher tem”.

Esta situação tem que acabar.

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