Veja como era a homossexualidade em 5 épocas diferentes da história

Vivemos em um mundo que está lentamente concedendo os mesmos direitos a todos, independentemente da orientação sexual dos indivíduos. Alguns tem publicamente criticado o movimento gradual e legislativo em direção à igualdade, chamando a homossexualidade e outras parcerias de “não tradicionais”, de “não naturais”, “desumanas” e até mesmo outros termos piores. Mas, se é para a história servir como qualquer tipo de guia, ela nos dirá que os casamentos homossexuais não são uma ideia recente.

A homossexualidade não é uma ideia nova pois existiu desde os mais remotos tempos. E é por isso que iremos mostrar nessa matéria como era a homossexualidade em 5 épocas diferentes da história. Veja a seguir:

Elites na Grécia Antiga e Roma

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A famosa Copa Warren, com o nome de seu colecionador britânico, é uma xícara romana do século 1. Este, o lado menos explícito, mostra dois homens envolvidos em uma relação sexual.

Estudar os clássicos – especialmente o Simpósio de Platão que relata como era a época – nos ensinará muitas coisas. Entre eles, o caminho para a idade adulta na Grécia Antiga incluiu a interação entre um mentor masculino e um jovem,  que era ocasionalmente sexual. Esse tipo de amor na Grécia era considerado um “amor-menino”, ou a relação entre um adulto crescido e um rapaz pubescente que não fosse considerado um adulto até que ele pudesse ter uma barba completa.

Mas também havia relações amorosas do mesmo sexo na Grécia e Roma entre os adultos. No século IV a.C., por exemplo, uma tropa grega formada exclusivamente por amantes masculinos – conhecida como a Banda Sagrada de Tebas – era considerada o topo da classe do exército Theban. Documentos antigos nos dizem que a Banda Sagrada foi formada por 150 casais, porque seu mútuo amor e dedicação de um ao outro obrigou-os a lutar com ferocidade, já que a parceria amorosa fortalecia os laços entre os soldados. Nesse caso a homossexualidade foi considerada sagrada e muito respeitada pelos membros da sociedade.

Nativos Americanos e o “Terceiro Gênero”

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Um indivíduo “terceiro gênero” chamado We-Wa é mostrado tecendo nesta fotografia de 1897.

Durante os séculos XVII e XVIII no Vale do Mississippi, um terceiro gênero é conhecido por ter sido reconhecido primeiramente entre os nativos americanos. Eles foram chamados de “Berdaches”, que os franceses em sua língua quiseram traduzir pejorativamente como “prostituto do sexo masculino”. Hoje, educadores e comentaristas usam termos como “dois espíritos” ou “terceiro gênero” para descrever esses indivíduos, pois melhor indicam a aparência de ambos os sexos em uma única pessoa.

Os historiadores e etnógrafos observaram que esses indivíduos fisicamente masculinos assumiam empregos femininos tradicionais, vestidos com roupas masculinas e femininas – e se relacionando com outros homens. Eles desempenharam um papel vital, muitas vezes sagrado na comunidade. Berdaches eram comuns entre os Arapahos, Blackfoots, Cheyennes, Comanches e muitas outras tribos nativas americanas da região das Grandes Planícies. Vale lembrar que a união homossexual era perfeitamente estável entre esses povos.

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Casal homossexual de índios americanos.

Casamentos de mulheres na Nigéria

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Este estenógrafo de 1900 mostra nigerianos na região de Dahomey, uma das áreas onde o chamado “casamento de mulheres” foi praticado.

Hoje, o lesbianismo na Nigéria pode levar à prisão ou mesmo à pena de morte. Menos de cem anos atrás, no entanto, alguns dados foram coletados na Nigéria (e em outras partes da África),  que revelaram que havia realmente casamentos entre mulheres. O acadêmico Hleziphi Naomie Nyanungo diz que é importante notar que o “casamento de mulheres” aqui significa casamento do mesmo sexo: “Não é o casamento lésbico como conhecemos, porque podia não haver atração sexual e/ou envolvimento amoroso entre as esposas”.

Nyanungo diz que esses casamentos foram organizados para assegurar que as mulheres pudessem exercer influência social. “Tradicionalmente, o casamento feminino serviu como uma base através da qual as mulheres exerciam influência social e patrocínio em sociedades onde herança e sucessão passavam pela linha masculina”, escreveu Nyanungo. “Nessas sociedades, o casamento feminino torna possível que as mulheres ganhem status social como chefe da família”.

Nesses casamentos, mulheres ricas se casariam com garotas jovens, permitindo que seus amantes masculinos e outros homens tivessem relações com as meninas, às vezes em troca de presentes. O propósito de convidar os amantes masculinos para a equação era de produzir filhos, que as duas mulheres cuidariam como seus próprios.

Várias tribos de Papua Nova Guiné têm relações homossexuais

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Membros da tribo Marinda, Papua Nova Guiné.

A tribo Etoro na Nova Guiné é conhecida por sua crença de que a força vital de cada homem está contida no sêmen. Semelhante aos ritos do mesmo sexo dos gregos antigos, comumente os meninos realizam um ritual de sexo oral em homens mais velhos, passando assim a força vital de uma geração para a outra. Isso tem o efeito de privilegiar o status de um homem para a mulher, ao ponto em que a relação heterossexual é proibida por até 260 dias do ano nas casas e vilarejos próximos. As relações homossexuais, no entanto, são permitidas a qualquer momento, pois acredita-se que a troca de força vital faça dos homens mais poderosos.

No mesmo país oceânico de Papua Nova Guiné, a tribo Marinda acredita, como os Etoros, no conceito do sêmen como força vital e o utiliza em cerimônias rituais antes do casamento heterossexual. A tribo da Sambia também possui crenças e práticas semelhantes.

Deve-se notar que essa versão da homossexualidade não pode fugir do debate sobre os direitos dos homossexuais nas Américas e na Europa, uma vez que sempre existiu compondo a base de várias outras culturas.

França medieval e outros lugares na Europa pré-moderna

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As uniões do mesmo sexo não eram inéditas em toda a Europa medieval.

Um relatório de 2007 no Journal of Modern History mostrou que os casais do mesmo sexo na França medieval poderiam entrar na entidade jurídica de affrèrement, ou fraternidade, o que significa que eles podiam compartilhar uma casa, propriedade e vida conjunta. Embora o contrato às vezes se referisse exclusivamente aos irmãos, o relatório também observou que, em ocasiões, esses contratos de casas compartilhadas também se referiam a pessoas de outras famílias. Essas uniões eram estritamente seculares, não religiosas. No acordo, ambas as partes se tornariam herdeiras de um ao outro. A existência da prática foi documentada em outros lugares da Europa, especialmente nos países mediterrânicos.

Acordos similares foram realizados em toda a Europa pré-moderna, e alguns tinham componentes religiosos. Como escritor e advogado Eric Berkowitz escreveu:

“No período até aproximadamente o século XIII, cerimônias de ligação masculina foram realizadas em igrejas em todo o Mediterrâneo. Essas uniões foram santificadas por sacerdotes com muitas das mesmas orações e rituais feitos para juntar homens e mulheres em casamentos. As cerimônias enfatizaram o amor e o compromisso pessoal com a procriação, mas casais que se juntaram em tais rituais provavelmente tiveram  tanto sexo quanto os heterossexuais”.

Muito foi escrito sobre como essas uniões eram mais como uma “parceria doméstica” do que um casamento do mesmo sexo, por isso é difícil dizer definitivamente que o casamento do mesmo sexo era comum em toda a Europa medieval. Também vale ressaltar que havia o domínio da igreja, de modo que muitas coisas deveriam ser escondidas, porém isso não significa que a homossexualidade não existia.

Com base neste exemplo e nos outros nesta lista, no entanto, a história deixa claro que, no que diz respeito às parcerias, o “tradicional” pode significar mais do que apenas um homem e uma mulher.

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