Um dos maiores mistérios relacionados ao Sol finalmente pode ser descoberto

Demora um pouco mais de 8 minutos para a luz do solar atravessar o abismo do espaço na Terra, mas levou menos de 7 para ajudar os cientistas a resolverem um dos enigmas mais paradoxais sobre o Sol.

Um foguete lançado em 2014 teve um curto espaço de tempo para medir os raios-X no Sol antes de voltar para a Terra, mas as leituras que realizou poderiam explicar a peculiaridade mais inusitada da estrela: afinal, por que a superfície do Sol não é tão quente como a atmosfera acima dela?

Essa discrepância não é pequena. A superfície visível do Sol, chamada de fotosfera, tem cerca de 5.500 graus Celsius – mas sua atmosfera externa, ou corona, é mais quente, chegando até vários milhões de kelvins.

Uma possível explicação para o calor intenso da corona são os nanoflares: pequenas explosões solares produzidas pelo Sol que liberam energia e plasma na corona, apoiando suas temperaturas intensamente quentes.

Essa ideia foi proposta pela primeira vez na década de 1960 e, embora tenha sido estudada desde então, tem sido difícil detectar essas fracas explosões, as quais pensa-se que se agitam na fotosfera milhares de vezes a cada segundo.

Agora, graças a um novo estudo liderado por Shin-nosuke Ishikawa, da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, o melhor vislumbre dos fenômenos até agora foi garantido.

Ishikawa e os colegas pesquisadores fizeram suas leituras durante o voo do foguete Focusing Optics X-ray Solar Imager (FOXSI-2), que foi lançado do Novo México em dezembro de 2014.

Em meio ao plano de fundo de calor e radiação do sol, a captura de nanoflares no ato é “um desafio observacional”, explica a equipe, considerando quão sutis são essas explosões.

“Nós pensamos que os nanoflares variam de um bilhão a um milhão de vezes menores do que um uma explosão solar regular”, disse Ishikawa à Space.com.

Ao concentrar as ópticas de raios-X da FOXSI-2 em uma região ativa do Sol que não apresentou atividade de queima visível em grande escala, a equipe detectou emissões de raios-X muito enérgicas que dizem ser uma assinatura de plasma aquecida para mais do que 10 milhões de Kelvin.

Essas leituras foram possíveis porque os instrumentos da FOXSI-2 são cerca de 100 vezes mais sensíveis do que os cientistas já usaram anteriormente para observar esse tipo de atividade no Sol, e os pesquisadores explicam que a temperatura do plasma que eles viram só poderia ser gerada por nanoflares.

Os pesquisadores explicaram anteriormente o calor escaldante da corona como um subproduto da atividade do campo magnético na atmosfera externa do Sol, mas de acordo com a equipe de Ishikawa, isso não pode explicar as temperaturas plasmáticas detectadas pela FOXSI-2.

Em seguida, os pesquisadores querem analisar a quantidade de nanoflares que estão explodindo no Sol e medir a energia contida neles.

Para isso, eles estão trabalhando atualmente em um satélite que pode gravar explosões nanoflares, mas antes disso acontecer, há mais foguetes a serem lançados.

O sucessor da FOXSI-2 está agendado para ser lançado em agosto de 2018 e suas atualizações internas poderiam nos contar ainda mais sobre o que está por trás da atmosfera mais quente no Sistema Solar.

“Com a FOXSI-3, estamos tentando deixar a sensibilidade o mais forte possível”, explicou o membro da equipe, Steven Christe, do Centro Goddard de Vôos Espaciais da NASA em um lançamento no ano passado. [Science Alert]

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