Em agosto de 1981, uma jovem de 21 anos chamada Tamara Ennis viveu uma das experiências mais assustadoras que alguém poderia enfrentar no mar. O que começou como um simples passeio de barco entre amigos acabou se transformando em uma luta desesperada contra a fome, o frio, a exaustão e até tubarões.
Tamara partiu da praia de Ormond Beach, na Flórida, acompanhada por Randy Cohen, Christy Wapniarski e Daniel Perrin, dono do pequeno catamarã de 5 metros de comprimento. A ideia era aproveitar um dia comum, navegando a pouco mais de 1,5 quilômetro da costa. Mas as condições do tempo mudaram rapidamente. Nuvens escuras e relâmpagos começaram a se aproximar, e logo o grupo percebeu que não teria tempo de voltar. Resolveram esperar a tempestade passar.
O naufrágio inesperado
Menos de 15 minutos depois da decisão, um dos flutuadores do barco encheu de água, e o catamarã virou. Por sorte, todos conseguiram se agarrar ao casco, evitando cair diretamente no mar cheio de tubarões. Vestindo apenas roupas de banho, passaram a noite agarrados à estrutura, esperando por resgate.
Durante a madrugada, um helicóptero da guarda costeira chegou a sobrevoar a região, mas não conseguiu localizá-los. O silêncio tomou conta do grupo. Tamara percebeu que Christy, sua amiga de 18 anos, estava especialmente abatida, quase como se já tivesse aceitado o destino.
Quando o sol nasceu, Tamara sugeriu que tentassem nadar até a costa. Christy era a única que não sabia nadar bem, mas recebeu incentivo para seguir adiante, lembrando que a água salgada ajudaria a mantê-la flutuando.
O ataque do tubarão
Depois de cerca de uma hora de nado, os gritos de Christy cortaram o silêncio do mar. No início, Tamara pensou que a amiga estivesse se afogando, mas logo percebeu sinais inconfundíveis de um ataque de tubarão. O animal a lançou para fora da água, repetindo a cena típica de filmes como “Tubarão”. Em seguida, a puxou violentamente para baixo.
Randy, que estava mais próximo, acreditava que ela apenas se debatia, tentando se manter à tona. Tamara, no entanto, já sabia o que estava acontecendo. O sangue tingia a água, e a jovem não resistiu. Em poucos segundos, Christy ficou imóvel, com o corpo pálido. Foi a última vez que Tamara a viu.
Com medo de se tornar a próxima vítima, Tamara nadou em frente sem olhar para trás. Pouco depois, sentiu algo tocar sua perna: outro tubarão. O pânico foi imediato, mas ela encontrou forças para enfrentar o medo. Passou a repetir mentalmente que tinha tanto direito de estar ali quanto os animais e que não iria morrer daquela forma.
A longa luta até a costa
Durante cinco horas, Tamara lutou contra o mar aberto. Correntes contrárias dificultavam a travessia, e ela ainda precisou desviar de uma área onde tubarões estavam em frenesi alimentar. A certa altura, perdeu de vista Randy e Daniel, ficando completamente sozinha.
Quando já se aproximava da faixa de areia, foi arrastada por uma corrente de retorno que a puxava novamente para o fundo. Exausta, recorreu à técnica de nadar lateralmente até conseguir se libertar. Nesse momento, um salva-vidas a avistou.
Mal conseguiu falar, mas suas primeiras palavras foram um alerta: havia outros sobreviventes em perigo, um barco naufragado e uma amiga morta. Randy e Daniel foram resgatados mais tarde, também debilitados por desidratação, frio e exaustão.
O corpo de Christy nunca foi encontrado.
Apesar do trauma, Tamara seguiu trabalhando em embarcações nas Bahamas. Em entrevistas, ela explicou que a experiência mudou sua forma de encarar a vida. Durante aquelas horas intermináveis, sua sobrevivência foi sustentada por pensamentos positivos e pela determinação de resistir um minuto a mais, depois mais cinco, depois mais uma hora.
Até hoje, ela evita nadar em águas escuras, mas carrega consigo a lembrança de que, mesmo diante do medo absoluto, encontrou forças para continuar. A jovem que desafiou tubarões e nadou cerca de 14 quilômetros até a costa conseguiu transformar um episódio de terror em uma história de resistência que marcou para sempre sua vida.