Psicólogo explica como identificar se alguém é um psicopata apenas olhando para a pessoa

por Lucas Rabello
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Psicólogo explica como identificar se alguém é um psicopata apenas olhando para a pessoa

Encontrar alguém carismático, articulado e aparentemente consciente das próprias emoções costuma transmitir segurança. É o tipo de presença que ocupa o ambiente com naturalidade. Mas, em alguns casos, esse conjunto de qualidades pode esconder algo bem menos visível.

A psicopatia é classificada como um transtorno de personalidade antissocial. Pessoas com esse perfil tendem a apresentar baixa empatia, comportamento manipulador e pouca preocupação com as consequências de suas ações. Identificar esses traços no dia a dia não é simples, mas pesquisadores vêm explorando sinais sutis que podem ajudar a entender melhor esses comportamentos.

Postura que chama atenção

Segundo a psicóloga Susan Krauss Whitbourne, professora emérita da Universidade de Massachusetts Amherst, a forma como alguém se posiciona fisicamente pode oferecer pistas interessantes. Em entrevista, ela destacou que posturas abertas, expansivas e dominantes estão frequentemente associadas a características como manipulação e tendência a explorar outras pessoas.

Essa ideia se baseia em uma série de cinco estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade McGill, no Canadá. Ao todo, 608 jovens adultos participaram das análises. Em parte dos experimentos, os participantes enviaram fotos em posições naturais, enquanto outro estudo incluiu medições físicas em laboratório.

Os resultados mostraram um padrão consistente. Indivíduos que naturalmente adotavam posturas mais amplas, com o corpo ereto e ocupando mais espaço, tendiam a pontuar mais alto em traços ligados à psicopatia. Entre eles estavam competitividade elevada, crença em hierarquias sociais rígidas e maior inclinação à manipulação.

Whitbourne explicou que uma das pistas mais evidentes pode estar nesse tipo de postura dominante. Segundo ela, uma posição aberta e expansiva pode indicar uma intenção de exercer controle sobre os outros. Em contraste, pessoas mais propensas a ceder ou evitar confronto costumam adotar posturas mais fechadas, com o corpo levemente curvado.

Nem todo gesto é um sinal

Apesar das associações observadas, os próprios pesquisadores reforçam que postura, isoladamente, não é suficiente para definir o perfil psicológico de alguém. Há diversos fatores que influenciam a forma como uma pessoa se apresenta fisicamente, desde hábitos adquiridos até experiências ao longo da vida.

Whitbourne levanta um exemplo simples. Alguém pode manter uma postura ereta e aberta por ter praticado esportes ou dança desde jovem, onde o alinhamento corporal é incentivado. Nesses casos, a postura não reflete necessariamente traços de personalidade ligados à manipulação ou frieza emocional.

Outro ponto importante observado no estudo foi a flexibilidade comportamental. Participantes que apresentaram níveis mais baixos de traços considerados problemáticos tendiam a variar mais suas posturas, adaptando-se ao contexto. Já aqueles com pontuações mais altas mantinham com mais frequência uma postura dominante, como se buscassem constantemente transmitir força e controle.

De acordo com o sistema de saúde britânico, pessoas com transtorno de personalidade antissocial podem, em alguns casos, representar risco para outros, especialmente quando há comportamento agressivo. Ainda assim, é importante diferenciar esse quadro de condições como a psicose, que geralmente é temporária e tratável, com maior probabilidade de a pessoa causar dano a si mesma do que a terceiros.

A leitura do comportamento humano raramente se resume a um único sinal. Postura, expressões e atitudes fazem parte de um conjunto mais amplo, onde contexto, história pessoal e ambiente também influenciam cada detalhe.

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