“Portal para o Inferno”: Cratera na Sibéria não para de crescer

por Lucas Rabello
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Em 1991, uma enorme depressão em forma de anfiteatro apareceu na Sibéria, ganhando o assustador apelido de Portal para o Inferno. A questão não é só o nome sinistro, mas a velocidade com que essa cratera está crescendo, tudo por causa do permafrost derretendo rapidamente. O permafrost, aquela camada de solo e sedimentos que deveria ficar congelada, está derretendo graças ao aquecimento climático. O aumento das temperaturas e das chuvas no Ártico está bagunçando tudo, elevando a temperatura média do permafrost e acelerando o degelo sazonal.

Um estudo fresquinho publicado na revista Geomorphology trouxe novidades bem preocupantes. A megadepressão Batagaika, que já ocupa uma área maior que 80 campos de futebol, está crescendo a um ritmo assustador. São 1 milhão de metros cúbicos de gelo derretendo por ano! Para descobrir isso, os pesquisadores usaram imagens de satélite para medir o crescimento em 2D. Depois, aplicaram sensoriamento remoto e dados de campo para criar uma visão 3D da velocidade do derretimento.

Alexander Kizyakov, da Universidade Estadual de Moscou Lomonosov, deu a letra: “Nos últimos anos, a taxa de recuo das paredes superiores variou de 5 a 15 metros por ano.” Se continuar assim, em dez ou vinte anos, todo o vale ao redor pode ser engolido, segundo Nikita Tananaev, do Instituto Melnikov de Permafrost, que comentou sobre o estudo para a plataforma Atlas Obscura.

Com o degelo acelerado da cratera Batagaika, o rio Batagay pode entrar numa fria. O volume extra de água pode aumentar a taxa de erosão das margens do rio. Tananaev alerta: “Isso levará a alterações significativas no habitat ribeirinho”. A paisagem vai mudar e isso não é nada bom.

Outro problema grave apontado por Kizyakov e Tananaev é o aumento das emissões de gases do efeito estufa. O metano preso nas camadas de gelo pode ser liberado, além de grandes quantidades de matéria orgânica congelada, como plantas e restos de animais. Mais gases de efeito estufa no ar, mais problemas para o clima.

Mas nem tudo é o fim do mundo. Kizyakov e sua turma dizem que Batagaika só pode crescer até certo ponto. No entanto, isso não significa que a situação vai melhorar de uma hora para outra. As laterais da cratera ainda vão continuar crescendo, prevê o estudo.

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