Pela primeira vez na história da Copa do Mundo, os árbitros entram em campo com uma câmera presa à cabeça. A novidade será usada nos 104 jogos do Mundial de 2026, disputado na América do Norte, e promete mudar a forma como o público enxerga as decisões mais tensas do futebol.
A câmera, pequena, estabilizada e em alta definição, fica acoplada ao headset do árbitro. A ideia é registrar imagens exatamente do ponto de vista de quem está no centro da partida. Em vez de ver apenas o lance pela transmissão tradicional, o torcedor poderá acompanhar certos momentos pela mesma perspectiva visual do juiz.
O recurso não ficará necessariamente no ar o tempo todo. As imagens da chamada “ref cam” devem aparecer em momentos ao vivo e também em replays durante a cobertura dos jogos. Pierluigi Collina, presidente do Comitê de Árbitros da FIFA, explicou que o objetivo é oferecer ao público “uma nova experiência, em termos de imagens feitas de uma perspectiva, de um ângulo de visão que nunca foi oferecido antes”.
Mas a novidade não é só para deixar a transmissão mais cinematográfica. A FIFA também quer usar as câmeras no treinamento e na avaliação dos árbitros. Collina afirmou: “Ter a possibilidade de ver o que o árbitro vê é importante na análise pós-jogo, para avaliar como a decisão foi tomada pelo árbitro, qual era a sua visão”.
Na prática, isso permite entender melhor por que uma falta foi marcada, por que um cartão foi aplicado ou por que um lance passou despercebido. Muitas vezes, a câmera da televisão mostra um ângulo perfeito, mas o árbitro estava cercado por jogadores, mal posicionado ou vendo a jogada por uma fração de segundo.
A tecnologia já vinha sendo testada antes. A MLS experimentou câmeras em árbitros no All-Star Game de 2013. Na Inglaterra, o árbitro Jarred Gillett usou uma em uma partida da Premier League entre Crystal Palace e Manchester United, em 2024. A FIFA também fez testes no Mundial de Clubes de 2025 antes de levar o recurso para a Copa.
O Mundial de 2026 também chega com mudanças pensadas para acelerar o jogo. Substituídos terão 10 segundos para sair pelo ponto mais próximo. Em laterais e tiros de meta, o árbitro poderá iniciar uma contagem de 5 segundos se houver demora. Jogadores atendidos fora de campo precisarão esperar 1 minuto antes de voltar.
O VAR também ganha novas possibilidades de revisão, incluindo escanteios marcados incorretamente, segundos cartões amarelos que resultam em expulsão e casos em que um jogador recebe cartão por uma ação cometida por outro.
Outra regra chama atenção: jogadores que cobrirem a boca em situações de confronto poderão ser punidos com cartão vermelho. A medida busca combater ofensas escondidas, especialmente insultos racistas protegidos contra leitura labial.
Com câmeras na cabeça dos árbitros e regras mais rígidas contra a demora e os protestos, a Copa de 2026 deve mostrar não apenas outro futebol, mas outro olhar sobre o futebol.
