Por que o ‘objeto mais perigoso de todos os tempos’ que matou dois cientistas não apareceu em Oppenheimer

por Lucas Rabello
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“Oppenheimer”, de Christopher Nolan, foi um sucesso tanto de crítica quanto comercial, acumulando prêmios, incluindo um Oscar para Cillian Murphy. Baseado na biografia “American Prometheus: The Triumph and Tragedy of J. Robert Oppenheimer”, o filme narra a jornada do famoso físico na criação da bomba atômica. Sim, existem algumas liberdades criativas, mas isso é típico de Hollywood. O filme destaca efetivamente o impacto devastador das bombas nucleares e os sacrifícios pessoais que Oppenheimer fez para se tornar o chamado ‘destruidor de mundos’.

Mas você sabia que um dos aspectos mais mortais do Projeto Manhattan foi deixado de fora do filme? E por uma boa razão também. Já ouviu falar do ‘núcleo demoníaco‘? Provavelmente não. Apesar de seu nome sinistro, ele desempenhou um papel mortal na história.

O núcleo demoníaco, uma esfera de plutônio, foi crucial na fabricação de bombas atômicas. Após a devastação de Hiroshima e Nagasaki em 1945, o núcleo de 6,4 quilogramas deveria ser a terceira arma do Exército dos EUA se o Japão não se rendesse. Ele nunca foi usado em combate, mas ainda assim tirou a vida de dois cientistas, Harry Daghlian e Louis Slotin, entre setembro de 1945 e maio de 1946.

Daghlian foi a primeira vítima do núcleo. Aos 24 anos, ele morreu de síndrome aguda de radiação. Durante um teste para medir quão próximo o núcleo poderia chegar da criticidade – a quantidade de material físsil necessária para detonar a arma – ele acidentalmente deixou cair um tijolo de carboneto de tungstênio sobre ele. Boom. O núcleo se tornou supercrítico, emitindo uma radiação maciça.

Meses depois, Slotin, tentando outro teste, tornou-se a próxima vítima do núcleo. Ele estava demonstrando quão próximo o núcleo estava da criticidade colocando meias-esferas de berílio ao seu redor, mas sem fechá-las completamente. Sua chave de fenda escorregou, o núcleo se tornou crítico e um flash de luz azul selou seu destino. Ele morreu nove dias depois de envenenamento agudo por radiação.

Então, por que Nolan omitiu o núcleo demoníaco de seu filme vencedor do Oscar? Ao criar “Oppenheimer”, Nolan decidiu focar nos eventos que levaram ao Teste Trinity em julho de 1945 e nos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki. As histórias de Slotin e Daghlian não se encaixavam nessa linha do tempo, segundo o diretor.

Alguns argumentam que incluir suas mortes teria destacado as muitas consequências do Projeto Manhattan. Mas Nolan manteve-se firme em sua decisão. “O filme apresenta a experiência de Oppenheimer de forma subjetiva”, disse ele à Variety. “Sempre foi minha intenção aderir rigidamente a isso. Oppenheimer soube sobre o bombardeio ao mesmo tempo que o resto do mundo. Eu queria mostrar alguém que está começando a ter uma imagem mais clara das consequências não intencionais de suas ações. Foi tanto sobre o que eu não mostro quanto sobre o que eu mostro.”

A decisão de Nolan mantém o foco nítido, aderindo estritamente à perspectiva e linha do tempo de Oppenheimer. A trágica história do núcleo demoníaco, embora significativa, simplesmente não se encaixava nessa narrativa.

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