Por que o corpo de Alexandre, o Grande, levou 6 dias para começar a se decompor?

Alexandre, o Grande, nasceu em 356 a.C em Pela, capital do antigo reino grego da Macedônia. Falecido em 323 a.C, seu nome é lembrado até hoje por todos os livros de história, e você certamente já ouviu sobre ele. Alexandre, o Grande, foi um dos discípulos de Aristóteles, e se tornou rei muito cedo, ainda aos 20 anos de idade. Durante os 12 anos em que esteve no poder, liderou conquistas que mudaram o curso da história e se tornou um dos líderes mais temidos da época. Mas a sua morte até hoje é motivo de polêmicas.

Domínio Público

Alexandre, o Grande, faleceu em junho de 323 a.C, no antigo palácio de Nabucodonosor II, na Babilônia, mas não há muito consenso sobre os detalhes do seu falecimento. O historiador britânico Andrew Chugg é um dos especialistas que tenta explicar a morte deste ícone da história. De acordo com ele, Alexandre teria contraído malária durante uma viagem por lugares pantanosos da Babilônia. Essa teoria é sustentada pelos diários de Diogneto de Eritreia, que acompanhou Alexandre em algumas excursões que antecederam a sua morte.

Porém, o toxicologista Leo Schep, na Nova Zelândia, possui outra teoria. De acordo com o especialista, que publicou um artigo na revista ‘Clinical Toxicology’, Alexandre na verdade foi envenenado. Schep vai mais além na sua hipótese, e diz que o monarca provavelmente foi envenenado com heléboro branco, erva que quando utilizada em quantidades elevadas pode causar a morte.

Mas talvez um dos mistérios mais curiosos sobre a morte de Alexandre, o Grande, seja a lenda de que o seu corpo levou seis dias para começar a entrar em decomposição. Essa história é vista em diversos relatos e escritos, e causa confusão entre a comunidade científica.

No ano de 2019, a professora Katherine Hall, da Faculdade de Medicina da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, concedeu uma entrevista à BBC tentando explicar a morte de Alexandre. Para ela, tanto o envenenamento quanto a malária estão descartados. A professora refutou a tese de seu conterrâneo Leo Scheip, dizendo que os envenenamentos na antiguidade eram normalmente feitos com substâncias muito letais, que agiam de forma rápida. A erva sugerida por Scheip causaria uma morte lenta, o que fugiria dos padrões da época. Estes substâncias eram evitadas, de acordo com ela, porque uma morte lenta significava uma maior chance do envenenado acusar o assassino.

Katherine Hall defende, por meio dos seus próprios estudos, que Alexandre morreu por complicações da síndrome de Guillain-Barré, uma doença autoimune que atinge parte do sistema nervoso. Isso ajudaria a explicar a suposta demora no início da decomposição do corpo do monarca. Para Hall, é plausível que o rei tenha sido vítima da síndrome e, por resultado dela, tenha desenvolvido uma paralisia que comprometeu a sua respiração. A sua teoria é de que o rei, na verdade, não estava morto quando foi declarado o seu óbito. A sua morte, de fato, ocorreu apenas seis dias depois.

“Eu queria estimular um novo debate e possivelmente reescrever os livros de história, sustentando que a morte de Alexandre ocorreu, na verdade, seis dias depois do que se pensava”, disse a professora à BBC em 2019. “O diagnóstico de Guillain-Barré como causa da morte explica muitos elementos díspares de maneira coerente”.


Com informações do Uol.com.

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