Planetas fora de nossa galáxia foram vistos pela primeira vez

Pela primeira vez, a presença de objetos do tamanho de planetas foi confirmada além da Via Láctea. Surpreendentemente, os “suspeitos” ficam a bilhões de anos-luz e são imensamente abundantes em quantidade.

Em 26 anos desde que foram localizados planetas fora do Sistema Solar, foram encontrados também alguns planetas a partir do uso do método “Doppler Wobble” em torno de estrelas próximas. Ao estudar profundamente o brilho das estrelas enquanto os planetas passam por elas, temos cada vez mais expandido o alcance de visão, possibilitando maior entendimento sobre o espaço.

A galáxia no centro dessa imagem possui bilhões de planetas com massas menores que Júpiter em seu halo.

Para ir além da galáxia, no entanto, o professor Xinyu Dai e o Dr. Eduardo Guerras da Universidade de Oklahoma usaram “microlentes”, com base no efeito da gravidade na luz. Um objeto maciço na posição certa é capaz de enfocar a luz de algo mais distante.

Foram usadas as lentes gravitacionais formadas por galáxias gigantes para estudar objetos que, de outra forma, estariam além do alcance de nossos telescópios. Microlentes, como o próprio nome sugere, já são menores e ocorrem quando uma estrela e planetas passam na frente de uma fonte mais distante. A lente criada pela própria estrela cria uma colisão na luz que é grande o suficiente para que possamos registrar, chamando a atenção para os sinais em radares muito menores produzidos pelos planetas.

As microlentes nos permitiram encontrar um planeta com a massa de Urano a 25 mil anos-luz de distância, um quarto de distância na galáxia. No Astrophysical Journal Letters, Dai e Guerras anunciam que deixaram essa conquista nas sombras encontrando uma população de planetas em uma galáxia a 3,8 bilhões de anos-luz de distância.

A galáxia está quase a meio caminho entre nós e o quasar RXJ 1331-1231. A gravidade da galáxia cria uma lente, cujos efeitos variam à medida que os objetos dentro dela se movem. Através do exame do espectro de luz do quasar, ficou claro que a lente é constituída por milhões de objetos individuais, todos deslocados um em relação ao outro, em vez de um único poço gravitacional.

Quando Dai e Guerres criaram um modelo de como a lente deveria se comportar se a galáxia fosse puramente composta de estrelas e anãs marrons, o resultado não se assemelhava ao que viram. A essa distância, planetas perto de estrelas efetivamente adicionam sua massa ao da estrela, ocasionando a “lente”. Adicionando bilhões de objetos com massas que variam desde a Lua até Júpiter, localizado no halo galáctico não vinculado a qualquer estrela, criou uma combinação muito melhor.

A massa combinada desses objetos de tamanho planetário na galáxia parece ser pelo menos 0,001 da massa de estrelas, sugerindo milhares para cada estrela ou centenas de objetos maiores.

“Não há qualquer chance de observar esses planetas diretamente”, afirmou Guerras em um comunicado. “No entanto, somos capazes de estudá-los, revelar sua presença e até ter uma ideia de suas massas. Essa parte da ciência é muito legal”.

[IFL Science]

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