Pessoas com desordens mentais falam sobre suas vidas e como é difícil adivinhar o quando a esquizofrenia começa

Hoje em dia os problemas de saúde mental tornaram-se sinônimo de deficiência, mas de fato as pessoas com esses problemas podem ter vidas normais entre pessoas relativamente saudáveis.

Ainda há muitos preconceitos relacionados à desordens mentais, porém podemos ser amigos de pessoas que têm problemas de saúde mental sem nem sequer saber disso.

Juntamos relatos de pessoas com diferentes problemas psicológicos e oferecemos a você a oportunidade de “entrar” nas mentes delas e entender o que significa ter uma doença mental. Veja só:

1 – “Todo mundo já viu um sem-teto ou um mendigo parado do lado de fora de um prédio resmungando para si mesmo ou gritando. Essa pessoa provavelmente tem alguma forma de esquizofrenia…”

“…Mas a esquizofrenia se apresenta em uma ampla gama de status socioeconômicos e há pessoas com a doença que são profissionais em tempo integral com grandes responsabilidades. Como eu.

O episódio a seguir aconteceu na sétima semana do meu primeiro semestre no meu primeiro ano na Faculdade de Direito de Yale, citando minhas anotações. Rebel e Val (meus dois colegas de classe) e eu marcamos uma reunião na biblioteca da faculdade de direito na noite de sexta-feira para trabalhar em nossa redação juntos. Mas não chegamos muito longe antes de eu começar a falar de maneiras que não faziam sentido. “Redações são visitações”, eu os informei. “Elas chegam a diversas conclusões. A conclusão está em sua cabeça. Pat costumava dizer isso. Você já matou alguém?” Rebel e Val olharam para mim como se alguém tivesse jogado água fria em seus rostos. “Do que você está falando, Elyn?”

Eu perguntei aos meus colegas se eles estavam tendo a mesma experiência de frases sem sentido aparecendo aleatoriamente como estava acontecendo comigo. “Acho que alguém se infiltrou nas minhas cópias dos casos”, eu disse. “Temos que avaliar as articulações. Eu não acredito em articulações, mas elas mantêm seu corpo unido”. Eventualmente, voltei para meu dormitório, e assim que cheguei lá, não conseguia me acalmar. Minha cabeça estava muito cheia de barulhos, redações que eu não podia escrever e assassinatos em massa que eu sabia que seria responsável.

Mais tarde, fui a muitos hospitais, fiz longos tratamentos. Mas, graças aos meus parentes, minha vida não terminou em uma cama de hospital. Em vez disso, hoje sou professora de Direito, Psicologia e Psiquiatria na Faculdade de Direito Gould da USC, tenho muitos amigos íntimos e tenho um marido amado, Will”.

2 – “Eu tenho transtorno bipolar”

“O problema com essa condição é que, mesmo que você seja médico, não percebe que algo está errado com você. Pelo menos, antes reconhecer os primeiros sinais, como falar muito, ter muita energia e não saber o que fazer com isso e, mais importante, uma baixa necessidade de sono. Se você perder a pequena janela da oportunidade em que ainda pode agir, há uma chance de não conseguir mais ajuda. Você precisará ser levado ao hospital.

Eu não percebi meus primeiros sinais. O humor incrivelmente bom que eu tinha, associava com o fato de que havia me apaixonado por um colega. Daí, comecei a escrever poemas. Eu organizei um concerto, encontrei artistas, cantei músicas. No mesmo dia, fomos a São Petersburgo para uma turnê e eu estava no meu melhor: corri pela cidade, conheci novas pessoas (é fácil para pessoas com a minha desordem), fui para a piscina, sauna e spa. Eu não dormi a noite inteira – passei a noite falando com um guarda. De manhã, levei todo mundo para um churrasco. Eu tive que pedir dinheiro emprestado ao meu colega para fazer tudo isso e, no momento, não parecia ser um problema. Eu estava me divertindo muito!

Quando voltei, comecei a reorganizar meu escritório: havia trazido muitas coisas importantes para lá, embora não devesse fazer isso, de acordo com as regras. Este foi o momento em que meu colega descobriu que havia algo de errado comigo. Aliás, identifiquei meu problema na ambulância”.

3 –Eu tenho TOC”

“É uma tortura. Nem uma única atividade pode ser feita sem algum tipo de comportamento ritualístico. Isso toma muito do seu tempo e você tem que estar preparado para se atrasar para tudo. Pensamentos como:

“Se você não virar a garrafa de xampu, sua mãe vai morrer em quanto dorme esta noite e será sua culpa”.

“Acenda e apague as luzes 10 vezes ou você vomitará esta noite” (eu também tenho fobia de vômito).

E “Se você não colocar a faca em uma determinada área da mesa, um membro da sua família acabará derrubando-a, sendo esfaqueado e morrendo e a culpa será sua”.

Cada atividade mundana é repentinamente uma situação de vida ou morte e você tem que fazer perfeitamente do modo que sua mente diz. Ah, e se você não acertar na primeira vez, terá que repetir várias vezes até conseguir. E, sim, você também pode acabar tendo que plugar e desplugar o carregador do laptop umas 80 vezes antes de continuar com o seu dia”.

4 – “Eu tenho Síndrome de Tourette”

“Às vezes meu braço se contorce, às vezes eu grito palavras que uma pessoa normal nunca diria em público e, mais importante, eu não consigo controlar isso. E, por incrível que pareça, não é um problema para mim ou para o meu parceiro. Você só precisa confiar em uma pessoa e falar sobre sua desordem no início de seu relacionamento, de modo que esse problema não se torne algo inesperado quando te ouvirem gritando palavras obscenas”.

5 –Transtorno bipolar é basicamente mania, seguido por depressão”

“Quando eu tenho a parte da mania, eu me envolvo em muitas atividades insalubres – drogas, insônia, compras incontroláveis e começo outras mil coisas. E então vem a depressão.

Essa doença começou quando eu estava na escola e fiquei com um humor terrível por várias semanas. Eu até subi no telhado e tentei pular. Mais tarde, na faculdade, foi difícil para ir às aulas. Eu não tinha motivação para ir até ser expulso.

Com o tempo, a depressão piorou. Eu parei de trabalhar, não saía do meu apartamento, não comia, não retornava ligações. E o mais importante, eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Eu culpava minha preguiça e minha incapacidade de fazer algo a respeito. A depressão leva ao desaparecimento do pensamento crítico. Não importa o quão estranhas as coisas estejam ou pareçam, você não percebe que está doente…

Se você perceber um comportamento semelhante como os acima entre as pessoas que conhece, não deixe de conversar sobre e, quando possível, solicitar ajuda. Potencialmente, você pode estar auxiliando a salvar a vida de alguém”.

[Bright Side]

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