Pesquisa sugere que ter conversas íntimas com estranhos pode ser mais benéfico do que parece

Todo mundo deveria ter alguém com quem contar para desabafar sobre os assuntos difíceis da nossa vida. E quando precisamos de um ombro amigo, normalmente recorremos àquelas pessoas mais próximas: Mãe, pai, irmãos e amigos íntimos. Para a maioria das pessoas, conversar com um estranho sobre assuntos mais profundos pode parecer um pouco estranho. Mas segundo um novo estudo, ter conversas profundas com pessoas desconhecidas pode ser benéfico para o nosso cérebro.

Um estudo publicado no Journal of Personality and Social Psychology sugere que as expectativas das pessoas sobre interações com estranhos não se confirmam com os resultados que ela proporcionam. Em suma, as pessoas em geral acreditam que essas interações com estranhos mais estranhas e embaraçosas do que realmente são.

Para chegar nesta conclusão, os cientistas envolveram cerca de 1800 participantes em uma série de experimentos que mediam as expectativas das pessoas e os resultados de suas conversações com pessoas que elas não conheciam. Para ter um grupo de controle, alguns dos indivíduos analisados tiveram conversas profundas com pessoas que faziam parte do seu ciclo mais íntimo – “confidentes”, digamos assim.

(Dboybaker/Flickr, CC BY 2.0

Na primeira etapa dos experimentos, os participantes relatavam suas expectativas antes de ter uma conversa íntima com um estranho. Depois disso, contavam para os pesquisadores como se sentiam no final da conversa. Isso deu aos cientistas uma noção comparativa da expectativa e a experiência real. Durante as conversas, os participantes eram encorajados a falar de assuntos envolvendo tópicos mais vulneráveis, como: “Você pode descrever uma vez em que chorou na frente de outra pessoa?”.

Neste primeiro conjunto de experimentos, normalmente os participantes subestimavam seu próprio interesse em ouvir um estranho, bem como a vontade de ouvir o que uma pessoa aleatória tinha a dizer sobre seus problemas. O constrangimento não estava tão presente quanto os participantes pensaram que estaria, e eles também se sentiam mais conectados e felizes do que o esperado. Mais para frente, os pesquisadores perceberam que os participantes eram mais capazes de adivinhar os resultados das conversas íntimas com pessoas próximas. Isso se explica pelo fato de que, ao conversar com um amigo íntimo, ou com um familiar, você já está esperando atenção e carinho.

Os pesquisadores queriam ver se os participantes interpretavam mal os resultados das conversas profundas com estranhos. Além disso, tinham como objetivo analisar se essas conversas criavam conexões mais fortes, e se as expectativas de interesse e cuidado das pessoas criavam barreiras psicológicas. “Nossos experimentos testam se as pessoas subestimam sistematicamente o cuidado e a preocupação dos outros no contexto de conversas profundas”, explicam os autores do artigo.

Os participantes do estudo normalmente escolhiam temas mais profundos quando esperavam um parceiro mais atencioso, o que apoia a hipótese dos autores de que as expectativas mal calibradas de uma pessoa sobre a sociabilidade dos outros podem agir como uma “barreira psicológica”, impedindo-as de ter conversas profundas com estranhos. O bem-estar geral das pessoas está profundamente ligado à qualidade de seus relacionamentos sociais. Com isso em mente, não é nenhuma novidade que os indivíduos tenham grande interesse em construir relacionamentos fortes e duradouros. E para atingir essas relações, um dos mecanismos que nós normalmente utilizamos é a troca de conversas íntimas e profundas.

“Nossos dados sugerem que o ato de subestimar a natureza profundamente social dos outros – assumindo que os estranhos serão mais indiferentes na conversa do que realmente são – pode ajudar a explicar por que as conversas na vida diária são mais superficiais do que as pessoas gostariam”, escreveram os autores. E ainda que a pesquisa tenha sido feita em um laboratório, com supervisão técnica, os pesquisadores acreditam que as descobertas podem ser generalizadas e levadas a outros contextos, mais próximos do nosso dia a dia.

“Pesquisas anteriores, realizadas nos Estados Unidos e no Reino Unido indicam que as pessoas tendem a menosprezar e subestimar o interesse de estranhos em se engajar em conversas em situações diárias, como viagens de ônibus, trens e táxis”, citam os autores.

Vale ressaltar, como os pesquisadores fizeram, que os resultados podem variar entre diferentes culturas do nosso planeta. De qualquer forma, talvez você devesse pensar novamente antes de assumir que seu colega de trabalho não está interessado em ouvir o que você tem a dizer.


Com informações do ScienceAlert. A pesquisa citada foi publicada no Journal of Personality and Social Psychology.

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