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Pela primeira vez, vemos o carbono ligado a seis outros átomos

Uma molécula de carbono em forma de pirâmide que contradiz um dos mais básicos conhecimentos de química acaba de ser estudada pela primeira vez. Ela contém um átomo de carbono ligado a outros 6 átomos, ao invés do comum máximo de 4 ligações.

Átomos formam moléculas compartilhando elétrons. O carbono tem 4 elétrons que podem ser compartilhados com outros átomos. “No entanto, em certas condições, este limite pode ser ultrapassado”, afirma Moritz Malischewski, químico da Universidade Livre de Berlim, que sintetizou e estudou a molécula, chamada de hexametilbenzeno.

Tipicamente, este composto é formado por seis átomos de carbono dispostos em um anel hexagonal, com átomos de carbono extras nas bordas externas do anel. Em um experimento de 1973, químicos alemães retiraram 2 elétrons do composto, e as evidências sugeriram que a versão positivamente carregada (já que estava com 2 elétrons a menos) assumia a forma piramidal. Nesta condição, haveriam 6 elétrons disponíveis para conectar com o topo da pirâmide. Porém, até agora, ninguém havia verificado a forma da molécula.

O arranjo é incomum, instável e existe somente em baixas temperaturas dentro de líquidos extremamente ácidos. Assim, Malischewski passou 6 meses utilizando um ácido potente para produzir o composto e poder vê-lo usando raios X.

O padrão de difração de raios X não deixou dúvidas sobre a forma piramidal com 5 lados.

“Cálculos e outros experimentos sugeriram que um átomo de carbono com 6 ligações era possível, mas a estrutura cristalina serve como prova fotográfica”, afirmou Dean Tantillo, da Universidade da Califórnia. “Ele dá luz à natureza das ligações e os limites da nossa compreensão sobre as estruturas da química orgânica.”

 

Em temperatura e umidade normais, a molécula quebraria imediatamente, o que torna improvável quaisquer aplicações práticas. Mesmo assim, Malischewski se mostrou intrigado com a questão de saber se a molécula poderia realmente existir. “É tudo sobre desafio e a possibilidade de surpreender os químicos com o que pode ser possível”, ele afirma.

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