Pais de um menino de 13 anos que supostamente matou uma turista com uma estátua agora enfrentam acusações

por Lucas Rabello
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Pais de um menino de 13 anos que supostamente matou um turista com uma estátua agora enfrentam acusações

As ruas estreitas do Bairro Espanhol, em Nápoles, são conhecidas pela vibração cultural e pelo fluxo constante de visitantes. Em setembro de 2024, Chiara Jaconis, uma turista italiana de 30 anos que vivia na França e gerenciava uma unidade da Prada em Paris, caminhava por essa região histórica. Ela celebrava seu trigésimo aniversário ao lado do namorado, Livio Rousseau. O que deveria ser um passeio de comemoração se transformou em uma tragédia repentina quando um objeto caiu diretamente sobre ela.

Câmeras de segurança registraram o momento em que Chiara caminhava tranquilamente à frente de Livio. Sem qualquer aviso, uma estatueta de ônix pesando cerca de 2 quilos atingiu sua cabeça.

O objeto despencou de uma altura estimada em 10 metros, ganhando velocidade suficiente para se estilhaçar completamente ao atingir o chão. Rousseau foi gravado gritando “Chiara” e “meu deus” enquanto corria para tentar socorrê-la e pedia ajuda aos moradores locais. Chiara Jaconis sofreu lesões cerebrais gravíssimas e morreu no hospital dois dias após o impacto.

Imagens perturbadoras de câmeras de segurança mostraram o turista caminhando alegremente pela rua quando um objeto pareceu cair do céu.

Imagens perturbadoras de câmeras de segurança mostraram o turista caminhando alegremente pela rua quando um objeto pareceu cair do céu.

A investigação policial apontou que o objeto foi lançado da sacada de um hotel por um adolescente de 13 anos. Na legislação italiana, a idade de responsabilidade criminal começa aos 14 anos, o que impede que o jovem responda judicialmente pelo ato.

Diante dessa barreira legal, os promotores voltaram o foco para os pais do menino, de 65 e 54 anos. A acusação sustenta que houve homicídio culposo por negligência, argumentando que os responsáveis deveriam ter supervisionado a criança.

O histórico do menor e a acusação

A promotoria incluiu no caso informações sobre o comportamento anterior do adolescente. Relatos indicam que ele já teria apresentado o hábito de arremessar objetos de locais altos, como sacadas. Entre os itens lançados em ocasiões passadas estariam pregadores de roupa, um controle remoto e até um tablet. Por esse motivo, o Ministério Público considera que os pais falharam no dever de vigilância, permitindo que uma situação perigosa escalasse até o incidente fatal com a estatueta de ônix.

O prefeito de Nápoles, Gaetano Manfredi, manifestou-se publicamente sobre o ocorrido. “É uma grande dor, uma tragédia que afeta profundamente a todos nós”, afirmou o governante. Da mesma forma, Sergio Giordani, prefeito de Pádua, cidade onde a vítima cresceu, classificou a morte como “absurda e trágica”. O caso gerou grande comoção nacional, especialmente pela natureza evitável do evento.

Chiara estava em Nápoles para comemorar seu aniversário de 30 anos com o namorado quando a tragédia aconteceu (Chiara Jaconis)

Chiara estava em Nápoles para comemorar seu aniversário de 30 anos com o namorado quando a tragédia aconteceu (Chiara Jaconis)

A defesa dos pais e o processo judicial

Os pais do adolescente negam qualquer responsabilidade ou irregularidade relacionada à morte de Jaconis. O advogado do casal, Carlo Bianco, afirmou que a estatueta nem sequer pertencia a eles. “Esta é uma tragédia que atingiu duas famílias respeitáveis, a da pobre Chiara e a dos dois profissionais”, declarou o advogado em um comunicado oficial. A defesa chegou a solicitar que o caso criminal contra o filho fosse reaberto para que ele pudesse limpar seu nome no tribunal por meio de provas, e não apenas pelo benefício da idade.

Gianfranco Jaconis, pai de Chiara, vê o indiciamento dos pais do jovem como um avanço necessário. “Não nos recompensa nem nos satisfaz, porque temos uma jornada dura e tortuosa pela frente. Mas é um começo”, comentou Gianfranco.

Ele acrescentou que “o único consolo que nos ajudará a enfrentar esta nova jornada tortuosa, composta por audiências, depoimentos e interrogatórios, é que estamos finalmente chegando à verdade – aquela que sempre buscamos”. Uma audiência preliminar foi marcada para 26 de junho para decidir se o caso seguirá para julgamento oficial.

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