Os 5 países e regiões que serão inabitáveis em 2050, segundo a NASA

por Lucas Rabello
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Os 5 países e regiões que serão inabitáveis em 2050, segundo a NASA

A ciência climática avançou a um ponto onde é possível prever não apenas o aumento das temperaturas, mas exatamente onde o corpo humano deixará de suportar o ambiente externo. Estudos recentes da NASA, baseados em monitoramento via satélite, indicam que o aquecimento global está redesenhando o mapa da habitabilidade terrestre. Entre os anos de 2050 e 2070, diversas regiões do planeta podem atingir níveis de calor e umidade que tornam a sobrevivência impossível sem auxílio tecnológico constante.

Essa análise não se baseia apenas no que marca o termômetro comum da sua janela. Os pesquisadores utilizam uma métrica mais rigorosa para medir o estresse térmico. O foco recai sobre áreas onde a combinação de fatores climáticos impede que o suor evapore, eliminando o mecanismo natural de resfriamento do corpo humano. Se o organismo não consegue dissipar calor, a temperatura interna sobe rapidamente, levando a falências orgânicas em poucas horas.

A métrica do bulbo úmido

Para entender o perigo, é preciso diferenciar o índice de calor comum da temperatura de bulbo úmido. O índice de calor que vemos nos telejornais combina a temperatura do ar com a umidade relativa, mas é calculado para áreas sob a sombra. Já o bulbo úmido mede o limite mais baixo de resfriamento que um objeto pode atingir através da evaporação da água.

Antigamente, essa medição era feita de forma manual, envolvendo um termômetro em um pano molhado e expondo-o ao vento. Hoje, a NASA utiliza sensores eletrônicos avançados em estações terrestres e satélites para obter esse dado com precisão global. Quando o índice de bulbo úmido atinge um determinado patamar, a umidade do ar está tão alta que o suor de uma pessoa simplesmente não seca na pele.

A maioria das áreas tropicais e quentes do mundo registra atualmente índices de bulbo úmido entre 25°C e 27°C. Embora essa faixa cause grande desconforto e exija cautela em atividades físicas, ela ainda permite a vida ao ar livre. O problema surge quando esse número sobe, aproximando-se do limite biológico da nossa espécie.

O limite da resistência humana

Cientistas estabeleceram que o limite máximo de sobrevivência para um ser humano saudável é um índice de bulbo úmido de 35°C por um período de seis horas. Após esse intervalo, se a pessoa não for levada para um ambiente refrigerado ou seco, o risco de morte é praticamente certo. O corpo perde a capacidade de autorregulação e a temperatura interna dispara.

Surpreendentemente, esse limite de 35°C já foi detectado em situações isoladas nos últimos 15 anos. Os registros ocorreram principalmente em zonas específicas da Ásia e do Oriente Médio. O monitoramento constante mostra que esses eventos, antes raros, estão se tornando mais frequentes e duradouros, indicando uma tendência irreversível para as próximas três décadas.

Zonas críticas para as próximas décadas

As projeções da NASA apontam que, até 2050, grandes extensões territoriais no Sul da Ásia enfrentarão crises de habitabilidade. O Paquistão é citado como um dos locais mais vulneráveis, onde as ondas de calor úmido já testam os limites da população local. A geografia da região contribui para o aprisionamento de massas de ar quentes e extremamente saturadas de umidade.

O Golfo Pérsico é outra região sob alerta máximo. Países localizados ao redor dessa bacia marítima possuem uma combinação perigosa de deserto escaldante e alta evaporação das águas oceânicas. O mesmo cenário se aplica às nações que possuem litoral no Mar Mar Vermelho. Nessas áreas, a vida urbana pode se tornar inviável sem uma infraestrutura de climatização onipresente, o que exclui grande parte da população de baixa renda.

O cenário para Brasil e China

Embora o ano de 2050 marque o início crítico para o Oriente Médio e Sul da Ásia, o horizonte de 2070 traz novas preocupações para outras potências globais. O leste da China, uma das áreas mais densamente povoadas do planeta, está na rota direta do calor extremo. A atividade industrial e a geografia local potencializam o efeito estufa regional, elevando o bulbo úmido para níveis fatais.

O Brasil também figura na lista de áreas de risco elevado. Partes do território brasileiro podem enfrentar condições de calor e umidade incompatíveis com a biologia humana nas próximas décadas. Além disso, alguns estados dos Estados Unidos, especialmente no sul e sudeste, devem registrar picos de temperatura de bulbo úmido que desafiarão a saúde pública e a produtividade econômica.

O perigo em índices menores

É um erro acreditar que o perigo existe apenas quando o bulbo úmido toca os 35°C. A história recente mostra que o calor mata muito antes de atingir o limite teórico máximo. Em 2021, uma forte onda de calor atingiu o noroeste dos Estados Unidos e o oeste do Canadá. Naquela ocasião, o índice de bulbo úmido não passou dos 25°C, mas o evento resultou na morte de 1.400 pessoas.

Nos Estados Unidos, o calor extremo já é o evento meteorológico que mais causa óbitos anualmente, superando fenômenos visivelmente mais destrutivos, como furacões, tornados e enchentes. Em média, 143 mortes diretas são registradas todos os anos no país apenas por estresse térmico. O aumento gradual das temperaturas mínimas impede que o corpo descanse durante a noite, acumulando o desgaste físico.

A perspectiva do IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) reforça os dados da NASA com previsões sobre a frequência desses eventos. Se o aquecimento global atingir 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, os episódios de calor extremo devem ocorrer quatro vezes mais do que no século passado. Isso significa que mesmo regiões que não atingirem o índice de 35°C sofrerão com o aumento da mortalidade e colapsos nos sistemas de saúde.

A transformação de países em locais inabitáveis gera uma pressão migratória sem precedentes. Quando o ambiente externo se torna hostil à biologia humana, a manutenção da agricultura, da construção civil e de qualquer trabalho manual ao ar livre é interrompida. O monitoramento por satélite serve como o diagnóstico atual de um planeta que está alterando suas condições básicas de suporte à vida.

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