O que acontece com seu corpo quando você pega coronavírus?

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Não importa onde você vive, certamente a sua vida já foi afetada de alguma maneira pelo surto de coronavírus que vem causando temor no mundo inteiro desde o início deste ano. No momento em que este vídeo era gravado, em 21 de março de 2020, já eram mais de 278 mil infecções confirmadas no mundo inteiro, com mais de 11,5 mil mortes. A Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, é consideravelmente nova no mundo da medicina, e por isso muitos médicos e pesquisadores têm dificuldade em traçar estratégias de combate ao patógeno.

É por isso que governos do mundo inteiro vêm aplicando severas quarentenas em seus territórios, e incentivando as pessoas a permanecerem o máximo possível dentro de suas casas, para evitar que o contágio seja ainda mais veloz e mortal. Como você provavelmente já sabe, o coronavírus é altamente contagioso, e passa de uma pessoa para a outra a partir das gotículas que são expelidas pelo nosso corpo, por exemplo, quando tossimos ou espirramos. Podemos contrair o vírus, então, apenas por conversar muito próximo a alguém que esteja infectado, ou por respirar o mesmo ar de alguém que esteja portando a doença. É justamente por conta disso que a recomendação para quem não pode ficar em quarentena dentro de casa é lavar constantemente as mãos, com água e sabão, e usar álcool em gel quando não for possível lavá-las adequadamente. É prudente também não tocar os olhos, nariz e boca, principalmente na rua e dentro de ambientes com aglomeração de pessoas, para evitar que o vírus seja levado até as mucosas.

Mas e se todas essas medidas não forem suficientes, e você ainda assim acabar contraindo o coronavírus? O que vai acontecer com o seu corpo?

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Bem, é importante saber primeiramente que o nCoV-2019, o coronavírus que começou a e se espalhar na China ainda no ano passado, ataca principalmente as vias respiratórias de suas vítimas. Para se reproduzir, ele costuma se prender junto às membranas de nossas células, e invariavelmente ele começa atacando a nossa garganta. Quando consegue o acesso para um célula, o coronavírus passa a enviar ordens para que ela produza cópias suas, dando início à infecção.

Com o tempo, estas “colônias” de vírus passam a destruir nossas células, uma a uma, ligando uma espécie de alerta em nosso corpo, que passa a entender que algo não está certo. É justamente nesse momento que começam as respostas do corpo humano à infecção que começa a se instalar. A partir de então, começam as dores de garganta, aparece a coriza e eventualmente acabamos desenvolvendo quadros de febre.

A tosse, por sua vez, surge a partir da chegada do coronavírus em nossos tubos brônquicos, que levam o ar até os nosso pulmões. Lá, o corpo intensifica a briga contra o patógeno, podendo consequentemente provocar um aumento nos sintomas.

Vale ressaltar que a Covid-19 não provoca sintomas graves em todos os infectados, e inclusive é possível que você passe por todo o curso da doença sem sequer desenvolver uma tosse. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, entre todos aqueles que desenvolvem sintomas, 80% não passam de um quadro leve, com tosses, febres e eventualmente pneumonia. Por outro lado, 14% desenvolvem sintomas um pouco mais graves, com falta de ar. Por último, 6% enfrentam a face mais perigosa da doença, onde há choque séptico, falência de órgãos, insuficiência pulmonar e risco de óbito.

Segundo os médicos, a doença se torna muito mais grave a partir do momento em que o vírus sai dos tubos brônquicos e alcança os pulmões. Em muitos casos, esses pacientes precisam ser internados e mantidos com um respirador, já que o órgão infectado não consegue dar conta de funcionar adequadamente durante os casos mais graves da doença.

Infelizmente, os riscos não param por aí.

De acordo com um estudo publicado na revista ‘The Lancet’ neste mês de março, a Covid-19 não se restringe ao pulmão, e a pneumonia não é a sua principal “arma” na batalha contra o nosso organismo. Ainda de que certa forma inconclusiva, a pesquisa apontou que a doença pode causar danos a outros órgãos do corpo humano, como os rins, o fígado e o coração. De fato, os médicos já sabem que alguns pacientes com a Covid-19 desenvolvem quadros fortes de diarreia e dor abdominal, bem como outos problemas que não se relacionam com a infecção respiratória.

Por fim, vale lembrar que o isolamento social e as quarentenas são as ferramentas que estão mais ao nosso alcance neste momento da epidemia. Ficando em casa, você pode estar protegendo muitas outras pessoas com o sistema imunológico mais debilitado que o seu. Como as autoridades insistem em dizer, não se trata de pensar apenas na própria saúde, porém na saúde pública como um todo.

Já se sabe que, caso a população não atenda os apelos das autoridades para que as pessoas fiquem em casa, nossos sistemas de saúde (sobretudo o brasileiro) não dará conta de atender todos os infectados pela Covid-19, em conjunto com outras enfermidades. Permanecendo em quarentena, no entanto, podemos diminuir a curva de ascensão da doença em nosso país, garantindo aos órgãos de saúde maior fôlego nesta guerra à epidemia.

Faça a sua parte! Cuide da sua saúde também da dos demais.