O que está nas coordenadas de latitude 0 e longitude 0 da Terra?

por Lucas Rabello
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A Ilha Nula é um termo cunhado no âmbito dos sistemas de informações geográficas (SIG) para denotar um lugar inexistente situado nas coordenadas de latitude 0° e longitude 0°, onde o equador se cruza com o meridiano primário no Oceano Atlântico. Apesar de seu status fictício, a Ilha Nula desempenha um papel significativo na comunidade SIG, particularmente na gestão de erros de dados. O conceito originou-se da necessidade de abordar imprecisões nos processos de geocodificação, onde, no caso de uma operação mal-sucedida ou dados faltantes, os sistemas poderiam reverter para essas coordenadas ‘zero’.

Em termos práticos, a Ilha Nula não possui qualquer massa terrestre em suas coordenadas designadas. O único marcador físico neste local é uma boia, conhecida como Estação 13010 ou “Soul”, parte do programa Prediction and Research Moored Array in the Tropical Atlantic (PIRATA). Esta boia serve como uma estação de observação meteorológica, fornecendo dados vitais sobre as condições meteorológicas e oceanográficas na região. As águas circundantes, parte do Golfo da Guiné, são caracterizadas por sua profundidade, com a terra mais próxima estando a mais de 600 quilômetros de distância.

O que está nas coordenadas de latitude 0 e longitude 0 da Terra? A criação da Ilha Nula em conjuntos de dados digitais como uma parcela de um metro quadrado teve como objetivo auxiliar os analistas na identificação de erros de geocodificação. Esses erros podem surgir de vários problemas, como entrada de dados incorreta, números de edifícios inexistentes ou nomes de ruas escritos incorretamente, levando a um número significativo de pontos de dados revertendo para as coordenadas ‘nulas’ de 0,0. Ao ter um ‘marco’ designado nessas coordenadas, torna-se mais fácil identificar e corrigir esses erros, melhorando assim a precisão e confiabilidade dos dados geográficos.

Apesar de sua inexistência, a Ilha Nula atraiu considerável atenção e até mesmo foi retratada em alguns mapas para fins ilustrativos. Ela possui seu próprio site e tornou-se um ponto de referência popular na comunidade SIG e além, especialmente após ser incluída no serviço de dados Natural Earth em 2009. A presença conceitual da ilha destaca a importância da precisão no manuseio de dados geográficos e as abordagens inovadoras desenvolvidas por cartógrafos e geógrafos para gerenciar e mitigar erros.

Além de seu papel funcional, a Ilha Nula também foi abraçada pela comunidade cartográfica com um toque de capricho. Alguns chegaram a criar uma bandeira para esta ilha imaginária, e humoristicamente se diz que tem uma população composta pelos inúmeros computadores que erroneamente enviam dados para essas coordenadas.

O fenômeno da Ilha Nula não é isolado no âmbito da geografia e cartografia. Existem outros exemplos de locais fictícios ou conceituais usados para diversos propósitos. Um desses exemplos é o Monumento Four Corners nos Estados Unidos, que marca o ponto onde as fronteiras de quatro estados – Arizona, Colorado, Novo México e Utah – convergem. Estabelecido com o primeiro marcador em 1868, este monumento permite aos visitantes estarem em quatro estados simultaneamente e serve tanto como atração turística quanto ponto de referência cartográfico.

Outro conceito relacionado a extremidades geográficas é o polo de inacessibilidade, que identifica os pontos na Terra que são os mais desafiadores de alcançar devido à sua distância de características geográficas acessíveis. Existem vários desses polos em todo o mundo, incluindo no Oceano Ártico, no continente Antártico e em um local terrestre na província de Xinjiang, no noroeste da China, reconhecido como o ponto mais distante de qualquer costa.

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