O que aconteceria se você morresse hoje?

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A morte tem sido um tema muito popular na humanidade, desde os primeiros registros históricos encontrados. Milhares foram as culturas que tiveram um deus ou deuses representando a morte, trazendo uma simbologia acerca da grande mudança que ela proporciona na vida das pessoas, como por exemplo, Anúbis no Antigo Egito, Plutão em Roma, Hades na Grécia, Santa Muerte no México, Morrigan na mitologia celta, entre muitos, muitos outros. Há uma lista infinita de representações da morte ou de um submundo nas culturas antigas, Inclusive, os Egípcios até mesmo fizeram o famoso Livro dos Mortos, uma coleção de papiros que funcionava como um “guia” para que o falecido pudesse encontrar o seu caminho após a morte.

Secção do Livro dos Mortos no Papiro de Nani, 1040 a.C.– 945 a.C./ @Wikipedia

A criatividade humana sem dúvidas desconhece os limites. Afinal, após a partida de um ente querido, tudo fica diferente e, muitas vezes, ficamos inconsoláveis. E nada conforta mais o coração humano do que pensar que a pessoa que acabou de falecer está bem, trilhando um caminho em busca de sua felicidade, não é mesmo?

Mas… o que de fato acontece após a morte? Aliás, o que aconteceria se você morresse hoje?

O que aconteceria se você morresse hoje?

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Imagine só que você estava com um pé na cova e outro no sabonete e acabou batendo as botas ou “abotoando o paletó”. Em outras palavras, você acabou morrendo!

Antes de mais nada… sentimos muito por isso! De verdade.

Agora, você já imaginou como seria a realidade de sua família e dos seus amigos após a sua partida? E você, o que sentiria durante esse processo tão misterioso?

O que você estaria pensando nesse momento? O que acontece com o seu corpo? O que você encontraria lá do outro lado?

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Em 1969, a psiquiatra Elisabeth Kübler-Ross elencou cinco estágios que a consciência humana usa para lidar com a morte. Aliás, os usamos desde sempre. Se você morresse hoje, sua família e seus amigos passariam por esses cinco estágios. São eles:

  1. Negação e isolamento;
  2. Raiva, Fúria ou desespero;
  3. Barganha;
  4. Depressão;
  5. Aceitação.

Mas, antes de que todos passem por isso, é necessário saber que você de fato morreu, certo?

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Bem, existe um critério para que uma pessoa seja dada como morta. Em 1968, em Harvard, foi definido alguns critérios para confirmar uma morte, que podem ser divididos em dois grupos maiores:

O critério cardiopulmonar, que é quando o coração para de bater;

E o critério neurológico, que é quando o cérebro não funciona mais, ou seja, morte cerebral.

Se de fato você estivesse em um desses dois critérios… bem, teríamos más notícias para você.

Agora, vamos entender o que aconteceria com o seu corpo após a morte: uma vez confirmada a sua morte, em um dos dois critérios estabelecidos, um processo natural físico se iniciaria. É importante lembrar que esse processo possui algumas variações, dependendo do indivíduo e da causa de sua morte, ok?

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Bem, se você não tivesse sofrido um acidente fatal e sua morte tivesse ocorrido de maneira natural, primeiramente seu corpo ficaria naturalmente gelado. Você começaria a sentir um frio enorme partindo de suas extremidades: suas mãos, depois os braços, pés, depois pernas, ficariam, basicamente, congelados.

Isso acontece porque o coração perde a capacidade de bombear sangue, deixando também sua pele manchada com tonalidades de roxo, vermelho ou cinza.

Supondo que sua morte tenha ocorrido por parada cardiorrespiratória, o seu cérebro ainda permaneceria funcionando, como se você estivesse dormindo.

Porém, você não saberia que dia seria e menos ainda onde estaria. Um fragmento de consciência ainda permaneceria e isso pode ser atribuído às reações químicas que reduzem o fluxo sanguíneo no cérebro, uma vez que, já que você teria parado de comer e de beber, por inteligência própria o corpo humano armazena energia para, inclusive, o processo da morte.

Por esse motivo, você pode visualizar algumas coisas esquisitas: luzes no fim do túnel, seus familiares, pessoas que você conheceu e já partiram, enfim… uma coleção de imagens curiosas. Pessoas que já passaram por um coma ou ainda a conhecida catalepsia, uma doença que torna os membros rígidos e os sinais vitais tão baixos que é comum ser confundida com a morte e, ao contrário de você nessa situação hipotética, conseguiram voltar à vida, relatam terem passado por experiências espirituais das mais diversas ordens.

Mas, o que de fato vemos? Existe vida após a morte?

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Pesquisadores têm documentado casos em que pessoas sobreviveram, mesmo após terem sido dadas como mortas. E o curioso foi que todas elas tiveram experiencias parecidas.

Elas experimentaram um sentimento profundo de paz, visões de luzes brilhantes e figuras benevolentes como um ente querido que já faleceu ou mesmo uma figura espiritual e um alívio sem fim à dor física que sentiam.

Mas, seria tudo isso uma alucinação? Ou algum sinal de que tudo não acaba aqui?

Estudos feitos no St Vincent’s Hospital, em Melbourne, na Austrália, mostraram que essas visões podem ajudar um individuo a passar pelo processo de morte de uma forma mais pacífica, como uma forma de conforto que o cérebro produz ao seu corpo para que seja possível se adaptar à nova situação.

É o seu próprio organismo fazendo a experiência ser menos dolorosa e mais agradável.

Mas… e sobre os casos documentados de pessoas que tiveram morte documentada em uma mesa de cirurgia e, depois, conseguiram voltar à vida, relatando terem visto tudo o que acontecia na sala de cirurgia?

Esses pacientes foram capazes de contar com detalhes sobre as atividades na sala de cirurgia, quem estava ou quem saiu, o que aconteceu ou o que disseram, etc. Muitos deles relatam terem “flutuado” sobre a sala ou terem dado uma volta pelo hospital e visto seus familiares, etc. E agora?

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Um estudo feito em 2008 mostrou que 42% das pessoas que sobreviveram a uma parada cardiorrespiratória tiveram algum nível de consciência remanescente ainda enquanto estavam no processo de reanimação. Os sobreviventes relatam que sentiram oscilações no tempo: seja uma aceleração ou uma lentidão, além de uma paz profunda e a sensação de estarem fora de seus próprios corpos. Os relatos de luzes brilhantes, brancas ou douradas, também são frequentes nesses casos. Parece ótimo, certo?

Bem, nem tanto. Alguns pacientes relataram sentir medo ou uma sensação estranha de “afogamento”. Por que será que isso acontece, afinal?

Existe uma teoria de que podemos “preparar” nossos corpos para a morte: um estudo feito na universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, propõe que no processo conhecido como “tukdam”, alguns monges morrem mas os sinais de decomposição não ocorrem em uma semana, tardando às vezes até meses para começar a acontecer.

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Esse caso bizarro foi estudado a partir da neurociência da meditação. Esses monges entram em estado de meditação antes da morte, providenciando ao cérebro atividades que usam uma baixa carga de energia mental, com o objetivo de manter o estado meditativo. Por isso, seus corpos demoram semanas para se decompor, já que o corpo se acostumou com as cargas mais baixas de energia usadas.

Por mais bizarro que possa parecer, a experiência de morte será diferente para cada um de nós. Mas o fato é, que um dia, todos nós iremos morrer.

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Seja lá o que tenha (ou não) lá do outro lado – o que ainda é um mistério –  uma coisa é verdade: podemos nos alegrar por estarmos vivos neste planeta e nesta época, com tantas oportunidades de fazer a diferença na vida de milhares de pessoas e, talvez, fazer do mundo um lugar melhor para se viver.

Já que um dia iremos morrer, por que não fazer desta vida, algo extraordinário, não é mesmo?

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